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Manaus
PERDA

Artista 'Bob Medina' é encontrado morto dentro de casa, na Raiz, em Manaus

O corpo da vítima, de 62 anos, bastante envolvido com artes plásticas, música, teatro e movimentos sociais, estava em avançado estado de decomposição 21/03/2018 às 13:04 - Atualizado em 21/03/2018 às 14:36
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Bob não era visto pelos vizinhos há cerca de dois dias (Foto: ArquivoPessoal/Facebook)
acritica.com* Manaus (AM)

O artista Ronaldo Pinheiro Medina, de 62 anos, mais conhecido como “Bob Medina”, foi encontrado morto na manhã desta quarta-feira (21), em Manaus, em avançado estado de decomposição dentro da residência dele, na rua Ilha dos Pombos, bairro Raiz, Zona Sul da capital. Segundo a Polícia Civil, a vítima estava despida e com diversas perfurações no tórax.

Bastante envolvido com artes plásticas, música, teatro e movimentos sociais, “Bob” morava só. Conforme o tenente Tansis, da 3ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), os policiais militares foram acionados pela vizinhança, que sentiu um forte odor saindo da residência dele. Segundo os moradores, “Bob” não era visto no local há cerca de dois dias.

Até o momento, a suspeita é que o crime se trate de um latrocínio, devido aos indícios deixados no local. Entretanto, devido à vítima ser homossexual, a Polícia Civil também levanta a hipótese de crime de ódio. O irmão de “Bob”, Reginaldo Medina, confirmou que o artista era homossexual e que costumava levar parceiros sexuais para casa, mas que sentiu falta de objetos na residência.

Insubstituível

Amiga próxima de Medina há mais de 30 anos, a escritora Sayonara Melo afirmou que a morte do artista não pode ficar impune. “Fiquei sabendo ontem da morte do Medina por um amigo em comum. Até agora estou impactada, porque o Bob não merecia isso. Esse assassinato precisa ser investigado, isso não pode ficar impune. Ele é uma pessoa insubstituível”, disse.

“O Bob era uma pessoa do bem, pode perguntar para qualquer artista de Manaus. As pessoas o aceitavam como ele era. Foi um cara que teve uma vida, acima de ser morto por homossexual ou porque levou algum desconhecido para casa, como estão dizendo. Quem o matou é uma pessoa do mal. A polícia precisa se empenhar e buscar o culpado”, comentou a escritora.

Sabedoria interior

A também escritora e jornalista Regina Melo, amiga de Medina, destacou a comoção sobre o caso. “O Bob era uma pessoa que tinha uma sabedoria interior muito grande. Estou comovida com a morte dele, porque a onda de violência só tem aumentado. Jamais podemos achar isso natural. Ele sempre foi uma pessoa do bem”, disse a amiga do artista, bastante emocionada, por telefone.

Regina descarta que o crime tenha sido cometido por ódio. “O Bob não tinha inimigos. Não sei quem poderia o poderia odiar. Ele era uma pessoa reservada, não compartilhava seus sentimentos nem com os seus amigos mais próximos. Cabe a polícia investigar, porque a morte dele tem gerado muita repercussão em Manaus”, concluiu.

Trabalhos sociais

Segundo o também artista e professor universitário Otoni Mesquita, 64, “Bob” também fazia trabalhos sociais. “Ele era uma pessoa da paz. Isso é uma coisa básica e fundamental que ninguém discute. Um amigo nosso de muitas décadas, ativista de movimentos sociais e a favor do meio ambiente, dos direitos humanos”, disse. “Ele fazia trabalhos sociais com comunidades de Paricatuba, do Tupé, envolvendo musica, projeção cinema. Levava amigos da música e do teatro para lá para sensibilizar a juventude. Era um trabalho que passa desapercebido pela maioria”.

Otoni também se indignou com o crime. “É um crime atroz, imperdoável e inconcebível. Temos que ter justiça e isso demonstra a falta de segurança no nosso país. Não sei se foi um furto de bicicleta, mas não posso afirmar outra coisa. Latrocínio em geral a pessoa mata e vai embora. Mas violentaram e desconfiguraram ele”, lamentou.

Sem velório

O corpo de “Bob Medina” foi removido pelo Instituto Médico Legal (IML). Por conta do estado avançado de decomposição em que foi encontrado, o artista não vai ser velado. O enterro deve acontecer na tarde desta quarta-feira (21) no Cemitério Parque Recanto da Paz, no Km 13 da estrada Manoel Urbano, do município de Iranduba.

Amanda Guimarães, Conceição Melquiades e Vinícius Leal

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