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Braga tenta garantir votação de MP da Defesa Civil

A Medida Provisória tem validade até o dia 21 deste mês. Se conseguir que a MP seja votada, Eduardo Braga garantirá sua primeira vítória no papel de líder do governo no Senado 14/03/2012 às 17:21
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Senador Eduardo Braga (PMDB)
Ana Carolina Barbosa e Agência Senado Manaus

O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) aproveitou o primeiro dia como líder do governo no Senado para mostrar trabalho. Desde cedo, ele vem se articulando junto a parlamentares da base aliada para tentar agilizar a votação da Medida Provisória (MP) 547/2011, a qual institui a política nacional de proteção à Defesa Civil e que já foi prorrogada, correndo o risco de perder a validade dia 21 de março. Se conseguir que a MP seja votada, será a primeira vitória do senador no cargo de liderança.

Neste momento, ele está em uma reunião fechada com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e a bancada do PMDB para tratar do assunto. Entre eles, o ex-líder Romero Jucá (RR), que ontem confirmou que Braga o substituiria antes mesmo do pronunciamento oficial da Presidência da República, criando um mal estar entre os dois.

Além deles, Eduardo Braga já se encontrou com o relator da matéria, senador Casildo Maldaner (PMDB - SC) para debater o assunto, segundo informações se sua assessoria. A idéia é que a MP, que hoje tranca a pauta do Senado, seja votada até terça-feira (19/03). Em outra ocasião, a posse do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas (PT – RS), que ocorreu na manhã de hoje, no Palácio do Planalto, o senador também aproveitou a brecha para se aproximar de outros parlamentares.

Desafio e acusação

Porém, o maior desafio do senador será unir a ala dissidente do PMDB, a qual conta com 18 senadores, às articuladoras da presidência, as ministras Ideli Salvatti e Gleise Roffmann (Casa Civil). Hoje, reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo, mostrou que será preciso mais do que a mudança nas lideranças para agradar os congressistas, que reclamam da falta de flexibilidade da presidente Dilma Rousseff quando se trata de receber demandas de parlamentares.

O tema rendeu quatro páginas do periódico e, entre os subtítulos, está uma ação que é analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na qual Braga é acusado de crimes associados à desapropriação um terreno, quando era governador. O caso está sob a análise da Procuradoria Geral da República, a qual tem o poder de determinar diligências ou seu arquivamento.

O senador nega que haja qualquer irregularidade no terreno e afirma que o processo já foi arquivado em outras instâncias. A reportagem também menciona o temperamento do senador, conhecido por muitos como “intempestivo” e lembra que, mesmo após ter deixado o governo do Estado para assumir sua vaga no Senado como o mais votado em 2010 no Amazonas, ele continua mantendo um programa de rádio no Amazonas, a exemplo de quando era governador.

Visita

Na manhã desta quarta-feira, a ministra Ideli Salvatti esteve no Congresso para pedir aos novos líderes do governo na Câmara e no Senado uma transição harmônica. Na ocasião, ela participou de uma reunião com membros da base aliada, comandada pelo novo líder novo líder na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), e em seguida se encontrou com Eduardo Braga.

Ontem, líderes partidários se mostraram favoráveis à substituição de Jucá por Braga, mas confessaram que a relação do executivo e o Senado. Conforme informações da Agência Senado, ao comentar a mudança, o líder do DEM, José Agripino (RN), destacou a importância da “experiência de Eduardo Braga no convívio com o povo, de respeito ao eleitor e ao cidadão”. Para ele, isso é fundamental para que Braga possa exercer bem sua função de líder do governo no Senado.

Já o líder do PT, senador Walter Pinheiro (BA), disse que a liderança de Eduardo Braga abrirá oportunidade a outros membros da bancada do PMDB de exercerem funções importantes na Casa.

Líder do PSOL, o senador Randolfe Rodrigues (AP) observou que a troca na liderança é uma resposta do governo à derrota que sofreu em Plenário na semana passada, quando foi rejeitada a recondução de Bernardo Figueiredo para diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O senador Jayme Campos (DEM-MT), líder da minoria, disse acreditar que Eduardo Braga manterá o relacionamento institucional do governo com a oposição. Ele afirmou esperar a manutenção do “diálogo civilizado” em torno das matérias de interesse da sociedade brasileira.

Por sua vez, o líder do PR, Blairo Maggi (MT), considerou a troca “salutar”. Para ele, o momento é favorável para o governo fazer a mudança. Segundo Blairo, Eduardo Braga tem boa qualificação para assumir a liderança do governo, pois “circula bem dentro do Plenário e tem relação com todos os lados”.

O senador Acir Gurgacz (RO), líder do PDT, disse ver a alternância com bons olhos, por considerar importante a “oxigenação” das lideranças. Para Gurgacz, tanto Romero Jucá quanto Eduardo Braga são “superexperientes” e não devem ser esperadas grandes mudanças do ponto de vista do governo.

O senador Inácio Arruda (CE), líder do PCdoB, cumprimentou o “trabalho destacado e eficiente” de Romero Jucá como líder nos governos Lula e Dilma Rousseff. Para ele, a habilidade e a competência de Jucá resultaram em conquistas para o país. Inácio Arruda saudou a indicação de Eduardo Braga para a função, destacando sua atuação como parlamentar.