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Após cheia, mais de 6 mil famílias mudam de endereço em Manaus

A decisão foi tomada após visita de representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no final de abril às áreas afetadas pela cheia. Desta forma, o BID vai liberar, para uma ação considerada emergencial, R$ 70 milhões 05/06/2012 às 11:40
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Antônio Feitoza, com a cabeça quase encostando no teto de sua casa, diz estar sem forças diante das dificuldades trazidas pela cheia. O problema de coluna o impede de andar na casa com os assoalhos erguidos
jornal a crítica Manaus

 O remanejamento de famílias que vivem em áreas alagadas da Zona Centro-Sul da capital, que estava previsto para ocorrer em até quatro anos, paralelamente às obras do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus III (Prosamim), teve o prazo antecipado. Ainda em 2012, o governo planeja deslocar 6.266 famílias de 11 bairros de Manaus. A decisão foi tomada após visita de representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no final de abril às áreas afetadas pela cheia. Desta forma, o BID vai liberar, para uma ação considerada emergencial, R$ 70 milhões.

 A vinda do BID já estava marcada e coincidiu com a subida acima da média do nível do rio Negro. As visitas aos locais serviram para que os representantes se “sensibilizassem” com a situação e concordassem em antecipar a liberação dos recursos para garantir o remanejamento, segundo o coordenador da Unidade de Gerenciamento do Prosamim, Frank Lima. Os recursos serão utilizados para indenizar famílias na forma de bônus moradia, cheque moradia ou auxílio moradia. O Estado também negocia com Governo Federal a utilização para esse fim do orçamento previsto para o programa. Enquanto os recursos não são liberados, o Governo Estadual vai arcar com as despesas.

O morador vai optar por diferentes modalidades. Com o bônus moradia no valor de R$ 50 mil, o morador apresenta o imóvel escolhido para a Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) avaliar e efetivar a compra. Se optar pelo cheque moradia, de R$ 35 mil, é o próprio morador que se responsabiliza pela compra do imóvel a seu critério. O Governo do Estado também irá disponibilizar o auxílio moradia, no valor de R$ 6 mil, somente para inquilino ou pessoas que moram em imóvel cedido.

 REMANEJAMENTO
Na bacia do São Raimundo (bairros São Raimundo, Presidente Vargas, Glória e Aparecida) serão retiradas 3.908 famílias. Já nos bairros que ficam na área do igarapé do Quarenta (Japiim, Raiz e Betânia), na bacia dos Educandos, serão retiradas 748 famílias. Da área do igarapé Mestre Chico, entre o Centro e a Praça 14, serão remanejadas 62 famílias. Os imóveis ficam em áreas que integram a segunda etapa do programa, na bacia dos Educandos, e também em alguns bairros da bacia do São Raimundo, onde o Prosamim deve iniciar sua terceira etapa a partir deste mês.

No Prosamim da Cachoeira Grande, que vai urbanizar o trecho entre a avenida Kako Caminha e a ponte do São Jorge, Zona Oeste, serão retiradas 2.358 famílias cujas casas estão abaixo da cota de inundação. A Seinfra, responsável pela obra de urbanização do trecho, já encerrou o cadastramento que identificou 2.182 casas dentro da área de abrangência do programa e outras 176 que não estão, mas cujas casas também estão sob risco e por isso serão beneficiadas. Parte dos recursos do Prosamim para as obras de urbanização do igarapé da Cachoeira Grande – R$ 78,3 milhões – são do Governo Federal por meio da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC II), com recursos do Orçamento Geral da União. A contrapartida estadual é de R$ 26,7 milhões, totalizando R$ 105,1 milhões para as obras de urbanização. Outros R$ 65 milhões serão destinados à construção de 1,5 mil unidades habitacionais e serão disponibilizados pela Caixa Econômica Federal via programa Minha Casa, Minha Vida. O temor dos moradores de os imóveis do Prosamim serem impactados por uma grande cheia não procede. É o que garante o chefe de Engenharia do Prosamim, Luiz Eduardo Rabelo. Segundo o engenheiro, os edifícios foram construídos em um níveis que vão de 30,5 m a 31m.

ESTUDOS
Rabelo disse que o programa contratou especialistas para desenvolver estudos hidrológicos e pluviais. Por meio destes estudos, o Prosamim executou suas obras com cotas e vazões de macrodrenagem que impedem futuros transtornos aos moradores.