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FUNDEB

Bisneto diz que manifestação de professores foi ‘manobra política’ e ataca governador

O novo chefe da Casa Civil taxou o governador David Almeida como um político “com total falta de responsabilidade” 12/09/2017 às 18:09
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Artur Bisneto e Marcos Rotta durante a coletiva de imprensa. Foto: Jander Robson
Janaína Andrade Manaus (AM)

Apresentado pelo prefeito em exercício, Marcos Rotta (PSDB), como novo chefe da Casa Civil, o deputado federal Artur Bisneto (PSDB), que é filho do prefeito Artur Neto (PSDB), classificou a manifestação de professores municipais na manhã desta terça-feira (12) como “manobra política” de lideranças “sem mandato”. Bisneto também disparou contra o “governador tampão”, David Almeida (PSD), que segundo ele, anunciou pagamento de abono aos professores da rede estadual como mecanismo de autopromoção.

Centenas de professores realizaram manifestação em frente à Secretaria Municipal de Educação (Semed) cobrando transparência na aplicação da fatia recebida pela Prefeitura de Manaus de R$ 109 milhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento de Educação Básica (Fundeb).

“Dos 15 mil funcionários da Semed, 300 se reuniram hoje para fazer barulho, uma manifestação meramente política, onde em cima do trio tinham somente lideranças políticas sem mandato. Estão usando uma classe trabalhadora como massa de manobra. Infelizmente foi manobra política de um pessoal que está acostumado a perder eleição e subir em cima do trio. Se tem político lá tentando sacudir uma categoria tão bem tratada como a dos professores, é porque eles querem na verdade um benefício próprio”, avaliou Bisneto.

O novo chefe da Casa Civil também aproveitou para ressaltar as diferenças, segundo ele, de tratamento oferecido aos professores municipais, em comparação aos estaduais. E taxou David Almeida como um político “com total falta de responsabilidade”, enquanto Artur Neto, seu pai, é “um prefeito eleito, reeleito e que trabalha com a lógica da responsabilidade”.

“O que ocorre é que foi dado um abono por um governador tampão com total falta de responsabilidade, e isso já é notório na cidade, e isso fez com que esse pequeno grupo de professores se incitassem para cobrar da Prefeitura uma coisa que o Estado mesmo não tem como fazer. Se bobear mês que vem ele (David) não tem dinheiro para pagar a folha do estado, 13° para os funcionários do Estado hoje é quase um milagre – essa é uma notícia que dou.  Se isso (responsabilidade) não é a tônica de outros poderes, infelizmente a gente só pode responder pelo nosso”, julgou Bisneto.

A titular da Semed, Kátia Helena Serafina Cruz Schweickardt, declarou que a estimativa de recursos vindos do Fundeb para a área da educação municipal em 2017 é de R$ 779 milhões, incluindo o que classificou como “adicional” depositado em julho de R$ 109 milhões. Este valor foi o alvo da manifestação dos professores pela manhã.

“De tudo que recebermos do Fundeb neste ano, 81% será utilizado para custear a folha de pagamento. Foi depositado essa diferença de R$ 109 milhões, e algumas pessoas classificaram isso como “sobra”. Não existe sobra em período de crise. A maior parte do recurso do Fundeb será utilizado para pagar a nossa folha, incluindo o pagamento das progressões por titularidade, tempo de serviço e os reenquadramentos. Nenhuma dessas pessoas que foram as ruas hoje me procuraram para saber o planejamento da aplicação desses recursos, portanto são descompromissadas com a educação”, disse.

Questionada sobre quanto do total recebido pela Semed do Fundeb será utilizado para pagar as progressões por titularidade e por tempo de serviço  dos professores e administrativos, a secretária não soube responder. O subsecretário de Administração e Finanças da Semed, Bruno Guimarães, explicou que dos R$ 779 milhões repassados pelo Fundeb, R$ 11,5 milhões serão destinados ao pagamento de dez mil professores e servidores do quadro administrativo da pasta, sendo 8.900 professores.

“Deste total do Fundeb, 81% será para pagamento da folha, dentro desse número está o valor que vamos utilizar para pagar as progressões, que dá algo em torno de R$ 11,5 milhões. Isso aí vai ser incorporado ao salário dos professores, então não é R$ 11,5 milhões de uma vez, é um valor de depois de pago uma vez vai passar a ser pago todos os meses. Esperamos pagar isso até o mês de outubro, novembro. E fora os 81% para o pagamento de salários, nós temos a manutenção dos serviços, como a distribuição da merenda, transporte escolar”, explicou Bruno.

Segundo Guimarães, dos 12 mil professores da rede municipal, somente 8.900 devem receber as progressões por titularidade e por tempo de serviço  porque ainda não possuem “o direito ou não entraram com a solicitação”. “O professor vai e faz uma pós-graduação, um mestrado e aí você tem direito a progressão por titularidade, aí vai e da entrada na Semed e você passa a ganhar algo a mais, o mesmo ocorre pelo tempo de serviço”, concluiu o subsecretário.