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Banco de Olhos já realizou 733 transplantes no Estado do AM

Órgão comemora mais um aniversário destacando o número de 1.206 córneas recebidas no período 08/05/2012 às 12:55
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Cristina Garrido diz que o índice de rejeição das córneas transplantadas é de 3%
ana celia ossame Manaus

Em oito anos de funcionamento comemorados ontem, o Banco de Olhos do Amazonas já recebeu 1.206 córneas e realizou 733 transplantes, informou a coordenadora, Cristina Garrido. Ao estimular as pessoas a fazerem a doação, a médica destaca a existência de 390 pessoas aguardando para fazer a cirurgia, inclusive crianças. Para estas, inclusive, o apelo é especial porque as que não fizerem o procedimento até os sete anos de idade, ficarão sem enxergar porque até essa idade o cérebro recebe a informação da imagem. Depois disso, pouco ou nada poderá ser feito, completa.

A diretora observa que por isso, as crianças são sempre priorizadas na lista de espera por conta da urgência. É que até aos sete anos a criança tem formada no cérebro a imagem recebida pela visão. Se ela recebe esta imagem embaçada, é esta imagem que ficará para o resto da vida, mesmo que depois possa fazer um transplante, por isso há necessidade do procedimento mais rapidamente. Segundo ela, é triste ver casos em que há pouco a fazer, por isso é importante os pais observarem a criança e a levarem para exame oftalmológico desde os primeiros anos de vida.

Mesmo com índice bem reduzido de rejeição, em torno de 3%, um fator importante para o estímulo de mais doações é que nem todas as córneas disponibilizada podem ser transplantadas, seja pela existência de doenças como hepatites, HIV, herpes ocular ou problemas no tecido do órgão como cicatrizes.

Entre os 390 que aguardam a doação, estão aqueles que já nasceram com um problema na córnea ou tiveram algum problema de infecção que os fez perder um olho.

Já os doadores, cuja maioria é do sexo masculino, foram vítimas de acidentes de trânsito, queda, aneurismas, infartos e morte súbita. Depois que o paciente morre, o período ideal para a retirada da córnea é de até no máximo dez horas após o óbito e após esse período, ela pode ficar conservada  até por 14 dias.

De acordo com Cristina, a cirurgia de transplante de córnea pode ser simples, durando 40 minutos ou até três horas, dependendo de existir alguma complicação no olho, como a necessidade de realizar outros procedimentos, sendo os mais comuns a cirurgia de glaucoma ou catarata.

A médica Cristina Garrido explica ainda que a contaminação da córnea pelo uso de lentes de contato sem orientação médica e a perfuração da córnea durante a realização de trabalhos insalubres e em acidentes de trânsito são as principais causas que levam a cirurgia de transplante de emergência no Amazonas, atendidos pelo sistema estadual de saúde.

Segundo ela, nas estatísticas aparecem muitos jovens que tiveram a córnea perfurada por usarem lentes de contato sem orientação médica e em muitos casos emprestadas de amigos.

“São pessoas que não precisam nem usar óculos de grau, mas por vaidade, usam as lentes coloridas e desenvolvem graves problemas de visão, somente solucionados ou minimizados através de um transplante”, finalizou.

Somente este ano 55 doações de córneas já foram feitas, entre os meses de janeiro e março em Manaus. Isso beneficiou 34 pacientes que puderam voltar a enxergar.

Organização Mundial de Saúde (OMS) no Brasil, diz que prevalência de cegueira na população mundial é de 0,3% e a baixa visão é de 1,7%.