Publicidade
Manaus
Manaus

Após reintegração de posse, área da Suframa volta a ser invadida

Na área conhecida como 'Comunidade José Melo', no Distrito Industrial, o retorno dos ocupantes ocorre de forma acelerada 23/04/2015 às 18:59
Show 1
Cinco dias depois de a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e a Polícia Federal cumprirem reintegração de posse na área, já é possível verificar dezenas de barracos sendo reerguidos e lotes demarcados
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Conforme haviam prometido, os invasores da “Comunidade José Melo”, na Zona Leste, que foram retirados no último dia 16 por decisão judicial, estão retornando ao local. Dezenas de casebres estão sendo reerguidos na área, de aproximadamente 160 mil metros quadrados, que pertence a uma empresa privada e à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). A área que foi invadida seria utilizada para a expansão industrial.

A parte mais ocupada até o momento é a que começa na Avenida Flamboyant, denominada “José Melo 2”, no Distrito Industrial 2. O retorno e a chegada de novos ocupantes está ocorrendo de forma acelerada. Como o terreno já está praticamente todo devastado, a ação dos invasores, sem nenhuma resistência, fica mais fácil.

O número de barracos é menor na parte que fica próximo ao bairro João Paulo, onde a maioria dos invasores já estava há cerca de um ano. Entretanto, quase toda a área está novamente loteada e demarcada com madeira de árvores que foram derrubadas pelos próprios invasores.

O elemento novo, no retorno dos ocupantes, é a presença de focos de incêndio em vários pontos da área ocupada

Na frente de muitos lotes existe placa afixada contendo o nome e, em algumas, até o número do telefone do “dono”, numa clara demonstração de que o invasor pretende, unicamente, negociar a terra com terceiros. Noutras placas a ousadia chega ao extremo e pode-se ler “Propriedade particular”.

Outro problema é o grande número de focos de incêndio verificado na ocupação. Os ocupantes estão ateando fogo na madeira ressequida das árvores derrubadas há um mês e meio.


Mesmo em carro descaracterizado, a equipe de A CRÍTICA, ao transitar pelo local, foi recebida com desconfiança e até com certa hostilidade. Um motoqueiro chegou a circular ao redor do carro e fez questão de demonstrar que seu gesto era uma ameaça.

Reintegração

No dia 16 de abril, equipes Comando de Policiamento Especial (CPE), da Ronda Cândido Mariano (Rocam), Tropa de Choque, Batalhão Ambiental, Força Tática e Polícia Federal cumpriram reintegração de posse na comunidade “José Melo”, desalojando cerca de 5,5 mil famílias.

A operação começou pacífica, mas, por volta das 7h30, algumas famílias se rebelaram. Durante a derrubada dos barracos, os ocupantes resistiram, atirando pedras e paus em direção à polícia, que reagiu, usando balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

Durante a reintegração de posse, o delegado do Gabinete de Gestão Integrada da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), Frederico Mendes, informou que a polícia estava trabalhando na identificação dos líderes das invasões. O delegado prometeu reunir informações e encaminhar ao Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (CAO-Crimo) e ao Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO). Até o fechamento desta edição, a assessoria da SSP-AM não informou sobre o andamento do caso.

Saiba mais: Suframa

A assessoria de imprensa da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) disse que a direção do órgão já tem conhecimento do retorno dos invasores. Inclusive, ontem à tarde, uma equipe teria sido escalada para ir até o local a fim de averiguar a situação e hoje deve apresentar um relatório. No órgão, a ideia é de que o processo de reintegração de posse, iniciado no dia 16 de abril, não teria sido concluído.

Crime

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, os suspeitos de liderarem invasões podem vir a ser presos por estarem cometendo crimes ambientais, estelionato, extorsão, esbulho, entre outros delitos.