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Após sofrer discriminação, pai hanseniano conhece a filha 19 anos depois em Manaus

Carpinteiro, apartado da família por ser hanseniano, conhece a filha e ambos já fazem planos para recuperar o tempo perdido 21/06/2012 às 07:21
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Quétila e Francisco passaram nesta quarta-feira (20) o primeiro dia juntos como pai e filha
milton de oliveira Manaus

Um reencontro emocionante aconteceu a última terça-feira (19) à noite, no saguão do aeroporto internacional Eduardo Gomes. Afastado pelo preconceito há 19 anos, o carpinteiro Francisco das Chagas da Silva, 66, pode finalmente conhecer  a filha, Quétila Maiara Pereira, 19.

Portador de hanseniase, Chagas teve que abandonar a esposa grávida, em Cruzeiro do Sul, no Estado do Acre, porque foi “discriminado pela família e a sociedade” local. Fugido, ele  mudou-se para o bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste, e desde então esperava pelo encontro de terça-feira, que foi viabilizado no início do mês por uma prima de Francisco.

Ela  esteve em Manaus para visitar um parente e contou que a filha gostaria de vir a Manaus para conhecer o pai. “Nas datas importantes como o dia do meu aniversário, dia dos pais, natal, eu desejava estar com meu pai, mas não podia porque me disseram que ele estava morto”, disse Quétila.

Uma vizinha de Chagas, em Manaus, que também contraiu a doença, soube da história da separação e decidiu ajudá-lo. “Ele é meu inquilino há sete anos. Não sabia que ele tinha uma família no Acre. Quando ele me contou, começamos a juntar dinheiro para trazer a menina para Manaus”, falou Maria Rodrigues, 70, que, também, foi separada da filha devido à hanseníase e conseguiu conhecê-la no ano passado.

O carpinteiro teve a perna esquerda amputada e se aposentou por invalidez. Com o salário que ganha, disse que espera ficar próximo da filha e ajudá-la. “Agora ela está se adaptando ao nosso ambiente. Eu acho que ela vai comer tambaqui e vai ficar por aqui mesmo”, brincou Chagas.

Quétila, que concluiu o ensino médio há dois anos, contou que não pretende voltar e gostaria que a mãe viesse a morar com eles. “No Acre eu tenho mais dificuldade em encontrar trabalho e, além disso, não quero ficar mais longe do meu pai”, falou.