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Bandidos se unem para criar o Primeiro Comando do Norte; o centro de atuação é em Manaus

No comando do PCN estão os criminosos José Roberto Fernandes o “Zé Roberto da  Compensa”,  o  irmão dele Cloves Fernandes; João Pinto Carioca, o “João Branco”, e Gelson Carnaúba.  Todos cumprem pena em unidades prisionais, mas  continuam  comandando negócios como tráfico, assalto e execuções . 06/08/2012 às 09:52
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Bandidos se unem para criar o Primeiro Comando do Norte (PCN), um consórcio criminoso cuja central de atuação está em Manaus
jornal a crítica Manaus

Lideranças do crime que atuam no Amazonas se uniram e criaram o Primeiro Comando do Norte (PCN), uma organização criminosa para fazer frente às ações repressoras das polícias Civil e Militar, mas principalmente brecar a atuação do grupo criminoso conhecido como Primeiro Comando da Capital (PCC) cuja origem está nos presídios de São Paulo.

No comando do PCN estão os criminosos José Roberto Fernandes o “Zé Roberto da  Compensa”,  o  irmão dele Cloves Fernandes; João Pinto Carioca, o “João Branco”, e Gelson Carnaúba.  Todos cumprem pena em unidades prisionais, mas  continuam  comandando negócios como tráfico, assalto e execuções .

A organização criminosa foi descoberta pela polícia que investiga o alcance dela e já sabe  que os líderes  estão comprando  armas de grosso calibre (metralhadoras e pistolas) e tem planos de tirar de circulação quem tentar atrapalhar os interesses deles.

O promotor Raimundo David Jerônimo, que atuou no julgamento de Gelson Carnaúba, no qual ele foi condenado a 120 anos de reclusão,  pela morte de 13 detentos e um agente penitenciário, na chacina do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em maio de 2001, é um dos que está marcado para morrer por ferir interesses dos criminosos.

De acordo com as investigações, o PCN também demarcou a cidade de Manaus onde cada um dos comandos tem uma área especifica para atuar sem intervir na área do outro. A organização funciona como uma espécie de consórcio do tráfico. Eles juntam grandes somas de dinheiro e enviam diretamente aos produtores de droga  na Colômbia ou Peru.

As remessas de drogas vem de forma programada para não serem interceptadas pela polícia. Pelo menos seis advogados  trabalham para o PCN, coletando informações no judiciário e na polícia, segundo uma fonte que pediu para não ser identificada.

A maioria dos integrantes do PCN atua no crime há mais de dez anos. José Roberto  comanda o tráfico na Zona Oeste  e tinha como base o bairro da Compensa. Segundo a polícia, ele é responsável pelo abastecimento de droga em  cidades do Norte e Nordeste, e de lavar o dinheiro do tráfico com times de futebol, lojas de carros, bandas de forró e hotéis de turismo.

Zé Roberto foi preso em  31 de agosto de 2009, na Cidade Nova, Zona Norte, por meio de um mandado de prisão expedido pela  Justiça paraense, cumprido por uma equipe de policiais paraenses comandada pelo delegado Eder Mauro Cardoso Barra.

João Branco, por mais de uma década, comandou o tráfico de droga no bairro do Mauazinho, Zona Leste. Ele foi preso em 2005 pela Polícia Federal e no ano seguinte foi condenado há 50 anos pela Justiça Federal. João Branco  é considerado pela polícia como um dos traficantes de droga que  cresceu muito nos últimos anos, passando de “dono de boca” para atacadista.

Ele é responsável pelo abastecimento de uma grande parte das “bocas” de Manaus e também envia drogas para outros estados. Tornou-se “xerife” (chefe dos criminosos) no Compaj, foi transferido para cumprir pena em um presídio federal, mas retornou e está novamente preso no Compaj.

Na cola de Fernandinho Beira-Mar
O presidíario Gelson Carnaúba começou no tráfico no bairro da Compensa, cresceu no crime  como integrante do grupo de Zé Roberto. Foi preso, fugiu da cadeia e passou anos desaparecido, mas atuando no crime. Por muitos anos foi alvo de investigação da Polícia Federal. A polícia tem informações de que Gelson Carnaúba vinha a Manaus com freqüência e voltava para o Ceará. Aqui, ele teria participado de execuções de traficantes de droga.

Um relatório confidencialda Polícia Federal de Mato Grosso informou que os presos do Amazonas que cumpriam pena no presídio federal de Campo Grande tinham tido contato com integrantes do grupo do “megatraficante” Luiz Fernando da Costa, o “Fernandinho Beira-Mar”. Que este teria recebido instruções sobre como se organizar para enfrentar as ações da polícia.

Advogados e familiares dos traficantes amazonenses ficavam hospedados junto com o grupo de Beira-Mar em uma pensão alugada pelo traficante. Para o promotor de Justiça Fábio Monteiro os presos voltaram com a cabeça cheia de novas idéias para investir em suas ações criminosas.

Promotor não subestima ameaças
O promotor de Justiça David Jerônimo que atua na 2ª Vara do Tribunal do Júri há quase 20 anos, disse que tomou conhecimento de que está marcado para ser morto pelos integrantes do PCN. Ele disse que essa não é a primeira vez que é ameaçado de morte por conta do seu trabalho. A primeira vez foi quando atuou na acusação dos réus da série de crimes que ficou conhecida como “Caso Fred”, envolvendo policiais militares, em 2001.

“As ameaças não me intimidam, vou continuar fazendo o meu trabalho”, disse Jerônimo.  Segundo ele, o grupo criminoso tem razão de não gostar dele porque acha que é ele quem os condena. O promotor explicou que quem o ameaça não entende que ele não condena ninguém, mas sim os  jurados. São eles que decidem se condenam ou absolvem um réu.

Jerônimo disse que o a chefia do Ministério Público já lhe ofereceu proteção, mas ele rejeitou e  está tomando medidas de proteção adicionais. O promotor disse que não subestima as ameaças por partir de uma organização considerada como a mais pesada do Amazonas. Ele também informa  que  não atua  mais no processo da chacina.

Ministério Público
O promotor de Justiça Fábio Monteiro disse  que já foi informado da criação do Primeiro Comando do Norte, assim como o superintendente da Polícia Federal Sérgio Fontes. Para Monteiro as autoridades policiais precisam investir pesado contra a organização para que seja intimidada a não crescer na atividade criminosa.