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Campanha eleitoral em Manaus tem custo de R$ 25 mi

Consultores e especialistas em campanhas eleitorais traçam o mapa de custos da campanha pela Prefeitura de Manasu nas eleições deste ano e listam os itens que terão custos elevados. A de assessoria jurídica aparece entre os três que vão exigir generosas fatias de recursos financeiros 25/03/2012 às 13:46
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R$ 25 mi é o valor aproximado a ser desembolsado por candidatos que queiram disputar o cargo de prefeito de Manaus
LÚCIO PINHEIRO Manaus

A campanha de um candidato a prefeito de Manaus, com chances de ser eleito, vai custar, no mínimo, R$ 25 milhões. A estimativa foi feita por consultores de marketing político e coordenadores de campanha ouvidos por A CRÍTICA. O número ultrapassa em 62% a soma dos valores que os seis candidatos à prefeitura da cidade, em 2008, declararam à Justiça Eleitoral.

Nas ultimas eleições municipais em Manaus, Amazonino Mendes (eleito prefeito no segundo turno), Serafim Corrêa, Omar Aziz (hoje governador do Amazonas), Francisco Praciano, Luiz Navarro e Ricardo Bessa receberam R$ 15,4 milhões para bancar suas campanhas, segundo dados da Justiça Eleitoral, divulgados no site da Transparência Brasil (www.transparencia.org.br).

Um coordenador de campanha que pediu para não ser identificado calcula que somente com a contratação de pessoal, os gastos chegam a R$ 5 milhões. A assessoria jurídica representa despesas de mais R$ 10 milhões. A esses dois itens, somam-se gastos de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões com comunicação. “Não custa menos de R$ 25 milhões uma campanha para prefeito em Manaus”, afirma o coordenador.

Um consultor de marketing político, que também não quis ser identificado, afirmou que um marqueteiro não vem a Manaus coordenar uma campanha por menos de R$ 400 mil ou R$ 500 mil. “Se fizer orçamento com marqueteiro, com uma empresa de marketing político, não vai sair por menos de R$ 3 milhões. Somente com o marketing”, declarou o especialista.

Os coordenadores de campanha entrevistados pela reportagem têm uma certeza em comum: as despesas de campanha são quatro ou cinco vezes maiores que os valores declarados pelos candidatos à Justiça Eleitoral, o que evidencia a prática de caixa dois (recursos não declarados). “Eles gastam mais por fora do que declaram oficialmente. Multiplique o que declaram por cinco ou seis, no mínimo”, disseram.

Os dados da Organização Não Governamental Transparência Brasil apontam o ex-prefeito Serafim Corrêa, que tentava a reeleição, como o candidato que mais recebeu doações nas eleições de 2008: R$ 6 milhões. Amazonino Mendes (PTB), registrou doações no valor de R$ 3,1 milhões.

“Só a campanha em televisão para prefeito sai por R$ 3 milhões, no mínimo”, declarou um marketeiro. As campanhas para vereador em Manaus também movimentam somas que excedem até cem vezes o valor declarado à Justiça Eleitoral. “Tem vereador que gasta R$ 1 milhão em campanha. Há vereador que declara R$ 1 mil, mas gasta R$ 100 mil”, apontou o coordenador.

Valor de até R$ 100 milhões

O publicitário Durango Duarte, que coordena e assessora campanhas desde 1982, afirma que o custo total de uma campanha em Manaus pode chegar a R$ 100 milhões, considerando o custo médio de um voto em R$ 100.

“Mas o que é declarado sempre é 10% do que realmente se gasta. A prestação de conta é um jogo de cena. Uma hipocrisia. Mas o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) não tem culpa, pois não tem instrumentos e nem estrutura para fiscalizar as campanhas”, declarou.

Para o publicitário, é impossível controlar todos os gastos de campanha de um candidato. “Numa campanha não tem menos de 5 mil carros envolvidos. Multiplica 5 mil carros por 30 litros de gasolina por dia. São R$ 420 mil reais por dia. Se você multiplica esse valor por 90 dias de campanha (julho, agosto e setembro), daria R$ 37,8 milhões só com carro. Quem pode fiscalizar isso? É impossível. Os carros são descaracterizados. O TRE-AM faz o que pode. Mas é uma hipocrisia essa coisa de prestação de contas”, explica Durango Duarte.

O publicitário calcula que, em todo o Estado, a campanha eleitoral vai movimentar cerca de R$ 170 milhões.

Evolução profissional

O diretor de comunicação da Câmara Municipal de Manaus (CMM), jornalista Hiel Levy, aponta uma evolução na qualidade dos profissionais locais que trabalham com campanha eleitoral, o que tem diminuído a presença de equipes de outros Estados nas campanhas de Manaus.

“Há 20 anos, os profissionais de fora dominavam. Hoje, o mercado local tem uma profusão de bons profissionais. Muito profissionalismo”, afirma Hiel Levy. Em 2000, Hiel Levy trabalhou na linha de frente da campanha do senador Eduardo Braga (PMDB) para a Prefeitura de Manaus.

Como secretário de Comunicação de Governo, o jornalista trabalhou também na reeleição de Braga para o Governo do Estado, e na eleição do peemedebista para o Senado Federal, em 2010. Hiel disse que os doadores de campanha para vereadores, na maioria, são amigos dos candidatos.

“O cara doa por amizade. Ou porque é da mesma classe do candidato. Isso vale para evangélicos, sindicatos, etc. Já para o candidato majoritário, o doador é basicamente empresas que têm interesse na administração. Mas, quando falo em interesse, não falo somente de interesses não republicanos”, explicou.

Fiscalização insuficiente

O ex-coordenador de mídia da campanha do senador Alfredo Nascimento (PR) ao Governo do Estado, em 2010, Jefferson Coronel, afirma que o custo que figuras políticas têm para se manter à frente de programas de televisão, já poderia ser considerado como gastos de campanha.

“Esses empresários que aparecem, apresentadores de televisão, gastam muito. Eles não são comunicadores natos. Henrique Oliveira, Sabino Castelo Branco, Reizo Castelo Branco e Ronaldo Tabosa gastam para se manter no ar. Isso poderia ser considerado gasto de campanha. Disfarçado, mas é. Imagine se isso fosse declarado. Porque tudo já é voltado para campanha”, defende Coronel.

Para Jefferson Coronel, a fiscalização da Justiça Eleitoral, em todo o Pais, é insuficiente. “Falta controle. Tribunal, a Polícia Federal, deveriam fazer blitze por amostragem. Fiscalizar material que é entregue por cada candidato. Pois ainda é muito falha a fiscalização. Funcionários de uma campanha, por exemplo, se você for pedir documentação de quem está trabalhando na equipe, vai ver que não tem ninguém com carteira assinada. Não existe fiscalização, infelizmente”, afirmou.

É lei

Os partidos políticos, as coligações e os candidatos são obrigados, durante a campanha eleitoral, a divulgar, pela Internet, nos dias 6 de agosto e 6 de setembro, relatório discriminando os recursos em dinheiro que tenham recebido para financiamento da campanha, e os gastos que realizarem, em sítio criado pela Justiça Eleitoral.