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Carreteiro admite irregularidade no transporte de cargas pesadas no Amazonas

Carreteiros que trabalham no transporte de carga admitem que transportam contêineres sem os pinos de segurança 12/05/2012 às 19:02
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Segundo relatos de motoristas, contêineres são transportados soltos
Florêncio Mesquita ---

O carreteiro Francisco Oliveira, 46, há 11 anos trabalha no transporte de carga e admite que transporta contêineres sem os pinos de segurança. “O carreteiro pega a carga porque precisa do emprego. Mesmo vendo que a carreta não tem condições de trafegar pela rua, a empresa manda que o cara leve para o cliente. Infelizmente a gente precisa trabalhar assim”, disse.

Segundo Francisco, em muitos casos as cargas são levadas as pressas para o cliente. “Quando a carga é para fábrica tem que ser rápido. Às vezes a fábrica já está com a linha de montagem em processo e o carreteiro precisa levar o material para abastecer a fábrica, senão, o processo pára e é prejuízo para todo mundo”, disse.

Ele explica que somente o contêiner vazio pesa 4,5 mil quilos, além da carga que pode chegar a 40 toneladas. Segundo ele, existem dois tipos de contêineres: o primeiro é o de 20 pés que tem 6,5 metros de cumprimento e capacidade para carregar até 21, 5 toneladas; e o de 40 pés que mede 12,5 metros, tem capacidade para transportar até 40 toneladas. O contêiner de 20 pés, explica, leva quatro pinos de segurança (locks) e o de 40 pés leva dez pinos. “Todos devem estar devidamente fixados no contêiner para que ele não saia do trole, senão, o risco de acidente é grande”, explica.

Ele afirma que os carreteiros pegam as cargas com troles danificados porque dependem do salário, atualmente em torno de R$ 1,3 mil. O valor é considerado defasado. “É um valor muito baixo para uma profissão de risco. Mesmo não sendo o principal motivo o salário também influencia para que a maioria ande sem ‘lockear’ o contêiner”, disse.

O baixo salário com o grande risco faz com que o carreteiro migre da condição de empregado para a de autônomo em busca de um salário melhor. Os carreteiros que trabalham por conta própria chegam a ganhar até R$ 350 por dia. Em 24 dias de trabalho o autônomo ganha R$ 8,4 mil. Parte desse dinheiro é usado na compra de combustível, óleo e na manutenção geral do veículo.

No entanto, trabalhar por conta própria ainda é uma conquista limitada. Segundo Marcelo, poucos carreteiros conseguem ser autônomos por causa do custo do caminhão. Ele conta que um cavalo mecânico novo custa R$ 220 mil. Em contrapartida, um meia vida, como é conhecido o carro de segunda mão, custa de R$ 80 a 90 mil.

“Com um salário de R$ 1,3 mil e com família para sustentar é difícil comprar o próprio carro. Quem consegue comprar, pelo menos, um meia vida roda sem problemas por um ano e consegue cobrir o gasto com o caminhão”, explicou.