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Camelódromo erguido no antigo balneário da ‘Companhia’ vai custar R$ 34 milhões

O CCP da Zona Leste, que recebeu o nome 'Shopping T4', será o maior da cidade e o mais caro entre os três que serão construídos pela Prefeitura de Manaus 26/02/2014 às 08:28
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Local onde funcionava uma casa de forró será transformado em galeria definitiva para abrigar vendedores ambulantes retirados do Centro de Manaus
FLORÊNCIO MESQUITA ---

O Centro de Comércio Popular (CCP) da Zona Leste (camelódromo definitivo) será o maior da cidade e o mais caro entre os três que serão construídos pela Prefeitura de Manaus, a partir da próxima semana, para retirar os camelôs definitivamente das ruas. Ele será erguido ao custo de R$ 34 milhões, no terreno onde funcionava o antigo balneário da “Companhia”, no bairro Jorge Teixeira, em frente ao Terminal de Integração (T4), enquanto que os dois CPPs, Espírito Santo e Remédios, localizados no Centro, custarão, juntos R$ 10 milhões.

O CPP da Zona Leste que recebeu o nome “Shopping T4” abrigará 761 camelôs, num complexo que terá amplo estacionamento e praça com pista de caminhada e quadras esportivas. A Galeria Espírito Santo, no prédio localizado no cruzamento das ruas 24 de Maio e Joaquim Sarmento, no Centro, terá capacidade para abrigar 326 microempresários e Galeria dos Remédios, no antigo Posto 7, localizado na rua Miranda Leão, mais 361.

De acordo com o titular da Secretaria Municipal do Centro (Semc), Rafael Assayag, o Shopping T4 será o mais caro porque “será construído do zero”, num projeto com características de centro comercial de grande porte. Em contrapartida, explicou Assayag, as galerias Espírito Santo e Remédios serão instaladas em estruturas que existem há anos e que precisam apenas ser adaptadas, “o que exige menor aplicação de recursos”.

“O custo com recuperação e menor que o custo com construção. O Shopping da Zona Leste vai ter característica de centro comercial e será construído do início, enquanto que os prédios do Centro já existem e serão recuperados a um custo menos”, disse.

Os recursos disponíveis para a construção dos CCPs definitivos são da ordem de R$ 45 milhões. Os recursos são provenientes do Fundo Municipal de Fomento à Micro e Pequena Empresa (Fumipeq). Segundo Rafael Assayag, o montante não foi aplicado na transferência para as galerias provisórias, uma vez que, é exclusivo para construção dos CCPs.

Os primeiros 588 camelôs do Centro, que ocupavam as avenidas 7 de Setembro, Eduardo Ribeiro e praça da Matriz foram transferidos para galerias provisórias nas avenidas Epaminondas e Floriano Peixoto, e rua Miranda Leão, no último domingo. Eles ficarão nos locais por quatro meses até a conclusão das galerias definitivas.

Prazo

Segundo Rafael Assayag, o prefeito Artur Neto determinou que os CCPs da Zona Leste e Centro sejam concluídos no período informado aos camelôs. Ele informou que as obras físicas das galerias do Centro devem começar a receber a adaptação no final dessa semana, ou no máximo na próxima segunda-feira. O Shopping T4 seguirá o mesmo cronograma.

Todos os demais camelôs instalados em outras ruas do Centro permanecerão nos locais até a conclusão das galerias definitivas e devem ser transferidos junto com os outros que estão nas galerias provisórias até a realização da Copa do Mundo no Brasil, que começa no dia 12 de junho.

Atrativos para os clientes

A partir desta quarta-feira, serão instalados, nas galerias provisórias, postos de venda de crédito estudantil e do Cartão Cidadão do Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Manaus (Sinetram), além de postos do Sistema Nacional de Emprego do Amazonas (Sine-AM). Uma Carreta da Mulher do programa municipal Saúde Itinerante também será levada para uma das galerias. A intenção é atrair público para os novos espaços dos camelôs para que não tenham possíveis quedas nas vendas como parte da categoria afirma que acontecerá.

Os postos do Sinetram e do Sine-AM serão instalados nas galerias Acrópolis, na Miranda Leão e Epaminondas. O local que receberá a carreta da mulher ainda está sendo definido. A prefeitura quer levar os serviços de saúde para à população, o mais perto das galerias, mas também quer evitar transtornos no trânsito. Por isso, está estudando o local mais adequado para instalar a carreta.

Além dos serviços de saúde e sociais, a Prefeitura mantém uma programação cultural nos três camelódromos com a mesma intenção de atrair os consumidores para os espaços. A programação é coordenada pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) e contempla desde música, dança e apresentações teatrais. No camelódromo Miranda Leão, por exemplo, um cantor de forró está fazendo apresentações de sucessos do ritmo. As apresentações são diariamente das 10h às 15h.

Camelôs começam a receber bolsa

A Prefeitura de Manaus iniciou, na tarde desta terça-feira (25), o pagamento da ‘Bolsa Empreendedor’, valor destinado aos camelôs que foram transferidos para os espaços provisórios como forma de incentivo à participação em cursos de qualificação.

Para evitar tumultos e filas, a determinação do Banco do Brasil, responsável pelo repasse, era para que os camelôs fossem divididos em três grupos e o recurso pago em três dias: 25, 26 e 27 de fevereiro. No primeiro dia, 200 camelôs foram selecionados para receber a ordem de pagamento, na sede da secretaria do Centro. Hoje, mais 200 camelôs irão receber a verba e o restante amanhã. “As condições para que eles recebam o benefício é estar instalados nos camelódromos provisórios e, assim que a prefeitura disponibilizar, eles se matriculem nos cursos de empreendedorismo. A intenção é que se tornem microempreendedores, aumentando seus lucros e tendo uma vida melhor”, afirmou David Reis, secretário municipal Extraordinário.

Manutenção

Antônio Moacir, camelô há 28 anos, foi o primeiro a receber o recurso no valor de R$ 1 mil. Para ele, o repasse é importante para a manutenção do sustento da família nesse período de mudança em que a categoria está se estabelecendo nos camelódromos. “É uma boa opção para a gente, porque ainda não estamos vendendo. Os clientes ainda não começaram a frequentar os camelódromos e esse dinheiro vai compensar essa falta de vendas”, afirmou.

Já para Ricardo Feitosa, estabelecido do camelódromo Epaminondas, o dinheiro será usado na compra de mercadorias e ampliação dos negócios. “Eu vou ver o que os meus companheiros estão vendendo e vou tentar comprar materiais diferenciados e com uma qualidade maior. Nesse início, temos que ter um diferencial para poder atrair mais clientes”, concluiu.

A lista com os nomes dos camelôs contemplados nesta quarta-feira (26), e quinta-feira (27), será divulgada pela Secretaria do Centro (Semc) nos próprios camelódromos, assim que for disponibilizada pelo Banco do Brasil.