Publicidade
Manaus
Saúde

Terapia de 'caretas' ajuda pacientes com doenças comportamentais

Método, conhecido como “Mãezinha do Céu: ações preventivas e terapêuticas”, começou a ser usado na UBS 7 do bairro Aparecida, na Zona Sul, em 2012 13/05/2016 às 10:47
Show elvira
Terapeuta apresentando a técnica da careta (Euzivaldo Queiroz)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Uma terapia que  realiza caretas articuladas com movimentos das mãos vem ajudando, nos últimos quatro anos, diversos pacientes com problemas sérios de depressão, hiperatividade e os envolvidos com a dependência química. Eles fazem este tratamento  na Unidade Básica de Saúde (UBS) 7, que atende os moradores do bairro de Aparecida, Zona Sul.  

A terapia, conhecida como “Mãezinha do Céu: ações preventivas e terapêuticas”, teve início em 2012  quando a consultora Educacional e Terapeuta Elvira Eliza França foi convidada pela médica responsável pela unidade, Tatiana Arruda, para iniciar  as atividades com alguns pacientes. “Sempre tivemos casos decorrentes de estresse, depressão e outras doenças atendidas em nossa unidade. E como temos a parceria na comunidade  Pastoral da Sobriedade do Santuário de Aparecida, por este meio conheci o trabalho da Elvira. Participei do projeto e também a convidei para realizar o procedimento com nossos assistidos”, contou Arruda.

As Caretas

Após passar por um processo de depressão, Elvira França iniciou uma pesquisa, em 1999, pela qual se propunha a fazer um levantamento do histórico de vida de pessoas que promovem a saúde por meios não-convencionais em Manaus. Com isso, buscou mecanismo desde os métodos dos curandeiros além de várias pesquisas. “Neste período havia no Estados Unidos um estudo com os monges budistas para poder descobrir como funcionava a mente dessas pessoas. Então, lembrei que aqui também temos pessoas que usam essa técnica, e fui em busca dessas pessoas nos bairros. Fiz um estudo das mãos e das faces, organizei todo o processo de informação que essas pessoas realizam com esses membros e criei a técnica terapêutica com o estudo da linguagem realizado com essas pessoas”, contou.

Com base na pesquisa, Elvira descobriu que a careta é uma forma natural do sistema nervoso de aliviar de forma mais rápida a tensão. “Quando uma criança está sentindo alguma emoção, de imediato libera com uma careta, um berro ou um choro. Porém a sociedade tem mania de inibir, mas se a pessoa tiver um espaço para liberar aquela emoção não irá fazer mal para aquela a pessoa”, explicou.

Vendedor conta que largou as drogas com a terapia

Para comemorar os quatro anos que a terapia de caretas articuladas com movimentos das mãos é realizado na Unidade Básica de Saúde (UBS), Elvira Eliza França levou a técnica ontem ao participantes do Centro Estadual de Convivência do Idoso da Aparecida.

Durante o evento, a terapeuta contou como surgiu  toda a técnica da careta. Além disso, apresentou toda a metodologia do processo das caretas.

Várias pessoas que participam do processo  foram convidados para dar testemunho da atividade. O vendedor Francisco Raul Vasconcelos, 30, foi um dos integrantes da terapia convidado a participar deste momento. 

Francisco contou que desde novo se envolveu no vício das drogas. A mãe de Francisco, sem saber o que fazer, resolveu procurar ajuda e conheceu a terapia. “Em um mês de atividades com a terapia da careta, larguei as drogas, comecei a me sentir melhor, e toda vez que sentia vontade de usar, realiza as caretas”, contou.

Diploma e Mérito pela Vida

Com essa metodologia da careta, Elvira Eliza França recebeu o diploma do “Mérito Pela Valorização da Vida” da Secretaria Nacional Antidrogras, por ser considerada referência nacional de responsabilidade social e promoção da cidadania pelo trabalho.

Blog

"Desde pequeno sempre dei muito trabalho para a minha mãe, pois era uma criança inquieta, não era obediente e adorava malinar dos meus colegas. O motivo foi simples: Era totalmente imperativo. Sem mais saber o que fazer, minha mãe recebeu a indicação do tratamento da careta com a Elvira, no qual sou totalmente grato por todo o empenho e dedicação nessa terapia. No início não aceitava a fazer as caretas, mas desde que fui realizando a atividade comecei a melhorar. Hoje com 16 anos, continuo com as atividades e com o acompanhamento da terapia, me tornei outra pessoa. Renasci para uma nova vida. Me dedico aos estudos e sou uma pessoa totalmente diferente que já fui um dia."  -  Mateus Pacheco Martins, estudante.