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Manaus
PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Casarões históricos do Centro de Manaus ameaçam desabar

Sem uma ação efetiva da Prefeitura de Manaus, imóveis de proprietários particulares ameaçam desabar sobre vizinhos e pedestres que passam pelas calçadas 18/06/2017 às 10:58 - Atualizado em 18/06/2017 às 11:04
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Sem conservação, prédios abandonados são ameaças para vizinhos e pedestres. Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus

Os casarões históricos do Centro de Manaus, que remetem ao tempo áureo da borracha, estão se decompondo diante da ação do tempo e do descaso dos proprietários e do poder público, que pouco ou nada faz para garantir ao menos a segurança dos vizinhos e dos pedestres que passam nas calçadas dessas edificações. Enquanto nada é feito, a cidade vai perdendo parte da história que era contada por essas construções em ruínas.

Um exemplo de prédio centenário que ameaça a vida de quem vive por perto é o  da antiga Fundição Dom Ramiro, localizada na rua Frei José dos Inocentes. A edificação  está desabando e uma das paredes pode cair em cima de uma vila de casas, todas habitadas. A estrutura do telhado já cedeu e as telhas começaram a cair. A parte de  ferro, que ainda dava sustentação ao restante do prédio, também começou a ceder e dessa forma fragilizou  as paredes do prédio.

Segundo a dona da vila de casas, localizada ao lado da antiga fundição,  Larissa Gonçalves Marques, 28,  há cerca de um mês uma das paredes começou a ruir e desabar, desde então ela convive com o medo de que uma tragédia aconteça. “Tinha um inquilino aí nesse prédio, mas depois que a estrutura começou a cair, ele entregou e alugou outro aqui na mesma rua”, contou.

De acordo com  Larissa, logo após o primeiro desabamento, funcionários da Defesa Civil do município estiveram no local, mas não tomaram qualquer tipo de providência para garantir a segurança e integridade do prédio. “Estiveram aqui, olharam, mas nada além. Não sei mais o que fazer”, lamentou. Larissa contou ainda que  sete famílias moram na vila e todos temem que uma desgraça aconteça, mas não se mudam porque não têm condições de alugar uma casa em outro lugar. “Assim como eu, eles também ficam com medo, mas não têm para onde ir”, diz a próprietária da vila.

Esquecimento
Para o arquiteto Deleon Santiago, 25, com o descaso e o abandono das construções históricas, a cidade vai perdendo parte da sua história. “Não é só estética, esses prédios contam uma história, a nossa história, eles pertencem a uma época, eles contam o que Manaus foi lá no início”, afirmou.

Para o arquiteto, em casos de prédios particulares, os donos deveriam ser cobrados pelos órgãos públicos para que executem as reformas necessárias. “Acontece que muitos donos não querem ter trabalho, eles precisariam contratar mão de obra especializada, precisariam de aprovação em órgãos específicos e muitos deles não querem ter esse trabalho”, ponderou.

Santiago também afirmou que, em casos de pessoas que não conseguem manter os casarões, os órgãos públicos deveriam comprá-los e transformá-los em museus, por exemplo. “Manaus precisa contar a sua história por meio desses prédios e seria muito interessante abrir esses casarões e contar as histórias dos antigos moradores, da cidade no passado”.

Proprietários
A Prefeitura de Manaus informou que a obrigação de cuidar e reformar os imóveis particulares com interesse histórico é dos proprietários.  Conforme a legislação vigente, os donos  de terrenos ou imóveis abandonados, sem manutenção ou limpeza, podem ser multados pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).

Contudo, segundo nota da prefeitura, muitas vezes, os proprietários ou responsáveis pelos imóveis não são localizados pelo município, dificultando a ação da fiscalização para melhoria das unidades históricas e consequente revitalização do Centro. A população pode ajudar nessa identificação, denunciando pelo Disque Ordem 161.

 Uma outra dificuldade para se encontrar os donos destes imóveis é o desaparecimento dos herdeiros, que muitas vezes mudaram de cidade.

Custos serão compensados
O arquiteto Deleon Santiago destaca que a reforma e revitalização de prédios históricos valoriza e estimula a população a frequentar o Centro. “O investimento pode ser alto. Porém, o custo benefício será recompensado porque aquelas áreas voltarão a ser frequentadas, voltarão a ser points e estimularão a população a passear pela cidade”, afirmou. A CRÍTICA tentou ouvir proprietários de alguns destes prédios, mas eles não quiseram dar entrevistas sobre os mesmos.

98 - Imóveis com algum interesse histórico estão  em situação de abandono no Centro, conforme o último levantamento feito pelo poder público no ano de 2010. O mais famoso dele, na rua Bernardo Ramos, é o que abrigou o Hotel Cassina.