Publicidade
Manaus
Manaus

Banhistas aprovam a nova Ponta Negra, mas reclamam da falta de infraestrutura, em Manaus

Apesar das mudanças estruturais, banhistas reclamam dos banheiros pagos e insuficientes, do lixo e da falta de fiscalização 18/06/2012 às 08:13
Show 1
Ponta Negra estava lotada no domingo (18)
Cimone Barros Manaus (AM)

Com poucas opções públicas de lazer, a população aproveitou o domingo (18) ensolarado para se resfriar no principal balneário de Manaus, a Ponta Negra, reaberta parcialmente no  dia 10.

De acordo com a assessoria da Polícia Militar, cerca de 8 mil pessoas passaram pelo lugar no decorrer do dia. A maioria dos banhistas aprovou a “nova Ponta Negra”, mas muitos criticaram as irregularidades  e situações inadequadas observadas no local.

Na tarde ontem, algumas lanchas e moto aquáticas trafegaram próximos a banhistas, enquanto algumas pessoas pulavam no rio de cima de uma balsa. Havia em vários pontos  lixo jogado na praia e lixeiras transbordando. Algumas, inclusive,  usadas como trave para o jogo de futebol.

Além disso, como os banheiros são poucos e pagos, muita gente acaba fazendo “xixi” no próprio rio.  Na praia, estão disponíveis dois banheiros, com seis vasos sanitários cada, e para usá-los os banhistas têm de desembolsar R$ 1. Dentro, eles não têm chuveiro. Já os chuveiros de fora são gratuitos.

“Visualmente,  a praia está ótima. Mas não houve preocupação ambiental. Deveria ter um programa de sensibilização para orientar a população e mais frequência na limpeza das lixeiras da praia”, disse o industriário Oseias de Andrade, 31.

A dona de casa Ângela Carvalho, 40, cobrou policiamento na areia. “Ainda pouco teve uma briga aqui, mas não tinha nenhum policial por perto. Eles tiveram de vir lá de cima.”

O soldador Nildo Nunes, 56, reclamou da cobrança para usar o banheiro. “Está errado. Nem todo mundo tem R$ 1 para ir lá. E desse jeito muita gente vai urinar na água”, disse o soldador, que não teve dificuldade para entrar com uma garrafa de vidro de bebida quente, produto proibido na praia, assim como os churrasquinhos e ambulantes.

O problema é que havia apenas dois fiscais, segundo a responsável pela fiscalização da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab), no local, Socorro Dias. A reportagem flagrou ambulante “camuflado de banhista” na areia, vendendo bebida de forma irregular, assim como carro estacionado comercializando água, cerveja e refrigerante.


Praia lotada e lixeiras transbordando, uma cena que não combina com um espaço revitalizado e recém-inaugurado. Não faltam queixas e pedidos de providências.

“Está difícil fiscalizar porque somos dois fiscais. Vamos solicitar reforço para sermos pelo menos oito e caminhão baú para o próximo fim de semana”, disse Dias.  Na praia havia, ainda, a presença de 15 guardas metropolitanos, 30 policiais militares a pé, mais as viaturas que faziam ronda na área, além da presença do Corpo de Bombeiros.

De acordo com o supervisor de dia do Corpo de Bombeiros, o coronel Danízio Neto, em toda a orla do rio Negro eram 47 bombeiros, cinco lanchas, quatro viaturas e seis motocicletas. Vale destacar que foi a presença dos bombeiros que dispersou as lanchas e as moto aquáticas e até os rapazes que pulavam da balsa.

“O que fazemos é um trabalho preventivo, em parceria com outros órgão. Nós orientamos para que não haja afogamento, principalmente de quem está ingerindo bebida alcoólica, ou acidentes”,  contou Neto.

A Capitania dos Portos, responsável pela fiscalização de embarcações, não foi vista no lugar. A reportagem tentou com a assessoria de imprensa, mas não obteve sucesso.

Filas

Com a praia lotada, quem precisou comprar algo para comer, beber ou até usar os banheiros teve de encarar filas. Para estacionar ou sair da área da Ponta Negra, o motorista e o pedestre também precisaram de paciência. Houve até ciclistas imprudentes que pegaram “carona” no ônibus, na avenida Coronel Jorge Teixeira.

“Aqui tudo é fila. Até para ir ao banheiro, que é pago, tem fila. Passei uns dez minutos na fila”, contou Fabíola Silva, 17.

Na parte da orla, ao lado da avenida, estão concentrados os poucos pontos de comercialização de produtos. Há pelo menos sete antigos autônomos (três vendedores de pipoca, dois de churros, um de algodão doce e um de balão) e mais cinco pontos fixos (açaí, sorvete, milk shake, tacacá e bebidas).

Na areia está proibida a entrada de ambulantes e, como também não há lanches nessa área, muita gente levou bebida e comida. Foi o que fez a família da dona de casa Sandra de Castro, 35. Com quatro crianças e seis adultos, eles preparam um super “banquete” para o almoço na praia. “Trouxemos comida, refrigerante, salgado e iogurte. Tudo o que precisávamos.”