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Bancada do Amazonas em Brasília está há dois meses sem reuniões

Coordenador da bancada federal, líder do Governo no Senado é cobrado para marcar as reuniões 29/03/2012 às 12:48
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Última reunião da bancada do AM no Congresso Nacional ocorreu no ano passado. Deputados cobram encontro
ANTONIO PAULO Brasília

Dois meses depois de iniciados os trabalhos legislativos no Congresso Nacional, a bancada dos oito deputados federais e de três senadores do Amazonas ainda não se reuniu para discutir os interesses do Estado e da população que elegeu os 11 representantes. Assuntos e demandas como os apagões em Manaus e no interior; a enchente que castiga milhares de amazonenses; o travamento da PEC 103, da prorrogação da Zona Franca por mais 50 anos, na CCJ da Câmara, assim como a agenda legislativa da indústria de 2012, estão sendo encaminhados de forma individual, isolada e são exemplos da “acefalia” que ocorre na bancada amazonense nesse começo de ano.

Especialmente os deputados federais sentem a falta dos encontros e dos debates, mas minimizam o problema porque o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) continua como coordenador. Devido às novas funções como líder do Governo no Senado, Braga não tem tido tempo para cuidar dos assuntos locais do Amazonas.

“Precisamos tomar uma decisão e já estou conversando com os colegas de bancada da Câmara. Sinto que há uma insatisfação entre os colegas com essa situação, pois, parece que a coordenação não é uma coisa importante”, disse ontem o deputado Henrique Oliveira (PR-AM). O parlamentar acredita que o atual coordenador, Eduardo Braga, não está desdenhando da importância do cargo de coordenador de bancada, mas lembra que a lacuna existe e precisa ser preenchida.

“Estou provocando uma conversa entre os parlamentares e o senador Eduardo, que ele encontre um tempo na agenda dele, para discutirmos essa questão. Se ele vai continuar ou se será necessário um outro colega para assumir o cargo”, declarou Henrique Oliveira.

A atual subcoordenadora da bancada, Rebecca Garcia (PP-AM) também foi ontem ao Senado tentar falar com Braga. Entre outros assuntos, iria tratar sobre os rumos da coordenação. “Vim propor que realizemos uma reunião o mais depressa possível para resolver a questão da coordenação, pois, temos que tocar os interesses do Estado como o problema da energia que deve ser uma ação coletiva e não individualizada como vem acontecendo”, disse.

Rebecca também apoia o nome de Braga, mas não acredita que ele queira ser reconduzido em função das tarefas como o novo líder do Governo. A deputada disse que, se o nome dela for consenso, aceitará comandar a bancada em 2012.

Praciano critica falta de ligação

Mesmo sabendo que as chances de vir a ser o novo coordenador da bancada amazonense são quase nulas, em função das críticas que faz sobre a forma de se fazer política pela via parlamentar, o deputado federal Francisco Praciano (PT) disse que também não tem interesse por causa do perfil da bancada e do modo de agir das últimas coordenações.

“A nossa bancada não tem ligação com os movimentos populares, das mulheres, igualdade racial, direitos humanos, povos indígenas e tantas outras questões”, disse Praciano.

“No ano passado, em uma das reuniões em que o coordenador (Eduardo Braga) pediu sugestões, apresentei dez propostas para nossa atuação e cito a falta de agências bancárias no interior, contratação de peritos do INSS, transferência de profissionais da educação de ensino superior, postos do INSS que, à exceção, ainda houve uma reunião com o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves. As outras demandas não vi avançar quase nada”, criticou.