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Manaus
Ajuda ao próximo

Em atividade há 36 anos, Casa do Idoso São Vicente de Paulo necessita de doações

O abrigo existe há 36 anos e durante muito tempo foi mantido apenas com ajuda de doações e da mensalidade que os aposentados pagam para morar no local. 08/05/2016 às 22:30 - Atualizado em 09/05/2016 às 12:07
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Mesmo com melhorias na casa, idosos ainda precisam de doação (Fotos: Winnetou Almeida)
Luana Carvalho Manaus (AM)

“O rio corre pra baixo, no meio faz um remanso, no dia que não te vejo meus olhos não têm descanso”, recitou Antônio Jerônimo Cordeiro, 85, mais conhecido como poeta Gegé, na sala de seu pequeno apartamento, cujas paredes de cores frias da sala, preenchida por murais de fotografias, retratam os amigos que fez durante a vida: a maioria foi conquistada ao longo dos últimos onze anos, na Casa do Idoso São Vicente de Paulo. 

O abrigo existe há 36 anos e durante muito tempo foi mantido apenas com ajuda de doações e da mensalidade que os aposentados pagam para morar no local. Há pouco mais de um ano, graças ao apoio do Fundo de Promoção Social (FPS) do Amazonas, as coisas começaram a melhorar para os idosos. Agora, por exemplo, todos possuem aparelhos de ar-condicionado em seus quartos, televisões, e logo mais ganharão um refeitório e uma enfermeira totalmente revitalizados. 

Embora eles estejam mais felizes com as melhorias na qualidade de vida, a casa ainda precisa de doações para manter os 26 idosos. A coordenadora do local, Eline Matos, relata que as doações ainda representam boa parte do recurso que mantém o abrigo. Leite em pó e líquido, feijão, óleo, vinagre, sal e farinha são, atualmente, as maiores necessidades. 

Materiais de higiene para idosos, como lenços umedecidos geriátricos – utilizados em idosos acamados, fraldas geriátricas tamanho ‘G’, lençóis e edredons também fazem parte da lista de necessidades da casa. 

“Hoje nossa estrutura está um pouco melhor do que era antes, temos uma equipe composta por fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas, além de um médico voluntário que nos visita todos os sábados. Já tivemos muitos avanços, como a aquisição de uma van para levar os idosos para passeios, mas ainda assim continuamos vivendo de doações, que são sempre bem vindas e muito importantes”, explicou Eline. 

‘Anos bem vividos’

E o poeta Jerônimo, romântico assumido, viveu todas essas transformações no abrigo. “Eu comecei escrever poema em 1956, me apaixonei por uma enfermeira por nome Dora, essa paixão me levou a loucura porque convivi com ela durante sete anos ela me abandonou. Até hoje eu não sei o motivo”. 

Paraíbano nascido em Campina Grande, ele veio para Manaus aos 10 anos. Teve quatro companheiras ao longo da vida e, quando a idade chegou, foi morar na casa do idoso por conta própria, depois de ouvir de um dos filhos que ele "estava dando muito trabalho".  “Eu tenho diabetes então passava mal e precisava de um auxílio maior. Quando meu filho disse isso, procurei um advogado que eu conheço desde que ele era criança, e ele providenciou minha vinda. Este meu filho faleceu. Mas além dele, tenho outros filhos. Mas apenas uma filha vem me visitar de vez em quando”, lembra.

Mesmo assim, o poeta não reclama da vida. “Eu me sinto feliz porque quando eu vim pra casa do idoso eu fiz três juramentos: fazer amigo, ser amigo, e ter as idosas e os idosos como meus irmãos. Há males que vem para o bem, e desde quando cheguei, não precisei mais ser levado ao pronto socorro”. 

A única reclamação do aposentado é em relação a alimentação. “Como já somos velhinhos, temos que fazer dieta. É uma comida sem sal, sem gosto”, disse, caindo na gargalhada segundos depois. 

'Fundador hoje vive na Casa do Idoso'

Quando ajudou a fundar a Casa do Idoso, há 36 anos, o aposentado Claudiano de Souza, hoje com 81 anos de idade, não imaginava que um dia necessitaria do apoio da instituição regida pela Sociedade de São Vicente.  Vicentino, ele foi papel fundamental para a construção do abrigo. “Eu era pedreiro, mas não sentei um tijolo. Meu papel era fazer campanha e ir atrás de doares para que pudéssemos erguer a casa”.

Viúvo, ele se emocionou ao lembrar do início da história da casa. “É até irônico. Eu ajudei a construir tudo isso”, disse, pausando a fala por conta da emoção. “Eu preferia ficar na minha casa. Mas fui ficando doente e meus filhos não tiveram condições de cuidar de mim. Apesar de tudo, me sinto feliz aqui. A gente vai ao cinema, balneários, chácaras entre outros passeios”, completou.

Número

26 idosos vivem atualmente na Casa do Idoso São Vicente de Paulo. Para doar, procurar o local, na rua Jerônimo Ribeiro, bairro São Raimundo, Zona Oeste. Para mais informações basta ligar para 36257569.