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Artur Neto e FHC querem 'oxigenar' o PSDB no Amazonas

Ex-senador começa negociações de bastidores para aumentar musculatura política dos tucanos nos municípios do AM 24/03/2012 às 10:08
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Artur Neto (à esquerda) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante visita ao Parque do Mindu, em Manaus
KLEITON RENZO Manaus

Principal peça do PSDB no Amazonas, o ex-senador Artur Neto (PSDB) não assume a pré-candidatura a prefeito, mas seu retorno a Manaus, nessa sexta-feira (23), onde volta a morar, dá a largada nas articulações para oxigenar o partido que, hoje, conta apenas com dois assentos na Câmara de Vereadores do Município, e administra somente duas de um total de 62 prefeituras no interior do Estado.

Nessa sexta, durante visita ao Parque do Mindu, em companhia do ex-presidente Fernado Henrique Cardoso (PSDB), Artur Neto voltou a dizer que não pensa em candidatar-se à prefeitura de Manaus. “É a última coisa que eu penso no momento. Eu não tenho intenção”, afirmou. Após perder as eleições para o Senado em 2010, Artur Neto passou a morar em Lisboa, Portugal, cumprindo trabalho diplomático para o Itamaraty. Ele retorna ao Amazonas exatamente no mês em que o senador Eduardo Braga (PMDB) é escolhido líder da presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado.

A exemplo do tucano, e do prefeito Amazonino Mendes (PDT), o senador Eduardo Braga já deu declarações onde nega que tenha interesse em brigar pela prefeitura. Nessa conjuntura, a possível saída do ex-governador da disputa não incomoda o tucano, que também, se diz fora das eleições.

“Eu nunca me preocupei com ele (Eduardo Braga). (A minha decisão) não tem nada a ver com o Braga. nasci longe dele, bem longe. Politicamente, mais longe ainda e não tenho nada a ver com ele e jamais tive”, dispara Artur.

ARTICULAÇÕES

Reclamando do cansaço da viagem, o ex-senador disse que ainda não teve tempo de conversar com os demais partidos “simpáticos” ao PSDB. “Olhe, foi uma viagem longa. Estou à poucas horas no Brasil e ainda vou me reambientar da situação. A partir de amanhã (hoje) já começa uma conversa (com os partidos). Mas será uma coisa descontraída apenas”, disse.

Sobre uma renovação de antigas alianças com o DEM, o PPS e o PSB, o ex-senador disse que não existe “nada definido ainda”. “Nós vamos começar a ver tudo isso agora”, afirmou. O senador confirmou apenas que o PSDB terá candidato majoritário, mas não quis adiantar nenhum nome.

“É ideal que o partido tenha seu próprio candidato. Mas eu não tenho pretensão”, reafirmou. Questionado se pensa numa possível candidatura a vereador, o ex-senador também desconversou. “Nós só vamos tratar disso na hora própria”, disse.

Para o Senado, em 2010, Artur Neto, obteve 644.340 votos. Mas perdeu a disputa para a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB) que teve 672.920 votos. Em Manaus, o tucano recebeu 391.088 votos, o que representa 22,2% do eleitorado.

Serafim Corrêa (PSB) Ex-prefeito de Manaus

“Não tem mais acordo. Ficou decidido lá atrás que tanto o PSB e o PSDB teriam candidatura própria. Já está resolvido. É matéria vencida. Mas veja, não há nenhuma briga com o Artur (Neto), é uma relação da mais fraterna possível. Agora, já é o entendimento tanto do PSDB e PSB. Mas no segundo turno é a hora de abrir uma nova conversa, que para o segundo turno só vão dois, e quem não for conversa com os demais”, disse o ex-prefeito Serafim Corrêa.

 No final de julho do ano passado, na semana em que a Câmara Municipal de Manaus (CMM) prestou homenagem ao ex-senador, Serafim e Artur Neto se encontraram para discutir uma eventual composição para este ano.

Processo pronto para ser julgado

O processo que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pede a cassação da senadora Vanessa Grazziontin (PCdoB) está pronto para ser julgado. A análise é do advogado do ex-senador Arthur Neto (PSDB), em Brasília, José Eduardo Alckmin e foi passada para reportagem pelo advogado dos tucanos no Amazonas, Yuri Barroso. Yuri disse que esteve semana em Brasília e conversou com Alckmin.

O processo está sob a relatoria da ministra Carmen Lúcia, que costuma, superada todas as fases normais do processo, abrir novas alegações finais, o que pode deixar o julgamento mais distante. Ainda há outro detalhe: Carmen Lúcia, agora, em abril, assume a presidência do TSE e o processo contra Grazziontin será redistribuído para outro relator. Após passar 16 anos com mandato, Arthur Neto foi derrotado em 2010 e atribuiu o fato à compra de votos no interior do Amazonas orquestrada pelo ex-governador Eduardo Braga em favor de Grazziotin.

Sigla comanda só duas prefeituras

O PSDB comanda atualmente apenas duas prefeituras no interior do Amazonas. O que representa 3% do total de 62 municípios do Estado. Em 2008, os tucanos elegeram três prefeitos: o de Parintins, Bi Garcia; de Anori, Sansuray Pereira Xavier; e o de Silves, Aristides Queiroz. Em setembro do ano passado, com a revoada de políticos para o PSD, partido criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab com o apoio do governador do Amazonas, Omar Aziz, o PSDB, perdeu a prefeita Sansuray Pereira Xavier.

No pleito de 2008, a legenda conseguiu eleger somente 21 vereadores em todo o Estado. Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), a sigla conquistou apenas uma cadeira, a de Leonel Feitoza. Diante da ameaça de ser expulso do partido, o ex-tucano migrou para o PSD.

Com as movimentações visando a campanha deste ano, o partido ganhou dois representantes no Legislativo da capital: o vereador Mário Frota que deixou o PDT, conquistado pelo prefeito Amazonino Mendes; e o vereador Paulo De Carli. A sigla só tem um assento na Assembleia Legislativa. E nenhum membro na bancada do Estado no Congresso.

Vereador (PSDB) Mário Frota

“Ele (Artur) poderia dar as rédeas da situação” O vereador Mário Frota (PSDB), comentou ontem que o partido alimenta o interesse de uma possível candidatura do ex-senador Artur Neto (PSDB) à Câmara Municipal de Manaus (CMM) nas eleições municipais deste ano. “Não há dúvida, que havendo uma grande possibilidade do Artur sair candidato a vereador, o partido se fortalecerá. Por tudo que nós sabemos, ele (Artur Neto) pode fazer de dez a 12 vereadores (pelo voto de legenda). Artur pode chegar a 150 mil votos ou ultrapassar isso facilmente”, disse o vereador.

A expectativa de Frota, a exemplo dos demais partidos, é pelas eleições para o Governo do Estado em 2014. “Uma bancada forte na cidade mais importante do Amazonas é um peso muito forte. Ele poderia dar as rédeas da situação”, comentou o vereador tucano.

FHC critica ‘politização’


Na escolha dos ministros FHC bebe suco de cupuaçu numa pausa à visita que fez, ontem, ao Mindu O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) fez duras críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) e à “politização” nas escolhas dos nomes para compor os ministérios do Governo Federal.

“Houve uma politização, no mal sentido, da formação do ministério, e isso veio de longe. E quando tem uma opinião pública e imprensa muito ativa, pega lá atrás as ações, e o ministro fica sem explicações para os atos que tomou e a presidente Dilma admite. Vai fazer o que? Manter? Desmoralizar?”, declarou FHC, em Manaus.

O ex-presidente veio à cidade para participar, como conferencista, do 3º Fórum Mundial de Sustentabilidade, no Tropical Hotel. FHC aproveitou a visita para conhecer o Parque do Mindu, obra realizada pelo ex-senador Artur Neto (PSDB-AM) à época em que foi prefeito de Manaus (1989-1993). Para Fernando Henrique Cardoso, o governo do PT não possui controle dos parlamentares no Congresso Nacional. Ele disse que a crise do Governo Dilma com os parlamentares da base aliada começou no final do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O Congresso funciona melhor quando o País tem uma agenda: aquilo que é importante para o País e o presidente chefiando. E o Congresso ficou sem agenda com o Lula no final do mandato”, disse FHC. No fórum, FHC comentou sobre a mudança na percepção ambiental no País. Disse que as políticas ambientais “já estão incorporadas ao Estado brasileiro, e não é mais uma questão de governo ou partido brasileiro”.