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Manaus
VIOLÊNCIA

Após 22 anos do crime, irmãos Marques são condenados pelo assassinato do pai

Paulo César e Carlos César Marques da Silva voltaram a sentar no banco dos réus e foram sentenciados a 17 anos de prisão 25/10/2017 às 20:46 - Atualizado em 25/10/2017 às 20:47
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Foto: Gilson Mello/freelancer
Joana Queiroz Manaus (AM)

Os irmãos Paulo César Marques da Silva e Carlos César Marques da Silva foram julgados e condenados pelo Tribunal do Júri pela segunda vez pelo crime de homicídio duplamente qualificado contra o próprio pai, o empresário Adarcino Marques da Silva, ocorrido há 22 anos e três meses.

O primeiro julgamento foi em 2015, quando  eles foram condenados a 13 anos de prisão.  A defesa conseguiu anular o julgamento. Nesta quarta-feira (25), os irmãos voltaram a sentar no banco dos réus e foram sentenciados novamente, desta vez a 17 anos de prisão em regime fechado.

Apesar de já terem sido condenados duas vezes, os irmãos Marques continuam em liberdade. O juiz Anésio Pinheiro, que presidiu o julgamento, acatou o pedido da defesa de que os irmãos possam recorrer em liberdade pela diminuição da pena.

O promotor de Justiça Ednaldo Medeiros quer que os irmãos cumpram a condenação imediatamente. “Eles estão enrolando a Justiça. Cometeram um crime de homicídio duplamente qualificado contra o próprio pai e nunca foram presos. Isso é um escárnio”, disse o promotor, que prometeu recorrer em instância superior para que os assassinos do pai sejam mandados para a cadeia.

Sessão de julgamento

O julgamento durou mais de nove horas.  O advogado dos réus, Luiz Eduardo Valois, durante os debates, defendeu  que os irmãos não praticaram o homicídio, sustentando, por meio de testemunhas, que os réus não estavam no local do crime na hora em que ele ocorreu. Paulo César estaria na casa de um amigo e Carlos César estaria levando a namorada para a faculdade.

O promotor de Justiça, por sua vez, reafirmou a denúncia de que os réus teriam assassinado o pai porque viviam se desentendendo com a vítima, que os achava ociosos e insistia para que eles arrumassem um trabalho, dando inclusive um prazo para que se empregassem, sob pena de terem de deixar a casa paterna.

Outra motivação que aparece na denúncia é que havia ainda o desejo dos acusados de se apossarem dos bens como herança. Testemunhas afirmaram que os irmãos tinham praticado outros crimes contra o pai. Já tinham falsificado a assinatura dele em cheques e roubado os carros dele.

Devido ao tempo entre o acontecido e o novo julgamento dos réus, ontem, a maioria das testemunhas, tanto de defesa como de acusação, já tinha esquecido detalhes importantes sobre o caso. Alguns esqueceram o local onde estavam no dia do crime, e já não lembravam os nomes de alguns envolvidos.

Amarrado e esfaqueado

Os irmãos  Marques foram denunciados pelo Ministério Público por crime de homicídio duplamente qualificado com base no artigo 121 do Código Penal Brasileiro, § 2º I (motivo torpe), IV (recurso que tornou impossível a defesa da vítima). O empresário foi amarrado, amordaçado e depois esfaqueado.

Primeiro julgamento foi anulado

Em 2015, os irmãos foram julgados pela primeira vez e foram condenados a cumprir 13 anos e nove meses de prisão.  Porém, insatisfeita com a sentença, a defesa dos réus recorreu na segunda instância, afirmando que a decisão foi contrária à prova dos autos.

Desembargadores da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas, cujo relator do recurso foi Djalma Martins da Costa, decidiram cassar a condenação e determinaram que Paulo e Carlos fossem submetidos a novo julgamento pelo Júri. 

Conforme os autos, empresário foi morto por volta das 19h do dia 21 de julho de 1995, no quarto da casa onde morava na rua Alagoas, 2, bairro Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul, por homens encapuzados que desferiram 12 facadas nele.

Na casa, além do empresário, estava o sobrinho dele Hélio Marques de Araújo, que também chegou a ser denunciado, Mas foi excluído do processo por falta de provas.

 Adarcino era goiano, veio para Manaus e três anos depois já  tinha uma frota de táxi.  Nos anos seguintes, continuou trabalhando no ramo de veículos, mas com vendas de carros e quando foi assassinado era dono de uma loja de veículos.

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