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Cadeirante assassinado em presídio do Amazonas já estava marcado para morrer

No depoimento que prestou na Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai) antes de morrer, 'Duda' revelou ter participado do crime de Alan Costa Rodrigues, o “Guga”, ocorrido no dia 5 de maio, no estacionamento de uma casa de eventos, na avenida do Turismo 05/09/2012 às 10:31
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Clima no Centro de Detenção Provisória é tenso: funcionários das unidades prisionais de Manaus estão atribuindo as mortes nos presídios a brigas entre traficantes
Joana Queiroz Manaus

O presidiário Denis Suzano Leite Cordovil, o “Duda”,  28, foi assassinado com mais de 50 estocadas, a maioria no pescoço, por volta do meio-dia desta terça (4), nas dependências do Centro de Detenção Provisória (CDP), localizado no km 8 da BR-174 (Manaus-Boa Vista), onde cumpria pena desde maio. Um outro preso, Jones Farias de Castro, 19, assumiu a autoria do crime e disse que foi motivado por vingança. Ele foi levado para o 18º Distrito Integrado de Polícia (DIP), bairro Novo Israel, Zona Norte, onde foi autuado em flagrante pelo crime de homicídio.

Há um mês na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), Zona Leste, Arleinaldo da Silva e Silva, o “Barão”, 27, foi assassinado dentro de uma das celas. De acordo com parentes dele, que pediram para não ter o nome revelado, Barão estava com várias escoriações no pescoço. Funcionários das unidades prisionais do Sistema Penitenciário de Manaus atribuem as mortes nos presídios a uma briga entre facções criminosas ligadas ao tráfico de droga. O clima no CDP é tenso desde a semana passada.

Duda já sabia que estava marcado para morrer, depois de ter sido preso, em maio. Ele procurou, por meio de seu advogado, o secretário executivo de inteligência, Thomaz de Vasconcelos, e pediu para ser ouvido. Duda revelou ter praticado vários crimes e revelou a autoria de outros que estão sendo investigados pela polícia. Antes de ser assassinado, ele foi ouvido pela titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), delegada Cristina Portugal.

De acordo com informações de policiais militares que trabalham no CDP, o homicídio aconteceu na hora do banho de sol dos presos. Eles estavam no pátio, quando Duda, que era cadeirante, dirigiu-se para o banheiro e foi seguido por Jones. No local, a vítima foi dominada pelo acusado que o matou com várias estocadas e ainda assinou o próprio nome na parede, com o sangue do morto.


Nesta terça (4), o secretário da Secretaria de Justiça e de Direitos Humanos (Sejus), Márcio Rys Meireles, informou que solicitou  um levantamento sobre as circunstâncias da morte do preso. Segundo ele, Jones foi flagrado por agentes penitenciários com o pino central de um ventilador, manchado de sangue. O objeto foi a arma utilizada para matar o cadeirante. Logo em seguida, os guardas encontraram o corpo de Denis dentro do banheiro.

A morte deixou os demais internos agitados, mas a situação foi contornada com a recolhida dos detentos para os pavilhões. Do lado de fora, um grupo de esposas que aguardavam para entrar, estavam revoltadas porque a visita foi suspensa.

Vítima era um ‘irmão metralha’
De acordo com investigações feitas pela polícia, Denis Suzano Leite, o “Duda”, era um dos integrantes do grupo criminoso considerado de alta periculosidade e envolvido com tráfico e execuções, denominado “Irmãos Metralha”, formado pelos irmãos Jacob Jessé França Dias, 28, o “Jacozinho”; Joelson Dias Franças, 29, o “Jojoba”; e Jeferson Dias França, o “Jefinho”, todos executados a tiros, provavelmente pelo grupo criminoso do traficante José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”.

Duda foi preso em flagrante no dia 7 de maio por policias da força-tarefa da Secretaria de Segurança Pública, junto com  Jadson Charles Dias Gomes, 33, o “Son”, o único irmão metralha que ainda continua vivo. Na época, duas metralhadoras 9mm, uma pistola 9mm, um revólver calibre 38, 48 munições 9mm, entre outros objetos.

Ex-paratleta
No depoimento que prestou na Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai), Duda revelou ter participado do crime de Alan Costa Rodrigues, o “Guga”, ocorrido no dia 5 de maio, no estacionamento de uma casa de eventos, na avenida do Turismo. Ele também revelou os nomes dos pistoleiros e os mandantes das mortes de Charles Oliveira da Silva, o “Camarão”, e Patrícia Oliveira da Silva, irmãos do traficante Frank Oliveira, o “Frakzinho do 40”, em dezembro de 2011.

Em 2007, Duda  era paratleta e vice-campeão brasileiro em arremesso de disco. Ele ficou em uma cadeira de rodas depois de ter sido atingido com um tiro, durante um confronto entre traficantes de droga no bairro Colônia Oliveira  Machado, Zona Sul.