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Após suspeita de fraude em concurso, candidatos de outros estados criticam a Polícia Civil e a Justiça do Amazonas

Candidatos de outros estados aprovados no Concurso da Polícia Civil ainda tentam recuperar tudo que perderam ao largar seus empregos para participar das provas 14/05/2012 às 11:55
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Desembargador João Simões cassou a liminar que beneficiava os candidatos
Monica Prestes ---

Cerca de três anos depois, candidatos de outros estados brasileiros que participaram e foram aprovados na primeira fase do Concurso da Polícia Civil do Amazonas, realizado em 2009, ainda tentam recuperar tudo que perderam ao decidir largar seus empregos e, até mesmo, se afastar da família, para participar das provas.

É o caso da ex-escrivã Bruna Parente Amaral, uma das várias pessoas que deixaram seus estados com o sonho de ser delegada de Polícia no Amazonas. Bruna, que pediu licença do seu cargo de escrivã no Tocantins após promessa da Secretaria de Segurança Pública de que abriria uma nova turma no Curso de Formação de policiais – nunca cumprida -, até hoje não conseguiu recuperar o cargo. Atualmente, Bruna mora em Brasília.

“Não consegui voltar para o meu serviço até hoje, mas resolvi dar a volta por cima e comecei novamente a estudar para concurso, pois, apesar do Estado do Amazonas brincar com a vida e com os sonhos alheios, ainda acredito que tem outros lugares que levam a sério a democracia e o direito dos cidadãos de bem. Mas uma lição tirei de tudo isso: nunca mais farei concurso no Amazonas”, relata Bruna, em um documento que ela intitulou de “Desabafo de um Concurseiro”.

Bruna, assim como tantos outros candidatos, conta que ao decidir prestar concurso para a Polícia Civil do Amazonas, deixou de lado sua vida pessoal, lazer, a convivência familiar e o próprio trabalho. Com o dinheiro “curto”, ela relatou que trabalhava o dia inteiro e fazia cursinho à noite. “Não digo que passei fome, mas já deixei várias vezes de comer para poder pagar o cursinho e as viagens que fazia para realizar a prova do concurso”, contou.

Preterida

No concurso da Polícia Civil do Amazonas, Bruna atingiu 75 pontos, mas foi excluída do Curso de Formação pelos critérios de desempate. Indignada, ela viu, meses depois, um grupo de pessoas ser nomeado ao cargo de delegado mesmo com notas inferiores à dela na prova objetiva e sem ter participado de outras etapas obrigatórias.

Entre essas pessoas estavam os integrantes do “Quinteto Fantástico” Indra Celani Leal, Laura Câmara (prima do deputado federal Silas Câmara), Herbert Lopes (irmão do desembargador Flávio Pascarelli), Caio César Nunes (filho do delegado-geral da Polícia Civil) e Thomaz Vasconcellos, secretário executivo de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

A candidata tentou, na Justiça, o mesmo direito conquistado por candidatos que tiveram desempenho pior que o dela, sem sucesso. “Só consegui mais injustiça. Primeiro, porque o recurso que entrei quando ainda estava no início da 1ª academia foi julgado com perda de objeto, simplesmente porque demoraram tanto para julgar quem quando aconteceu a audiência, o Curso de Formação já tinha terminado.”

Custos

No fim do ano passado, Bruna e outros candidatos conseguiram na Justiça liminar que dava a eles o direito de participar de um novo Curso de Formação, que nunca aconteceu. Em abril deste ano, essa liminar foi cassada pelo desembargador João Simoes a pedido do Estado, que alegou prejuízos de R$ 14 milhões aos cofres públicos para cumprir a decisão judicial.

Argumento que é contestato pelo candidato Antônio Carlos Scheffer Cezar, que literalmente atravessou o País para participar do concurso, no Amazonas. Antônio, que mora no Rio Grande do Sul, acredita que houve má fé por parte da Procuradoria Geral do Estado (PGE), ao defender a cassação da liminar, que ainda foi simplesmente ignorada pelo delegado-geral, Mário César Nunes, durante quase cinco meses.

Além dos números “exagerados”, Antônio questiona o aumento no orçamento do Estado para a segurança pública, no ano de 2012, que segundo ele foi de 33%. “O orçamento do Estado para a segurança pública, no ano de 2012, aumentou consideravelmente, passando a contar com um acréscimo de R$ 215 milhões aos R$ 644 milhões de 2011. Será que destinar essa parcela dos R$ 215 milhões para dobrar o contingente de delegados no interior farão diferença?”, questiona.

Justificativa

Em entrevista ao portal acritica.com, o procurador-geral do Estado, Clóvis Smith, esclareceu que a PGE pediu a cassação da liminar que beneficiava esse grupo de candidatos porque o Estado não tinha recursos para realizar um novo curso de formação.

“Ao contrário da decisão que beneficiou os outros candidatos (quinteto fantástico), pois naquele caso bastava incluir os candidatos no Curso de Formação que estava em andamento. Não teríamos custas com a abertura de um novo curso”, explicou.