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Manaus
Cotidiano, Portadora de deficiência física, Superação, Paratleta

Após perder perna em acidente, jovem pretende se tornar paratleta, no AM

Após um ano de tratamento, Janderson Maciel Viegas pôde dar os primeiros passos com uma prótese e se dedica a ajudar outras pessoas que vivem drama semelhante  11/08/2012 às 20:22
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Janderson Viegas e Jéssica Melo completaram um ano de relacionamento
Monica Prestes Manaus

No dia 10 de julho de 2011 a vida de Janderson Maciel Viegas, 21, mudou. A carona para casa com um motorista embriagado terminou com um grave acidente, que deixou o rapaz em coma por cinco dias e resultou na amputação da perna direita, após sete cirurgias que o deixaram entre a vida e a morte.

Para qualquer jovem de 20 anos no primeiro ano da faculdade, ter uma perna amputada e um prognóstico de que poderia nunca mais voltar a andar, seria uma tragédia. Mas Janderson fez dessa fatídica data um recomeço. E esta semana, após completar um ano de vida (nova), ele deu seus primeiros passos, depois de 12 longos meses de tratamento diário.

As mãos, trêmulas pelo esforço para equilibrar o peso do corpo sobre as barras, contrastavam com o sorriso, que ele não conseguia esconder. “Nem eu mesmo acreditava que teria forças para superar todas essas barreiras”, revela.

A recuperação de Janderson chama a atenção, também, da família e da fisioterapeuta do rapaz, Luciana Carvalho, porque o caso era grave. “A infecção obrigou a amputar a perna direita, e a esquerda teve seis fraturas e rompimento dos ligamentos do joelho. Foram 11 cirurgias e um ano de tratamento para que ele pudesse dar os primeiros passos”, contou Luciana.

Predestinado
Mas nem mesmo os 30 dias internado no hospital - 20 deles na UTI - e as mudanças que se seguiram, de largar o emprego e a faculdade a mudar do apartamento em que morava, no terceiro andar, tiraram dele a vontade de fazer a diferença.

“Eu tive medo que minha vida mudasse para pior. Mas o acidente, as cirurgias, tudo tinha que acontecer. As mudanças aconteceram, mas para melhor. O que a maioria vê como uma tragédia, me abriu portas e deu a oportunidade de realizar sonhos”, conta.

São esses sonhos que o levam, cinco dias por semana, à clínica de fisioterapia Clifran, na rua Monsenhor Coutinho, no Centro de Manaus, onde passa a tarde inteira repetindo, incansavelmente, os mesmos movimentos, dia após dia. Um deles é ajudar outras pessoas a superar traumas como o que ele viveu. “Tenho um sonho de ser palestrante, falar para os outros que passam por isso que os limites não existem. Fui escolhido para fazer a diferença”.

Hoje palestrante com ‘agenda lotada’, Janderson coleciona seguidores que acompanham sua rotina de tratamento pelas redes sociais, e se tornam amigos. “Eu sabia que sofreria preconceito, mas tenho algo importante a dizer, principalmente, aos jovens. Já cheguei até aqui, agora quero ir mais longe. Superar limites significa jamais pensar que é o fim”.

Conto de fadas real
Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mantido em coma induzido, Janderson pensou ter tido a visão de uma mulher, vestida de branco, olhando para ele ali, preso em uma cama de hospital.

Dias depois, já com a consciência recuperada, teve uma surpresa: não era uma visão, mas sim a mulher que viria a ser sua namorada, Jéssica Melo. Ali nascia uma relação especial, que já dura mais de um ano.

“Quando o acidente aconteceu, eu já conhecia a Jéssica, mas ainda não namorávamos. Até queria ter ido naquele domingo à casa dela, pedir a mão dela em namoro, mas não tive tempo. Saber que ela ‘invadiu’ a UTI só para me ver me deixou surpreso e muito feliz”, lembra.

Jéssica foi ousada. Vestida de branco, arrumou um jaleco e conseguiu burlar a fiscalização do hospital e entrar na UTI, área restrita para os familiares.

“Minha mãe disse que ela foi algumas vezes me ver, enquanto eu estava em coma. Quando saí do hospital, conversei com ela e disse que eu teria dias, e talvez até anos difíceis pela frente, mas ela disse que queria passar por tudo isso comigo. E estamos juntos desde então”, contou Janderson.

Apesar das circunstâncias em que o namoro começou, o relacionamento é promissor. “Para mim, é mulher para a vida toda”.

Sonho paraolímpico
Janderson Viegas não deve parar nos primeiros passos. Os sonhos dele vão muito além: Até as Paraolimpíadas de 2016. Apaixonado por natação desde a infância, o rapaz busca no esporte mais um incentivo para seguir os planos que o acaso tinha para ele. A meta, segundo ele, é ser um campeão paraolímpico.

“Sempre gostei de natação, e acho que tenho boas chances de me profissionalizar e representar o Brasil nos Jogos Olímpicos. Quero trazer uma medalha em 2016”, revelou.

Para isso, ele já começa a se preparar no próximo mês, treinando com outros portadores de necessidades especiais na Vila Olímpica, no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste de Manaus. Ele sabe que o desafio é grande, mas diz que nada vai o tirar desse caminho. “De todas as formas que você pensa que vai ser a sua vida no futuro, ela jamais será como você imagina. Nós precisamos nos adaptar e seguir lutando”, disse.

Para atingir todos esses sonhos, Janderson conta com o apoio de uma equipe que inclui a mãe, a namorada, a fisioterapeuta Luciana Carvalho e o primo Felipe Maciel, 25, fiel escudeiro.

Investimentos
O tratamento a que Janderson precisa se submeter é complexo, cansativo e caro. Até agora, com internações, cirurgias e a compra da prótese de fibra de carbono, a família já gastou R$ 25 mil. E deve investir ainda mais na carreira de atleta do rapaz, que tem poucos patrocinadores. Quem quiser patrocinar a carreira de Janderson ou contratar suas palestras pode contatá-lo pelo telefone 9212-4119.