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Assembleia Universitária critica governo federal e sinaliza greve geral na Ufam

Na avaliação do diretor da Associação dos Docentes da Ufam (Adua), Antônio Neto, a Assembleia foi positiva não somente pelo número de participantes, que há muito não se vê na universidade, mas pelos encaminhamentos tomados 25/04/2012 às 20:42
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As deliberações tomadas na AG desta quinta-feira serão apresentadas na reunião do Setor das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), que acontece em Brasília nos dias 21 e 22 de abril
acritica.com Manaus

A Assembleia Geral (AG) Universitária, realizada na tarde desta quarta-feira (25), na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), marcou a realização do Dia de Paralisação Nacional dos Servidores Públicos no Estado. Cerca de duzentas pessoas, entre professores, técnicos administrativos em educação e estudantes atenderam ao chamado do Comando de Mobilização, lotaram o hall do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) e manifestaram indignação quanto ao descaso do governo federal com a educação pública. Mesmo sem caráter decisório, a AG sinalizou interesse da comunidade acadêmica pela greve geral.

Na avaliação do diretor da Associação dos Docentes da Ufam (Adua), Antônio Neto, a Assembleia foi positiva não somente pelo número de participantes, que há muito não se vê na universidade, mas pelos encaminhamentos tomados. “A participação de técnicos e alunos no movimento corresponde a um nível de mobilização crescente e dá um salto importante na organização do comando local, com a construção de uma agenda comum de atividades, contemplando os três segmentos da comunidade acadêmica. Isso mostra a disposição de todos em superar desafios e buscar conquistas”, disse.

Para ele, o encontro desta quarta-feira despertou na comunidade acadêmica “um sentimento de resgate de lutas históricas”, quando grandes assembleias foram realizadas na Universidade, para discutir temas de interesse da população. “A Assembleia mostrou que há espaço para crescimento, podendo resultar em uma greve geral, se assim desejarem os segmentos que compõem a Ufam”, ressaltou.

Fazendo coro com o professor Neto, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Superior do Estado do Amazonas (Sintesam), Carlos Almeida, acrescentou que a crise de identidade, pela qual passa a universidade pública, só pode ser superada a partir de uma ação conjunta da comunidade acadêmica. “A universidade pública, gratuita e socialmente referenciada vai ficar para trás se não lutarmos por melhores condições para o trabalhador, para o aluno e para o ensino”, destacou.

Durante a Assembleia Geral (AG), o 1º secretário da Adua, Alcimar Oliveira, parafraseou o filósofo alemão Friedrich Hegel para lembrar que os movimentos se constroem em palcos distintos. “A zona temperada é o palco da história universal, disse Hegel. Ao contrário, o palco quente e úmido do ICHL é um indicativo de um processo crescente que vai da indignação à organicidade, começando a se materializar em ações concretas”, afirmou. O docente encarou a AG como uma “verdadeira aula magna”, pois para muitos estudantes da Ufam as aulas ainda estão começando, em virtude da falta de professores, apesar do calendário acadêmico do primeiro semestre ter iniciado há aproximadamente dois meses.

Agenda de Mobilização

Após a análise de conjuntura feita pelos participantes, a categoria dos docentes, técnicos e estudantes decidiu pela realização de um novo encontro do Comando de Mobilização local, previsto para ocorrer no dia 02 de maio, a partir das 15h, no auditório da Adua (Avenida General Rodrigo Otávio, 3000, Campus Universitário). O objetivo do encontro é definir as ações do calendário conjunto de luta até 17 de maio, dia do indicativo de greve dos professores das universidades públicas brasileiras.

Outro encaminhamento tomado pela Assembleia foi o agendamento dos dias 9 e 10 de maio, para mais manifestações na Universidade, cujas atividades ainda serão definidas na próxima reunião do Comando de Mobilização. Além disso, a comunidade acadêmica pretende encaminhar à sociedade amazonense e aos parlamentares das diferentes esferas uma carta para denunciar a política governamental de precarização dos serviços públicos.

Manifestação

Pela manhã, cerca de 80 professores e técnicos participaram de uma mobilização em frente ao Campus Universitário, como parte da programação do Dia de Paralisação Nacional dos Servidores Públicos. “A comunidade acadêmica foi muito receptiva e manifestou apoio às nossas reivindicações, sem contar a presença expressiva da imprensa local, grande parceira no processo de informação e mobilização da sociedade em torno da luta por melhores condições de ensino”, disse o presidente da Adua, Antônio Neto.

Após a panfletagem, os manifestantes saíram em carreata, fazendo um “buzinaço” pelos setores sul e norte do Campus. O ato encerrou com mais manifestação, dessa vez em frente ao prédio da Reitoria.