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Artur Neto é citado no valerioduto

Ex-senador teria recebido doação de campanha, em 1998, do esquema montado por Marcos Valério, segundo Carta Capital 31/07/2012 às 07:24
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Artur Neto é candidato a prefeito de Manaus e, segundo pesquisas, lidera a disputa
Antônio Paulo Brasília

A revista “Carta Capital” traz em sua última edição, nas bancas desde a última sexta-feira (27), dados reveladores sobre o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) ao Governo de Minas Gerais em 1998.

Conhecido como “valerioduto tucano”, o esquema de arrecadação de caixa 2 teria sido o modelo para o mensalão do PT ocorrido em 2005 e por  conta dele 38 réus começam a ser julgados a partir da próxima quinta-feira,  pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

A novidade do caso do valerioduto tucano é uma extensa lista de possíveis beneficiados do caixa 2 da campanha de Azeredo que informou  ter gasto <br/>R$ 8 milhões, mas os documentos registrados em cartório mostram repasse de R$ 104,3 milhões.

Entre os nomes estão o do ministro do STF, Gilmar Mendes, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de Arthur Virgílio Filho. O nome do político amazonense, que teria recebido R$ 90,5 mil de doares da campanha por meio de Eduardo Azeredo e Pimenta da Veiga, não correspondente à fotografia estampada em Carta Capital. A imagem é do ex-senador Arthur Virgílio Neto, na época deputado federal e em campanha para reeleição, pelo Amazonas. Somente viria a ser senador em 2002. No relatório de movimentação financeira, quem aparece é o pai de Arthur Neto, senador cassado em 1969 pela ditadura militar. Na época da campanha de Azeredo, o ex-senador Arthur Virgílio Filho já havia falecido.

A nova documentação, segundo Carta Capital, foi entregue recentemente à Polícia Federal por Dino Miraglia Filho, advogado criminalista de Belo Horizonte, que atuou na defesa da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada por envenenamento seguido de estrangulamento em um flat da capital mineira, em agosto de 2000. Supõe-se que a morte da modelo tenha sido queima de arquivo, pois, era ela que entregava as malas de dinheiro aos políticos, magistrados e funcionários públicos.

‘Jogo baixo’

O ex-senador Arthur Neto, que é candidato a prefeito de Manaus nas eleições deste ano, classificou a reportagem e a menção ao nome dele (ou do pai) na lista dos supostos recebedores do valerioduto tucano como “sem importância”. “Quem acompanhou a CPI do Mensalão/Correios viu o que eu disse e fiz contra ele (Marcos Valério). Isso é mais um jogo baixo como ocorreu nas eleições passadas, quando me roubaram o mandato de senador. Agora, que sabem que sou candidato a prefeito de Manaus, lançam essas maledicências contra mim e ainda mais envolvem nome de pessoas corretas como o ministro Gilmar Mendes e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”, declarou Arthur Neto.