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Manaus
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Após 44 anos, ex-colegas do ginasial se reencontram e formam rede de solidariedade

Alunos das turmas de 1974 do Senac Amazonas reativaram a amizade surgida na adolescência e se encontram mensalmente 17/03/2018 às 08:00
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Laços de amizade foram reconstruídos e até o professor foi encontrado. Fotos: Evandro Seixas
Danilo Alves Manaus (AM)

Era janeiro de 1974 quando a advogada Nazaré Guimarães, 59, começou a estudar no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), no Centro de Manaus. Ela tinha 13 anos e, na época, a instituição, que fica localizada na rua Saldanha Marinho, ainda lecionava o ensino fundamental. Foi lá que Nazaré viveu e compartilhou várias histórias com amigos que fez em sala de aula.

Após 44 anos de idas e vindas, o grupo se reencontrou por meio das redes sociais e poucos meses depois criou uma rede solidária, que começou a ajudar os próprios ex-colegas de sala que passam por dificuldades de saúde e até financeiras. 

Nazaré, que é a aposentada do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), explicou que desde o ano passado os amigos da escola se reúnem em encontros mensais. Nos últimos meses, o grupo ajudou dois ex-alunos. Um deles, conforme a advogada, vive em uma cadeira de rodas e sem amparo da família.

“Ele mora sozinho em uma casa pequena. Nós decidimos fazer uma surpresa para ele e o ajudamos com alimentos e algumas outras doações. Também já ajudamos com cestas básicas um outro colega que passava por dificuldades financeiras. Tudo é feito com muito carinho em nome da amizade, já que nós éramos muito ligados”, afirmou.

Hoje trabalhando como analista administrativa do Inpa, Maria Hercília Andrade Ribeiro, 58, admitiu que não reconheceria o rosto de alguns colegas se passassem na rua.

“Eu brincava de pique esconde com amigas nas praças do Centro da cidade, mas hoje não lembraria”.  Apesar disso, o jeito de ser dela nunca mudou, ficou feliz e com um pouco de nostalgia.

Maria contou como o reencontro aconteceu e como o grupo do WhatsApp foi criado. “Nossa amiga jornalista Joana Queiroz encontrou um colega nosso, chamado Jairo, há alguns anos na Sede da Polícia Federal (PF). Lá, ela e mais duas colegas começaram a ‘caçar’ no Facebook os sobrenomes de alguns ex-alunos e hoje temos 43 pessoas. Eram duas turmas com mais de 80 alunos, então fico feliz que mais da metade das pessoas reapareceram”, disse.

Um dos mais recentes do grupo é o professor de ciências da turma, João Alves de Souza. Aos 69 anos, ele relembrou momentos felizes e engraçados que a turma passou.

Uma selfie com o mestre

“Todos eram tranquilos, mais jovens. Eles faziam barulho, mas eram respeitosos com o professor. Vê-los hoje assim, ajudando o próximo, nos faz perceber que os valores éticos e morais também foram ensinados, e isso é o que importa”, disse.

Reconciliação de 'inimigas mortais'

Durante a adolescência, situações tristes, como discutir com o colega de classe ou até mesmo brigar com o melhor amigo, podem surgir junto com a puberdade.  E se enganam os jovens que acreditam que esses tipos de acontecimentos só ocorrem nos dias de hoje. 

Quando tinham 13 anos, Maryjane Brandão , hoje com 59, e  Mara Ney Silva, 60, eram “inimigas mortais”. 

Na época,  então representante estudantil Meyrejane reprendia algumas atitudes que Mara fazia. “Ela jogava as bolas de futsal de propósito na área das salas de aula. Em algumas ocasiões, ela até furava as bolas. Teve um dia que brigamos feio”, contou.

Depois do reencontro da turma do Senac, o pedido de desculpas de Mara aconteceu e as duas reataram a amizade. 

“Acho que essas situações são comuns durante a juventude. Faz parte do ser humano. Só que a melhor parte é reencontrar aquela pessoa que antes você não gostava e ver que tudo não passava de uma fase”, disse Mara Ney.

As duas se reencontraram em fevereiro, após reunião do grupo em uma padaria, na Zona Centro-Sul de Manaus.

Encontros mensais

As duas turmas de Ginásio do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em 74 tinham juntas 86 alunos. Ao todo, 44 já foram reencontrados nas redes sociais. Um grupo chamado ‘O Reencontro’ foi criado no Whatsapp, no qual eles marcam encontros mensais.

Frase

“Quando a gente se reencontra, parece que a nossa mente volta ao passado. Acreditamos que amizades verdadeiras resistem ao tempo” - Nazaré Guimarães, advogada.

Fotos: Evandro Seixas 

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