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Manaus
CELEBRAÇÃO

Parque 10 completa 79 anos e moradores pedem maior atenção do poder público

Comunidade realiza festa nesta sexta-feira (10) e no sábado (11) no Centro Social Urbano (CSU), a partir das 19h, em comemoração aos 79 anos 09/11/2017 às 23:13 - Atualizado em 10/11/2017 às 07:18
Show pq10
Centro Social Urbano (CSU), um dos legados da organização comunitária, será o palco da festa, que acontece hoje e amanhã. Foto: Evandro Seixas
Silane Souza Manaus (AM)

Com uma importância econômica, social, cultural e histórica imensurável para Manaus, o bairro Parque 10 de Novembro, na Zona Centro-Sul, completa hoje 79 anos. Para celebrar a data, uma grande festa está sendo preparada. O evento será realizado nesta sexta-feira e no sábado no Centro Social Urbano (CSU), a partir das 19h. Entre as atrações estão shows musicais e atividades esportivas e culturais.

A festa está sendo organizada pelo Conselho Comunitário do bairro, que busca resgatar alguns programas importantes para o bem-estar da comunidade. “Nossos pais sempre brigaram por melhorias, é o que nós estamos fazendo agora também. Eles tiveram muitas conquistas, vamos seguir o legado”, disse o presidente da entidade, Bosco Omena. 

Uma dessas conquistas foi o CSU, inaugurado em 1977. Para o vice-presidente do Conselho Comunitário, Carlos Calado, o progresso chegou ao bairro com o centro social. “Tivemos os grandes festivais, inclusive o Festival Folclórico do bairro, um dos maiores da cidade atualmente. O Bloco das Piranhas, que nasceu no bairro, por muito tempo foi realizado no CSU”, lembrou. 

O CSU foi construído pelo então prefeito Jorge Teixeira de Oliveira para atender a necessidade da comunidade que precisava de um local que proporcionasse entretenimento e prestação de serviço. O projeto com uma extensa área verde contava com duas piscinas, quadra polivalente e dois campos de futebol, além de uma creche em tempo integral.

Conforme Calado, muito antes de sua inauguração, muitas pessoas não queriam morar no Parque Dez porque era como morar no “meio do mato”. O bairro estava nos limites extremos de Manaus e, ao atravessar o Igarapé do Mindu, a floresta predominava em toda sua extensão. O local permaneceu por muito tempo como uma das principais áreas de lazer dos manauenses.

Havia naquela época ao menos 15 balneários com águas límpidas originárias do Igarapé do Mindu. O mais famoso era o balneário do “Parque Dez de Novembro”, que ficava entre as avenidas Efigênio Sales e Mário Ypiranga Monteiro e onde havia uma vasta área verde, com zoológico e um restaurante que oferecia culinária regional. O espaço fazia a alegria da população nas décadas de 60 e 70. 

Os balneários não resistiram ao “progresso”, mas os moradores conseguiram, a partir de um movimento população, iniciado em 1989, proteger uma extensa área verde que servia como hábitat do sauim-de-coleira. Trata-se do Parque Municipal do Mindu, instituído oficialmente como espaço protegido em 1993. “Foi uma conquista de nossos pais, mas a participação do poder público foi importantíssima”, disse Calado.

Origens e situação atual do bairro

O bairro Parque 10 de Novembro foi na data que leva seu nome no ano de 1938 e recebeu o nome em homenagem a um dos regimes políticos mais tiranos da história do País, o Estado Novo, fundado na mesma data do ano anterior pelo então presidente Getúlio Vargas. Mas foi com o golpe de 1964 que a habitação foi impulsionada na área com a criação do conjunto residencial Castelo Branco. 

Hoje, com aspecto residencial de alto padrão econômico, o bairro concentra uma grande atividade comercial, é um shopping a céu aberto, e a comunidade tem à sua disposição agências bancárias, casa lotérica, casas de show, escolas públicas e particulares, restaurantes, bares, lanchonetes, centros comerciais, praças, parques, igrejas, postos policiais e de saúde.

Mais infraestrutura e segurança

 O Conselho Comunitário do bairro  é formado por representantes dos diversos setores, como comercial, cultural e social. Eles defendem que o CSU seja reformado de verdade e não apenas maquiado como dizem que foi feito pela Prefeitura de Manaus.  

O secretário-geral do Conselho Comunitário, Claudivan Carvalho, destacou que as ruas do bairro também estão ruins, as calçadas em desordem, os nomes das ruas foram trocados sem que os moradores fossem consultados. Ele defende que o Festival Folclórico do bairro seja reestruturado.

Para o comerciante HiroKohashi, 64, um dos mais antigos da rua do Comércio, o bairro já foi bom, hoje não é tanto. Há muitos assaltos. A falta de segurança é o maior problema, segundo ele. “Minha casa foi assaltada várias vezes nos últimos dois anos”.

Ilustres moradores

Diversas personalidades conhecidas fazem parte da história do bairro. Na música: os compositores Torrinho, Aldisio Filgueiras e Renatos Linhares; no esporte: os jogares de futebol Mário Geraldo, Falcão, e o nadador Jefferson Mascarenhas; nas artes plásticas: Eli Bacelar, Homero Amazonas e Aníbal Beça.