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Após morte de bebê mãe denuncia maternidade à Polícia

Conforme relatou a dona de casa na denúncia, desde o último sábado (4), quando procurou o primeiro atendimento na maternidade, ela perdia líquido amniótico (no qual os fetos ficam imersos durante a gestação) 08/08/2012 às 14:14
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A família prestou queixa no 9º Departamento Integrado de Polícia (DIP), por meio de um Boletim de Ocorrência (BO
JOELMA MUNIZ Manaus

A dona de casa Jeane Marques Oliveira, 19, registrou Boletim de Ocorrência (BO) no 9º Departamento Integrado de Polícia (DIP), na Zona Leste de Manaus, responsabilizando a maternidade Ana Braga pela morte de sua primeira filha.

Conforme relatou a dona de casa na denúncia, desde o último sábado (4), quando procurou o primeiro atendimento na maternidade, ela perdia líquido amniótico (no qual os fetos ficam imersos durante a gestação).

Na ocasião, ela disse ter sido orientada a retornar para casa, após ser medicada com “buscopam”. Jeane afirmou que procurou novamente a maternidade às 15h55 desta terça-feira (7) e só foi internada, conforme conta, às 16h26, sendo encaminha para o setor de enfermaria.

Maria França Marques de Oliveira, 33, mãe de Jeane Marques, afirmou que o bebê aparentava estar em “estado de agonia”. “Entramos na maternidade e minha filha já não aguentava mais sentir tanta dor. A criança se mexia como se quisesse pular da barriga”, disse, chorando.

“Pedi ao médico que - não recordo o nome - que ajudasse as duas, mas o que ouvi dele é que não sou médica e não deveria estar ali”, comentou.

O parto de Jeane foi realizado as 00h45 minutos desta quarta-feira (8), mas a criança nasceu morta. Segundo a avó paterna do bebê, que se chamaria Kethelen Radaça, enfermeiros apenas informaram que a menina tinha nascido morta, e que o motivo teria sido asfixia por conta do cordão umbilical estar enrolado em seu pescoço.

Até então, segundo a família, exames pré-natais mostravam que a gravidez era saudável. Maria Odinéia Santana de Araújo, 35, avó paterna do bebê morto, disse que as cinco ultrassonografias realizadas antes do parto registravam que o feto estava bem de saúde.


Indignação

Keveny de Araújo Alves, 19, pai da criança, se disse indignado com a morte da filha. Para ele, “a falta de sensibilidade” médica causou a perda.

“Não entendo por que não realizar de pronto a cesária na minha esposa. Era visível que ela não conseguiria passar pelo parto de maneira normal. O que eles querem? Economizar? Pagamos nossos impostos, temos o direito de usar esses recursos quando precisamos”, sustentou.

O pai de Keveny, o empresário Nivaldo de Souza Marques, 35, disse que chegou a ver o prontuário da nora, e que, no documento, consta que tanto a mãe quanto a menina estariam em perfeito estado de saúde.

“Vi o prontuário e pude constatar que ambas estavam bem de saúde. Minha neta nasceu pesando três quilos e cem gramas. O batimento cardíaco também estava normal”, frisou.

Sindicância

A direção da Maternidade Ana Braga informa que a paciente Jeane Marques Oliveira, 19 anos, deu entrada na unidade às 15h55, com gestação de 36 semanas e em início de trabalho de parto. A paciente foi imediatamente atendida no setor de admissão, onde são realizados os procedimentos de verificação da pressão arterial, dilatação do colo do útero, entre outros.

Em seguida a paciente foi encaminhada ao setor de pré-parto, onde ficou internada e recebendo os cuidados médicos necessários a evolução do quadro. Às 00h45 minutos o médico plantonista fez uma nova avaliação do quadro geral da paciente e constatou a ausência de batimentos cardíacos do bebê. A paciente foi então encaminhada para o centro cirúrgico, onde foi realizada uma cesariana para retirada do feto.

Os responsáveis pela Maternidade informam ainda que constam nos registros da unidade uma entrada anterior da paciente no dia 6 de agosto, quando a mesma foi avaliada pelos profissionais e constatou-se que a paciente não estava com o período gestacional completo e não se encontrava em trabalho de parto, razão pela qual foi medicada e orientada a voltar para casa.

Eles ainda informaram que exames realizados na paciente identificaram presença de quadro infeccioso grave. Por conta desse quadro a paciente continua internada na unidade, irá realizar exames específicos e não tem previsão de alta.

A direção da unidade irá instaurar uma sindicância para apurar os fatos e a partir do resultado da investigação tomar as medidas administrativas cabíveis.