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Após quase 3 horas de negociação, ex-detento libera refém em centro comercial e se entrega à polícia

A vítima, uma funcionária de uma loja no centro comercial de 22 anos de idade, foi logo atendida por uma unidade do Samu. O criminoso, que durante todo o incidente demonstrou muita agressividade, foi preso pela polícia 18/07/2015 às 19:19
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Após descumprir diversos acordo com os negociadores, ex-detento libera jovem e se entrega
luana carvalho, kamyla gomes e victor affonso Manaus (AM)

CONFIRA IMAGENS / VÍDEO 1 / VÍDEO 2

Após ficar refém, sob a ameaça de uma faca, durante quase 3 horas, a recém-graduada em Turismo Janaína Salgado, de 22 anos, foi liberada pelo detento do regime semiaberto, Adegelson dos Santos Menzes, 26, às 17h15 deste sábado. Tudo começou como uma tentativa de assalto em uma loja dentro do centro comercial Paxiúbas, localizado no conjunto Kyssia, bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste de Manaus. Após muita negociação, o criminoso enfim se rendeu e foi preso.

"Foi uma negociação cansativa e difícil, principalmente porque ele estava muito drogado. Mas tentamos ganhar a confiança dele. Ele descumpriu acordos várias vezes mas o princípio da negociação é ter paciência. Trouxemos o carro (que o criminoso solicitou) justamente pra ganhar tempo" declarou o comandante da Rocam, major Lima Júnior, responsavel pela negociação.

Ele disse que é habilitado e foi treinado para isso, mas que esta foi a primeira experiência neste nível. Ainda segundo Lima Júnior, a intenção de Adegelson era estuprar a vítima, que estava neste emprego há apenas 2 meses. "O irmão dele contou que ele saiu da cadeia há menos de dois meses, ainda não levantamos o motivo", acrescentou o major.


Adegelson não quis conversar com a família dele durante a negociação. Antes de se entregar, ele jogou o rádio que estava se comunicando com a polícia várias vezes no chão.  O comandante Lima Júnior informou que a estratégia era cansar o assaltante, inclusive para o efeito da droga amenizar. 

O acordo foi que ele sairia e deixaria Janaína no interior da loja. Mas ele não cumpriu e saiu com a refém, com a faca no pescoço dela. O comandante gritou com ele, dizendo que ele "não estava sendo homem para cumprir com a palavra". Ele então soltou a turismóloga, que correu e foi imediatamente socorrida pela equipe do SAMU enquando policiais efetuavam a prisão do homem. 


Já solta, refém foi atendida pelo SAMU (Foto: Luana Carvalho)

Entenda o caso

De acordo com a Polícia Militar, tudo teve início com uma tentativa de assalto no local. O major Peter Santos, do Grupamento Aéreo, informou que o suspeito saiu da cadeia há 40 dias. “Adegelson vinha passando pelo local quando tentou invadir a loja, por uma coincidência a viatura visualizou e ele pegou a funcionária como refém”, disse Lima Júnior. 

O assaltante pediu um colete balístico e a presença da imprensa no local ainda no começo do crime e, no decorrer das negociações, exigiu um veículo modelo Chevrolet Prisma com o tanque de combustível cheio. Segundo informações de policiais da Força Tática, agentes do Comando de Operações Especiais (COE) e até "snipers" (atiradores de elite) se posicionaram na mata, no teto e atrás do centro comercial. Porém, o sniper só pode atirar com autorização do governador José Melo.


Aos prantos, a mãe chegou ao local levando um carro, na tentativa de atender ao pedido do suspeito. "Ele só quer um carro. Por favor, deixa eu levar o carro”, desabafou a mãe, impedida por policiais (assista ao vídeo). Segundo uma vizinha da refém, Danielle Campos, Janaína se formou há dois meses e logo conseguiu este emprego na agência de turismo Aboard. Ela também faz, atualmente, curso para ser aeromoça.

O suspeito aparentava estar sob efeito de bebida alcoólica e entorpecentes, segundo o major Peter. Antes de liberar a refém, e ainda bastante instável, Adegelson chegou a sair com a refém em seu poder mas logo voltou para dentro da loja.

A população, que assistia a tudo do início do bloqueio na via, se mostrou revoltada por diversas vezes e cobrava uma ação da polícia e dos "snipers" que estão no local. O mesmo pedido é ecoado por centenas de pessoas nas redes sociais do Portal ACRITICA.COM.