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Bebida não é a única causa das mortes na Ponta Negra

Diferente do discurso de algumas autoridades, um laudo do IML aponta que a bebida não é a única causa de afogamento de banhistas. Ao todo 16 pessoas já morreram em três meses na praia perene, construída no balneário 16/12/2012 às 17:50
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Aelson Costa, pai de Érisson
Elaíze Farias Manaus(AM)

Mesmo aparentando tranquilidade, o pedreiro Aelson Costa, 53, não consegue segurar a dor da ausência do filho Érisson Costa, de 18 anos, morto no dia 28 de outubro. Em sua casa, no Conjunto Cidadão 5, Zona Norte, todas as tardes o pai liga o aparelho de som para escutar as músicas preferidas do rapaz no mesmo horário em que ambos conversavam sobre política, livros e futebol. Na mesa da cozinha, uma pilha de fotos do filho e livros que ele gostava de ler.

Érisson saiu de casa por volta de 11h de um domingo de eleição, logo depois de votar, e ligou para o pai dizendo que iara a Ponta Negra. Três horas e meia depois Aelson recebeu ligação da namorada do rapaz afirmando que o corpo de seu filho estava no IML. Logo em seguida, os Bombeiros também ligaram confirmando o resgate.

“O que me disseram que meu filho ficou 15 minutos dentro d´água. Ele não sabia nadar, mas a namorada informou que ele estava no raso e que, de repente, tinha caído num buraco. No laudo do IML dizia que havia muita comida na barriga dele, mas não tinha bebida, como disseram depois”, diz Aelson.

Em casa, mergulhado na dor, o pedreiro e sua esposa se apegam na fé para aplacar seu sofrimento. “Todo dia me preparo para continuar. Mas tenho tristeza quando chego em casa e não o vejo mais. A gente cria um filho com tanto mimo e carinho para perder assim tragicamente”, relata.

Estudante do último ano do ensino médio, Érisson trabalhava em uma loja do Nova Cidade e estava se preparando para entrar na Aeronática em janeiro. Inconformado com o futuro interrompido do filho, Aelson estuda entrar na justiça contra a Prefeitura “por falta de cuidado em fiscalizar a obra”, segundo ele.

“A vida do meu filho não tem dinheiro que pague. Não quero dinheiro, isso não resolve nada. Mas isso não pode passar em branco. Fiquei muito entristecido quando ficaram dizendo que as vítimas estão ‘bebidas’. Falaram isso só porque eram de periferia, pobre. Tenho amigos advogados que já estão discutindo esse assunto. A prefeitura precisa dar condições para as pessoas brincarem ali. Quem diz que não é perigoso é porque tem piscina em casa”, relatou.