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BR-319 consumiu quase meio bilhão nos governos Lula e Dilma

Dez anos após a retomada do projeto de reconstrução da rodovia, a BR-319 continua inacabada, tornando parte dos produtores do Amazonas reféns de sistemas de escoamento por vias aérea e fluvial 10/08/2012 às 15:52
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Reforma total da 319 foi anunciada em 2003, mas foi embargada pelo Ibama
Ana Carolina Barbosa Manaus

O Ministério dos Transportes, via Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), injetou, nos últimos dez anos, quase meio bilhão  (exatos R$ 474.477.000) na reconstrução da BR-319, estrada federal que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), mas, até o momento, a rodovia continua inacabada, impedindo, por exemplo, o escoamento da produção do Amazonas para o restante do país.

A estrada se enquadra em uma triste realidade divulgada esta semana por meio de levantamento  feito pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), a qual aponta que as estradas das regiões Norte e Nordeste são as piores em qualidade do Brasil.

O projeto de reconstrução da BR-319 foi concluído há dez anos e, em quase oito deles, o senador Alfredo Nascimento (PR) esteve à frente do Ministério dos Transportes, responsável direto pela obra.

Entre a elaboração de estudos de impacto ambiental (EIA-RIMA) e as promessas de campanha, tanto dele, quando da presidente Dilma Rousseff (PT), de que a estrada seria concluída, permanece a incerteza dos moradores dos dois estados e dos que vivem às margens da rodovia se ela um dia será completamente revitalizada.

O trecho central, que corresponde a 405 quilômetros de estrada intrafegáveis, não foi liberado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e, consequentemente, pelo Ministério do Meio Ambiente. Este trecho, segundo a assessoria do Dnit em Manaus, não recebeu investimentos sob a alegação de não possuir licenciamento ambiental.

Repasse suspenso

Reduzindo ainda mais as chances de reconstrução e manutenção da estrada, o governo federal cancelou, este ano, um repasse no valor de R$ 90 milhões para as obras, fato que foi criticado no plenário do Senado Federal por Alfredo Nascimento.

Após deixar o Ministério dos Transportes, em 2011, acompanhado de uma enxurrada de denúncias de superfaturamento e corrupção envolvendo a pasta e seus órgãos executivos (Dnit e Valec), Alfredo Nascimento se dedicou a cobrar com mais ênfase da Presidência da República  à revitalização da estrada, implantada na década de 1970.  

A recuperação dos 400 quilômetros restantes da BR-319 está orçada em R$ 400 milhões. Ao todo, a estrada possui 859 quilômetros de extensão.

De acordo com o Dnit, desde 2003, no início do governo Lula, até agora, na administração Dilma Rousseff, foram injetados na reforma da rodovia R$ 474.477.000

"Vale ressaltar que o trecho entre os KMs 250 e 655 não recebeu investimento para recuperação/obra por falta de licenciamento ambiental", informou a assessoria de imprensa do Dnit em Manaus.

A equipe de acritica.com tentou contato com a assessoria do Ministério dos Transportes, em Brasília, mas não obteve retorno.