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Borba: Padre acusado de pedofilia recorre de sentença por estupro

O juiz da comarca de Borba, Eliezer Fernandes Júnior, que sentenciou o padre, disse que na próxima semana vai encaminhar o processo ao TJ-AM 23/03/2013 às 11:37
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Padre está com visto retido pela Justiça
Joana Queiroz ---

O pároco italiano Piergiorgio Albertini, conhecido como padre Jorge, que atuava no município do Borba (a 150 quilômetros de Manaus), recorreu da condenação por estupro de vulnerável. Ele foi sentenciado a cumprir nove anos de reclusão em regime fechado, no último dia 26. Padre Jorge pediu a prescrição retroativa do processo e para que seja julgado pelas câmaras criminas do Tribunal de Justiça do Amazonas. Na representação, o padre Jorge pediu ainda para ser absolvido, alegando a ausência de provas, que é réu primário e que teve a defesa cerceada.

O juiz da comarca de Borba, Eliezer Fernandes Júnior, que sentenciou o padre, disse, nesta sexta-feira (22), que na próxima semana vai encaminhar o processo ao Tribunal de Justiça. O magistrado disse que o réu faltou com a verdade, já que foi ouvido duas vezes em juízo e que no processo há provas testemunhais das vítimas e outras materiais, que serviram de base para o Ministério Público oferecer a denúncia. O passaporte do padre foi retido para evitar que ele fugisse para a Itália, país de origem, e não retornasse mais. 

O juiz disse que a pena foi decretada com base no art. 217-A, do Código Penal Brasileiro: “Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos; cuja pena de reclusão varia de oito a 14 anos”. O réu, que hoje está com 73 anos, vai aguardar a decisão da Justiça em liberdade. Ele permaneceu solto durante toda a instrução processual. Durante o processo, a defesa do padre pediu a liberação do passaporte, mas o pedido foi indeferido pelo juiz.

Segundo trecho da sentença que consta da ação penal nº 012/2004, o padre envolveu a vítima F.S.F., que sofreu a prática de ato libidinoso dos 9 aos 12 anos de idade, a partir de 1993. Na época, o religioso estava com 53 anos. De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), o padre recebia várias crianças e adolescentes no quarto dele, no sítio Casa Paroquial Cristo Rei, no município de Borba, para praticar atos libidinosos. Em relação à vítima F.S.F., que originou a ação penal, o MPE apurou que o pároco “mandava-a sentar no colo dele, passando a acariciá-la nas partes íntimas”.