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Banhistas Ponta Negra fazem da praia um restaurante a céu aberto

Com uma infraestrutura de alimentos e bebidas insuficiente à disposição, população leva tudo de casa e come na praia 25/06/2012 às 20:39
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Famílias inteiras levam de casa comida e bebida para a praia da Ponta Negra. O isopor foi o “melhor amigo”
Cinthia Guimarães Manaus

Dia de céu nublado, mas os termômetros marcavam 35 graus. No segundo domingo após a inauguração da praia perene da Ponta Negra, milhares pessoas lotaram o balneário neste domingo (24). No entanto, os frequentadores reclamaram da falta de estrutura do local para os banhistas, como banheiros insuficientes, pouco policiamento, ausência de bares e restaurantes próximos para venderem bebidas e refeições e também da falta de quadras para a prática de esportes, que só serão reinauguradas na próxima etapa do projeto.

Quem foi passar o dia na Ponta Negra para se refugiar do forte calor do verão amazônico, teve que recorrer ao improviso e trazer comida e bebida de casa. Cena comum registrada no espaço foram de famílias carregando geleiras de isopor com seus respectivos “kits refeição”.

Foi o caso do industriário Francisco Alves, morador da Compensa, que estava acompanhado da mulher e dos dois filhos, e levou de casa o almoço típico de domingo do amazonense: tambaqui assado, baião de dois e farofa. “O pessoal está trazendo tudo de casa, lanche, bebida. Acho que precisa melhorar a área de comida, a segurança e fiscalização contra a sujeira. Se não cuidarem, vai ficar como antes”, alertou.

A dona de casa Osmarina Araújo da Silva chegou às 11h carregando um isopor e também reclamou da falta de opções. “Trouxe bebidas, comida, iogurte, biscoito. As pessoas que vendem bebida cobram um absurdo. A Ponta Negra está boa, só falta mais estrutura”.

Toalhas estendidas no chão serviam de mesa improvisada na hora da refeição. Os avisos de “não pise na grama” foram desobedecidos. O que mais se viu foi gente ocupando os gramados da orla como opção ao espaço da areia que estava tomado por banhistas, num cenário digno de ‘pic-nic’.

“Não tem nada para comer. Tive que comprar perto da praia da Lua. Não sabia que não havia lugar para comer e vim desprevenido”, disse o frentista Silvio André Barroso que foi acompanhado da mulher e da filha de seis meses.

Para o auxiliar de produção Rodney Rodrigues está faltando mais banheiros e chuveiros. Ontem já foi possível ver alguns chuveiros quebrados, “Muita gente não tem consciência de trazer coisas de casa e jogar no lixo”. “Precisa de mais policiamento e limpeza”, acrescentou seu amigo Tiago Hermes, que trabalha como pizzaiolo.

A doméstica Martha Souza disse não ter gostado da ideia de pagar R$ 1 para usar o banheiro. “Acho errado pagar porque, às vezes, você chega aperreado e tem que enfrentar uma fila enorme”.

A reportagem tentou contato por telefone, com representantes do Grupo Uai, que administra a orla e a praia da Ponta Negra, mas não obteve sucesso.

Segurança insuficiente para o público
Poucos policiais faziam a guarnição da área da praia neste domingo (24), onde foram registrados alguns pequenos tumultos provocados por frequentadores. A Polícia Militar também não soube informar qual foi o número de frequentadores da praia.

Os manauaras terão que esperar a segunda etapa da Ponta Negra, prevista para ser entregue em setembro, que vai contemplar restaurantes, quadras esportivas, mais banheiros e uma maior faixa de areia.

A nova área da Ponta Negra tem 40 metros de largura por 400 metros de extensão, além de um calçadão em pedras portuguesas em toda orla, onde estão distribuídos dois banheiros e dois postos salva-vidas.

A segunda etapa irá custar à Prefeitura de Manaus R$ 27,5 milhões, e está sendo feita pela empresa Mosaico Engenharia, Indústria e Comércio de Artefato de Concreto LTDA, vencedora da concorrência promovida para a realização do serviço. As duas etapas do projeto – uma delas concluída em 2011 - totalizarão R$ 57 milhões em investimentos.

Boa questão
Uma das coisas que mais reclamação tem gerado, e por isso não é seguida, diz respeito aos avisos de “não pise na grama”. “Iimagine no parque do Ibirapuera (em São Paulo), no Central Park, em Nova York, as pessoas serem proibidas de andar e deitar na grama. Isso é impensável”, disse o turista Cesar Maurício Castro.

Praias vão ser balizadas
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) pretende realizar, em julho,  o balizamento de quatro praias, consideradas de grande movimento por banhistas e adeptos ao esporte náutico. A ação visa dar segurança e orientar os frequentadores.

Na próxima quarta, a secretaria definirá um calendário em conjunto com a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental.

A primeira etapa dos trabalhos contemplam as praias da Ponta Negra e Prainha, no bairro Tarumã, Zona Oeste , do Tupé (a 30 quilômetros de Manaus) e da Lua (distante a 23 quilômetros). “Estamos trabalhando com a capitania porque eles têm o conhecimento técnico das áreas. Acreditamos que levaremos de três a cinco dias em cada praia para fazer o reconhecimento da área e criar estratégias de proteção”, destacou a chefe da divisão de áreas protegidas da Semmas Socorro Monteiro.

Conforme a secretaria, o Plano de Gerenciamento de Praias de Manaus propõe a divisão das praias por zonas, separando e reservando espaços para banhistas, praticantes de esportes náuticos e áreas de embarque e desembarque. “Claro que é necessário em outras áreas e vamos fazer. O plano prevê também um regulamento de uso da praia, orientando a comunidade e frequentadores a não jogar lixo”, sublinhou Socorro, acrescentando que a secretaria realiza, há mais de 4 anos, todas as semanas, a coleta de água das praias e informa se elas estão adequadas para banho.

PPP inovadora
A Semmas informou também que dispõe de croquis (esboços) das áreas que vão ser balizadas e equipamentos de medição, mas precisa ir a campo para identificar a profundidade dos locais. “Esse trabalho é uma parceria público-privado que envolve representantes da sociedade, instituições ambientais, universidades, instituições públicas, privadas e organizações não governamentais (Ongs)”, afirmou o secretario executivo do Conselho Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente (Condema) Rodrigo Junqueira.

Afogamentos no ano já somam 24
Até maio deste ano,  em todo o Estado do Amazonas, o Corpo de Bombeiros registrou 24 casos de afogamento envolvendo crianças e adolescentes. Uma das irregularidades cometidas por proprietários e condutores de embarcações é a navegação próxima aos banhistas ou entre os frequentadores, nos fins de semana, colocando em risco a vida.