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Após reintegração, ex-moradores de invasão denunciam ameaças e dizem não ter para onde ir

Pessoas que moravam na comunidade batizada de "Bom Pastor" seguem acampadas às margens da via, próximo ao local que foi degradado pelos invasores. Eles denunciam conflitos com polícia, seguranças particulares e ex-moradores - resultando em agressões, prisões e atendimentos médicos 15/10/2015 às 14:53
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Ex-moradores da comunidade afirmam não ter para onde ir e permanecem na região, com todos os pertences ao lado
Silane Souza Manaus (AM)

Um dia após a reintegração de posse de um terreno próximo à avenida Torquato Tapajós, na Zona Norte de Manaus, mais de 50 pessoas, que relataram não ter para onde ir, continuam acampados no meio fio de uma rua que fica atrás do local, outrora invadido. Na manhã desta quinta-feira (15), houve novamente diversos conflitos envolvendo a polícia, seguranças do proprietário do terreno e os ex-moradores do lugar.
 
De acordo com os antigos moradores da área, em uma das confusões, quando a polícia chegou a usar spray de pimenta, uma criança foi parar no hospital, alguns ex-invasores foram agredidos e um deles que foi levado pela polícia. “Eles (policiais e seguranças do terreno) chegaram batendo. Disseram que a gente quer invadir o terreno de novo, mas não é verdade. Eu fui agredido com ripão”, disse o autônomo Leandro Felipe do Amaral Silva, de 22 anos, mostrando as lesões nas costas e braços.


 
A desempregada Daniele Silva dos Santos, de 28, relatou aos prantos que os policiais levaram seu marido, Gelielson Souza, 28, durante a confusão. Ela não sabe para onde ele foi conduzido. “Já fui no 18º DIP (Distrito Integrado de Polícia), no bairro Novo Israel, mas não consegui nenhuma informação. Os policiais disseram que ele não foi levado para lá ainda. Não consegui nem fazer o B.O (Boletim de Ocorrência). Estou desesperada”, afirmou.
 
De acordo com a ex-moradora da invasão, Cléia Ferreira, os seguranças do terreno estão dispostos a impedir que os invasores tomem conta do local novamente a qualquer preço. “Desde a madrugada eles estão atirando em nosso rumo em represália. E ainda dizem que tem autorização para 'mandar bala'. Policiais da Rocam e da Força Tática ainda estão apoiando eles. As pessoas só estão aqui porque não tem para onde ir”, apontou.


 
A equipe de reportagem de A CRÍTICA tentou falar com os policiais das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (ROCAM) que estavam presentes no local nesta quinta-feira, mas não obteve sucesso. A assessoria de imprensa da Polícia Militar do Amazonas disse que enviaria nota sobre o caso, a qual não chegou até a publicação desta matéria.