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Manaus
Cotidiano, Urbanismo, Arborização, mobilidade urbana, árvores

Canteiros centrais de Manaus oferecem sombra aos pedestres

Espaços destinados a arborização e calçadas são elogiados pela população, que se refugia nele do sol e do trânsito selvagem 29/04/2012 às 14:53
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Flamboyants nos canteiros centrais do Boulevard, além de embelezar o espaço, oferecem conforto térmico
Ana Célia Ossame Manaus

Desde o primeiro jardim, criado por Deus no Paraíso, segundo a Bíblia, os espaços com arborização encantam e deleitam não só pela beleza, mas também pelo conforto térmico oferecido.

Em Manaus, onde a temperatura costuma ultrapassar a casa dos 40 graus no período de sol, os canteiros centrais arborizados existentes nas vias públicas têm a importante função de servir de abrigo para o pedestre, seja na travessia de pistas com dois rolamentos ou para a prática de esportes, como destacou o professor doutor em Geografia, Geraldo Alves dos Santos, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

No total, a cidade, de Norte a Sul, tem 42 canteiros centrais com arborização. Um dos mais bonitos e pujantes está no caminho da avenida Getúlio Vargas, no Centro, Zona Sul, onde os pés de benjaminzeiros formam um manto vegetal que dá uma sombra invejável aos dois lados da pista, um privilégio para quem fica no engarrafamento.

“Ainda bem que deixaram de podar as árvores de forma radical, aleijando as plantas e as deixando sem função”, comentou o professor Reinaldo Alves, 52, que gosta de desfrutar daquele espaço quando vai ao Centro.

Boulevard de Passeios
Na avenida Senador Álvaro Maia (Boulevard), os pés de flamboyants e as calçadas amplas são aproveitadas pelos que costumam praticar esportes aeróbicos como caminhada e corrida. “Isso aqui é um privilégio”, afirmou o aposentado Irineu Gonçalves, 68, que diariamente percorre as calçadas de um dos trechos da via por uma hora.

Na Getúlio Vargas, quem trabalha com venda ambulante não dispensa a copa dos benjaminzeiros. Caso de Fátima Cassiano Silva, 48, vendedora de perfume para veículos. “É muito mais gostoso ficar debaixo das árvores”, conta ela, que trabalha durante todo o dia.

O contabilista José Lemos Jr., 65, elogia esses espaços que, na opinião dele, deveriam ser sempre preservados e multiplicados. Há falta de um na avenida Mário Ypiranga Monteiro, antiga rua Recife, cuja largura dificulta a travessia. Na Umberto Calderaro, antiga Paraíba, uma ação do Ministério Público do Estado impediu a retirada do canteiro.

Pau-pretinho
Segundo o diretor de Arborização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Heitor Liberato, o órgão tem um levantamento da situação dos 42 canteiros centrais principais e executa neles a manutenção.

Há o cuidado em usar mudas de padrão de corte maior, mais fáceis de pegar. Outro cuidado é o de esperar para plantar ou replantar em vias onde deverão acontecer as obras viárias visando a Copa do Mundo de 2014 como o monotrilho e o sistema de BRT.

A atual administração da Semmas opta pelo uso de espécies como o Pau-Pretinho na arborização, por ter raiz profunda e copa grande.

Vários canteiros nas Zonas Leste e Norte ganharam mudas da espécie que, quando estiverem adultas, garantem beleza das flores e o conforto da sombra, essenciais numa cidade de temperaturas elevadas.

Importantes para o pedestre
O geógrafo Geraldo Alves, da Ufam, diz que do ponto de vista da origem, os canteiros estão relacionado com o embelezamento das cidades, tendência herdada de países europeus como a França. Para ele, os que contam com ajardinamento são destaques de cidades como Brasília e Curitiba, dando um toque de suavidade em meio ao concreto.

Eles são interessantes, também, para se colocar placas de orientação de trânsito e, mais ainda, para mobilidade urbana. Mas uma função importante desses espaços é para a mobilidade urbana, por servirem de abrigo para os pedestres na travessia de vias de sentido duplo.

“Às vezes escapa da gente a complexidade do trânsito, mas não é raro ver numa via de sentido único a pessoa olhando para os dois lados”, explica ele, lembrando que para quem não é da cidade, os canteiros facilitam identificar qual a direção dos veículos.

Nos canteiros estreitos, identificados por linhas amarelas ou os chamados dentes de dragão, ele aponta os riscos de uma pessoa passar mal e não ter onde ficar protegida. O especialista aponta os riscos trazidos pelos canteiros estreitos, as linhas amarelas ou “dentes de dragão”.

Não é raro passar uma pessoa espremida entre os dois fluxos. E se ela passar mal, forçosamente vai acabar sendo atingida, ressaltou. Falta um canteiro mais espaçoso, destacou ele.

“Deve-se incluí-los sempre nos projetos urbanos”, disse ele, lembrando não ser necessários criá-los no interior dos bairros, mas sim nas vias de captação, a não ser que haja prioridade na questão do embelezamento.

A mais antiga manifestação do paisagismo no Brasil ocorreu na primeira metade do século XVII, informa o Instituto Brasileiro de Paisagismo (Ibrap).

Ela ocorreu em Pernambuco, por obra de Maurício de Nassau, durante a invasão holandesa, da qual restou uma grande quantidade de laranjeiras, tangerinas e limoeiros plantados e raros desenhos pouco nítidos de Frans Post.

Oficialmente, no entanto, o paisagismo iniciou-se com a chegada de Dom João VI em 1807, com a criação do Jardim Botânico para cultivar espécies vegetais.