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Assembleia Legislativa do Amazonas gasta R$ 28 mil com aquecedores de piscina

Equipamento será instalado na piscina que é usada por menos de 4% de um total de 2 mil servidores da Assembleia Legislativa  09/08/2012 às 07:22
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Presidente da ALE, Ricardo Nicolau, tem marcado sua gestão com obras polêmicas
Mariana Lima ---

A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) vai desembolsar cerca de R$ 28 mil para instalar aquecedores na piscina que é utilizada por 3,5% dos servidores da Casa. Apenas 70 dos quase 2 mil funcionários da ALE-AM, entre aposentados e os que estão em tratamento médico, utilizam a piscina. Portaria publicada no Diário Oficial da Assembleia Legislativa do Estado da sexta-feira, divulga a licitação (pregão presencial) para contratação de empresa especializada em instalações elétricas e hidráulicas para o fornecimento e instalação de aquecedores na piscina do ginásio esportivo do órgão. A licitação está prevista para ocorrer no dia 18 de agosto.

Segundo o diretor-geral da ALE-AM, Wander Motta, o valor estimado para a contratação da empresa é de R$ 28 mil. A solicitação do equipamento, ressaltou Motta, foi feita pela Diretoria Médica para auxiliar no tratamento de servidores, a maioria aposentados. “Na época da construção da piscina já estava previsto este sistema de aquecimento, mas houve uma falha no projeto e esqueceram de colocar essa parte também em licitação. Agora, como está tendo muitas atividades na piscina, os servidores aposentados perguntaram se não havia a possibilidade de colocar o aquecedor e a direção médica nos encaminhou o pedido”, explicou o diretor-geral.

Rendimento
O diretor médico da Assembleia, Arnoldo Andrade, explicou que é necessário a implementação do aquecedor para melhorar o rendimento das atividades fisioterápicas dos servidores que recebem o tratamento na piscina da ALE-AM. “Todos os estudos científicos comprovam a necessidade de se tratar doenças de baixo impacto com fisioterapia debaixo d'água. A água gelada faz com que o vaso sanguíneo se contraia e dificulta a oxigenação dos músculos que é exatamente o contrário do que queremos. O calor tem o poder de dilatar as veias e isso facilitaria o trabalho com a musculatura desses servidores”, disse Arnoldo Andrade.

De acordo com o diretor médico da ALE-AM, entre 50 a 70 servidores usam as piscinas diariamente. O serviço não é aberto à população. Nicolau afirma que o serviço é pouco usado, mas que ainda assim não pode ser disponibilizado para a população. “Nós não podemos prestar serviços à população porque se nós prestarmos esse serviço seria considerado um desvio da nossa função. Não é permitido que nós prestemos esse serviço público. Eu acho errado, mas está na lei e precisamos cumpri-la. Mas eu gostaria muito que onde tivesse um pouco de ociosidade atender a nossa população. Mas há essa determinação e inclusive ocorrem fiscalizações do Ministério Público para saber se tinha alguma pessoa sendo beneficiada por esses serviços da Assembléia”, afirmou.

Pacote de obras polêmico
Em janeiro deste ano, o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), deputado Ricardo Nicolau (PSD), apresentou um pacote de obras a serem realizadas entre 90 a 300 dias para atender os servidores da Casa. Ao todo, R$ 30, 2 milhões seriam aplicados em mais de 17 mil metros quadrados. O pacote de obras gerou polêmica entre os deputados que alegaram não terem sido consultados sobre o projeto.

Dentre as obras anunciadas estava a reforma do centro médico cujo valor estimado é de R$ 3,3 milhões. O projeto prevê a construção de uma área de 1,4 mil metros quadrados com dois pavimentos, elevadores, ambulatório, consultórios, fisioterapia entre outros. O edifício-garagem foi outra obra polêmica. Com capacidade para 467 veículos e custo de R$ 23,5 milhões, o projeto está sendo investigado pelo Ministério Público do Estado (MPE). Nicolau defendeu o empreendimento como solução para os carros de servidores que ficam ao relento. Uma creche para atender 120 crianças com o valor estimado de R$ 2,2 milhões também foi uma das promessas do deputado-presidente.

Centro do idoso possui equipamento
 Após a conclusão do serviço de instalação, a piscina da ALE-AM será a quarta de órgãos públicos do Estado com aquecedor. Atualmente, apenas três centros de convivência do idoso possuem esse tipo de equipamento. Segundo informações da Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), o Amazonas conta com três piscinas com aquecedores para tratamento de doenças e recuperação de idosos.

Dos seis centros de convivência ao idoso do Estado, apenas os três maiores, localizadas nos bairros de Aparecida, Santo Agostinho e Cidade Nova contam com esse tipo de estrutura física, de acordo com informações da assessoria de Comunicação da Seas. Os três Centros de Atendimento a Família e ao Idoso do Estado atendem juntos, um total de 1.550 idosos e demais frequentadores. Nos centros do Santo Agostinho e da Aparecida 1.100 idosos são atendidos em três turnos diferentes.

Comentário do médico geriatra Euler Ribeiro

O médico geriatra, Euler Ribeiro, afirmou que é necessário a utilização do aquecedor em tratamentos médicos feitos por meio de hidroginástica. “Algumas atividades a serem realizadas na piscina precisam que a temperatura da água esteja na mesma temperatura do corpo humano para que não ocorra choque térmico”, explicou o especialista.

Euler explicou que a temperatura da água inadequada pode atrapalhar as atividades médicas como a alteração do ritmo normal de respiração. “A temperatura da água de uma piscina é sempre abaixo da temperatura ambiente. Por isso é necessário a utilização de aquecedores nas piscinas para realizar esse trabalho medicinal”, disse. O médico afirmou que para ter sucesso nas atividades médicas a piscina precisa estar limpa, com filtros especiais e sem cloro. A Geriatria é o ramo da medicina que estuda a prevenção e o tratamento de doenças em idades avançadas.