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Área verde é ‘inundada’ com lixo doméstico e industrial no ramal da Colônia em Manaus

A prática irregular de moradores e empresas levou a Semulsp e a Câmara Municipal a montarem uma força-tarefa para combaterem o crime ambiental 27/04/2015 às 11:04
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De restos de comida a móveis e eletrodomésticos velhos, tudo é descartado sem a menor preocupação com o meio ambiente e, além do prejuízo visual e ambiental, a lixeira viciada se transforma em foco de doenças
Auriane carvalho Manaus (AM)

Sacolas tipo “big bags” contendo lixo, pneus, dejetos industriais e resíduos de construção são apenas alguns dos objetos encontrados em terrenos localizados ao longo do ramal da Colônia, uma estrada de barro cujo acesso pode ser feito pela rua Gisele, no bairro Distrito Industrial 2 (atrás da empresa Samsung) e também pela avenida Cosme Ferreira, ao lado da empresa Beira Alta, no sentido Centro/Bairro, ambos localizados na Zona Leste.

A CRÍTICA foi ao local e constatou o crime ambiental. Empresas terceirizadas, segundo a denúncia, estariam depositando os objetos no período noturno para despistar a ação das autoridades, tornando-a áreas verdes em vários pontos de “lixões” a céu aberto ou miniaterros ilegais.

Em algumas localidades, é possível observar que os criminosos atearam fogo para diminuir as montanhas de lixo formadas pelo acúmulo dos produtos. Carcaças de geladeiras, televisores e até de computadores podem ser encontrados em vários pontos do ramal.

Força-tarefa

Uma força tarefa entre a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) e as comissões de Vigilância Permanente da Amazônia e Meio Ambiente (Comvipama) e Saúde (Comsau) da Câmara Municipal de Manaus (CMM) foi montada para combater a prática de lixeiras clandestinas na capital.

O autônomo Roberto da Silva, 45, que foi flagrado catando objetos, afirmou que só vai ao ramal pegar objetos que ainda podem ser reutilizados. Ele disse que, geralmente, os criminosos só aparecem na área à noite para jogar o lixo e depois fogem. “São uns três ou quatros que descem do caminhão e, em poucos minutos, se livram do lixo. Venho aqui todos os dias com o meu irmão para ver se ainda há algo que possamos reciclar. Já levei plásticos, pedaços de ferro, alumínio e cobre”, relatou.

O motorista Sandro dos Santos, 38, disse que utiliza diariamente a via para fugir do trânsito e porque dá acesso mais rápido ao Distrito Industrial 2. Segundo ele, a impressão que se tem é que a cada dia mais lixo é jogado nos terrenos. “Eu nunca vi ninguém jogando, só pessoas catando mesmo”, comentou.

A assessoria da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que a área citada na reportagem está fora do perímetro do Distrito Industrial 1 e 2.

Semuslp trava briga para combater

A Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) informou, por meio de nota, que tem recebido diversas denúncias sobre lixeiras clandestinas. Os casos, segundo a nota, são repassadas aos fiscais, técnicos e ao próprio secretário, que verifica pessoalmente cada denúncia.

Sobre a localização da lixeira denunciada, a secretaria informou que a área não é de trânsito normal de atuação da secretaria, mas também será vasculhada com rigor.

Para combater a proliferação de lixeiras clandestinas, a Semulsp e a Câmara Municipal de Manaus (CMM) montaram uma força-tarefa para identificar os casos e punir os culpados. A responsabilidade pela prática, conforme a nota, é de quem joga resíduos em locais impróprios. Se o local for loteado e houver um proprietário, este também será autuado por estar abrigando lixo e causando impactos negativos.

Segundo a Semulsp, há três casos extremamente graves de aterros sanitários ilegais. Grandes geradores de lixo contratam empresas (licenciadas) para dar destinação aos resíduos, mas a empresa contratada repassa esse lixo a outra que joga em locais afastados para se livrar do problema e, mesmo assim, recebem pelo serviço.