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Calor e falta de infraestrutura atrapalham rendimento de crianças em escola do AM

A reportagem do portal acritica.com esteve na tarde desta terça-feira (30) na casa alugada pela Prefeitura do Município para abrigar a escola e pôde constatar os transtornos que alunos e professores são submetidos 30/10/2012 às 17:47
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Professores e pais de alunos da Escola Municipal Hervila Sousa de Assis, denunciam falta de estrutura do prédio alugado pela prefeitura de Iranduba
JOELMA MUNIZ Manaus

Alunos que estudam na Escola Municipal Hérvila Souza de Assis, localizada no município de Iranduba (localizado na Região Metropolitana de Manaus), aonde a sensação térmica chega a mais de 40 graus, têm a saúde e o rendimento escolar comprometido por conta do calor e constantes reclamações. A falta de infraestrutura leva professores a comercializar ‘dindins’ para manter ventiladores e bebedouros em funcionamento.  

A reportagem do portal acritica.com esteve na tarde desta terça-feira (30) na casa alugada pela Prefeitura do Município para abrigar a escola e pôde constatar os inúmeros transtornos aos quais alunos e professores são submetidos.

Segundo a direção da escola, são em média 152 alunos divididos nos turnos da manhã e tarde. Sem a climatização adequada nas salas de aula, os alunos já tiveram problemas de saúde que chegaram a afastar alguns das atividades escolares.

Em uma das salas, que abriga 16 crianças, apenas um ventilador espalha uma brisa quente. Questionada sobre como ministra suas aulas, uma professora que não quis revelar seu nome, assegurou que todos os dias pede ajuda a Deus, para que não precise socorreu um de seus alunos.

“Só a misericórdia de Deus para manter essas crianças em pé. Temos vivido dias de um calor descomunal, as crianças apresentam dificuldade em se manter concentradas e é difícil passar mais de uma atividade por dia”, lamentou.

Nos dias em que existe queda de energia a situação é ainda pior. De acordo com Karen Abreu de Moares Taveira, 21, mãe de um aluno com cinco anos e que frequenta o 1º período do ensino infantil, o gesto de levar seu filho até a escola deixou de ser prazeroso.

Ela explicou que além de febres frequentes seu filho já teve que ser tirado às pressas da escola por sentir fortes dores de cabeça.

“Ofertar educação é a prioridade de toda mãe que quer bem ao seu filho. Aqui encontramos professores motivados a trabalhar, mas, sem condições técnicas para isso”, ressaltou, lembrando que apenas semanas atrás, tinha que levar a criança as 13h para a escola e pegar novamente às 15h, já que, o local ficou sem ofertar água e merenda naquele período.

Brechó para angariar bebedouro

Ela lembra ainda, que ‘dindins’ – sucos congelados, vendidos ensacados – são produzidos para que a escola mantenha em funcionamento ventiladores e outros bens.

“A situação seria bem pior se não tivéssemos comprado um bebedouro. Organizamos um brechó para arrecadar o dinheiro”, disse, uma funcionária, que com medo de represália solicitou sigilo da fonte.

A gestora da escola que se identificou a reportagem apenas como Maíra, explicou que a escola já funciona naquele prédio há seis anos e que “apesar dos muitos problemas a estrutura do local já foi bastante melhorada”.

Maíra que disse estar ocupando o cargo desde junho deste ano, frisou que a situação deve ser corrigida já no próximo ano “quando uma creche será entregue pelo Governo do Estado em parceria com a Prefeitura”.


Ponte é responsável pela situação

Procurado pela reportagem de acritica.com o secretario municipal de Educação de Iranduba, José Donato, relacionou a construção da ponte Rio Negro ao aumento da demanda de alunos na escola.

“O advento da ponte fez com que mais crianças fossem matriculadas em nossas escolas. E temos que lembrar que trabalhamos sempre com o censo do ano anterior, embora tenhamos feitos todos os esforços não conseguimos resolver o problema”, falou, admitindo que o município não possui condições de arcar sozinho que a educação infantil.

José Donato confirmou a inauguração de um novo espaço para abrigar as crianças, mas, disse nem todas serão realocadas para a nova creche.“As crianças de quatro até cinco anos serão matriculadas no novo espaço, as demais serão direcionadas a outras escolas.

O secretario prometeu que a partir de 2013 o atual espaço ocupado pela escola municipal será desativado. Ele não soube precisar o valor do aluguel pago pela utilização do atual espaço.

Desidratação é a primeira preocupação

Para a pediatra Andrea Helena Galvão Gonçalves Brandão, as crianças da Escola Hérvila são um alvo fácil para a desidratação. “Essa é a primeira preocupação, essas crianças estão expostas a desmaios, queda de pressão, dores de cabeça e problemas respiratórios.

Não existem as mínimas condições para que elas possam assimilar conhecimento”, disse, frisando que o ideal não só para crianças, mas, também para adultos neste período do ano, é realizar atividades educacionais, esportivas ou de trabalho em ambientes com vasta circulação de ar.