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Atitude de alunos que se recusaram a fazer trabalho sobre cultura afro-brasileira gera polêmica entre internautas

A matéria oportunizou a discussão entre os internautas, que defenderam diferentes pontos de vista, alguns utilizando apenas pseudônimos. Foram 130 comentários em poucas horas 11/11/2012 às 19:23
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Ana Carolina Barbosa Manaus

Reportagem abordando a manifestação de um grupo de estudantes evangélicos de uma escola na Zona Norte de Manaus, os quais se recusaram a desenvolver um trabalho interdisciplinar sobre cultura afro-brasileira, dividiu opiniões entre os internautas que acessaram o acrítica.com, este fim de semana. Na maioria dos comentários, eles expressaram revolta pelo que foi classificado como intolerância e fanatismo religioso. Contudo, houve quem defendesse a atitude dos alunos e, ainda, os que ressaltaram a laicidade do estado e lembraram que o racismo é crime.

A matéria oportunizou a discussão entre os internautas, que defenderam diferentes pontos de vista, alguns utilizando apenas pseudônimos e outros se baseando até em fatos históricos para embasarem suas teorias. Foram 130 comentários em poucas horas. Para o internauta que se identificou apenas como Roberto, é preciso respeitar a todos, “inclusive as minorias”. Gustavo, por sua vez, opinou que “muito fanatismo envolvido aumenta a intolerância no Brasil e infelizmente corrompe o que realmente importa nas pessoas: a fé!”.

Ele completa com a seguinte indagação: “Homossexualismo, não. Homossexual. Você diz heterossexualismo? Você é doente por ser heterossexual?”. Para o internauta identificado como Marcos, o trabalho de história sugerido aos alunos “é uma forma de enriquecimento cultual, é necessário conhecer todos os tipos de culturas, e se apegar a esses detalhes (alegados pelos evangélicos) é destruir a grandeza literária do nosso país”.

Na opinião da internauta Marica, a liberdade de expressão deve ser considerada nessa situação e, Ricardo, afirmou que a “escola precisa levar em conta não só minorias como, homossexuais, espíritas etc.., mas também os evangélicos e católicos”.

Ele ressalta que os alunos defenderam o que acretidam “e isso é louvável. Quantos homossexuais, católicos, espíritas, evangélicos falam uma coisa e praticam outra? Respeito as obras literárias mencionadas mas também respeito o direito desses alunos em persistirem no que acreditam. Certo ou errado não sou eu nem qualquer um de vocês que tem o direito de julgar. Nossas opiniões não podem ser absolutistas. Devemos respeitar o individualismo, as crenças, as identidades sociais”, defendeu.Adriane faz parte do time que apóia a atitude dos alunos. “No lugar deles eu faria a mesma coisa. Não iria apresentar nada que fosse contra a minha fé”.

Já o internauta José diz que o desenvolvimento do trabalho de história é necessário, já que, no futuro, os temas relacionados poderão constar em concursos públicos ou processos seletivos no campo profissional.

“Quando esses alunos forem se submeter a avaliações ou posteriores concursos, não vão ser cobrados assuntos das missões religiosas onde quer que seja. Em todas as religiões se prega o amor e a tolerância e na hora de pôr em prática, seguem conselhos de meia dúzia de pastores analfabetos e pais também na sua maioria”, opinou.

Um homem que se identificou como professor de uma instituição de ensino superior particular defendeu a postura dos professores na ocasião e alegou que “não houve falta de jogo de cintura”. Para ele, “é necessário que as pessoas tenham suas crenças, mas respeitem as outras culturas, pois só assim seremos realmente uma sociedade mais humana. A cultura afro-brasileira é um resgate justo, pois os negros brasileiros foram vítimas do preconceito durante séculos e hoje temos leis que respeitam essa raça e tratam todos como cidadãos”.

Para outra internauta, a opinião dos alunos também deve ser respeitada dentro de um País Laico, já que a teoria é “promover o bem de todos sem qualquer forma de discriminação”. Ela defende que a imposição do trabalho ofende os princípios dos alunos e alega que as minorias sempre terão defesa.

Leis e direitos

Enquanto a discussão gira em torno dos direitos das minorias e a liberdade religiosa, a legislação vigente e convenções internacionais garantem a ambos o o direito igualitário de seguirem caminhos distintos e serem respeitados por suas opções.Lei 7.716/1989, a qual define os crimes resultantes de preconceito de raça e cor, prevê, em seu artigo 1º, que “serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

Já a Declaração Universal dos Direitos Humanos define a liberdade de religião e de opinião no seu artigo 18 da seguinte forma: “Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular”.