Publicidade
Manaus
Manaus

Castelinho e o Luso Sporting Clube completam um século

O castelinho dos Miranda Corrêa, onde funciona a cervejaria Heinekken, tem linhas arquitetônicas inspiradas em cervejarias alemãs, em breve entrará em reforma. O  Luso Sporting Clube é outro marco arquitetônico em Manaus (AM), que tem sofrido com as pichações, no Centro da cidade 31/03/2012 às 20:43
Show 1
Club Luso Sporting, no Centro de Manaus
Ana Paula Sena Manaus

Os prédios históricos da Fábrica de Cerveja Miranda Corrêa, conhecido como castelinho, no bairro Aparecida; e do Luso Sporting Club, ambos no Centro, completam cem anos de muita tradição e história neste ano. Carregando lembranças de uma década quase esquecida pelos amazonenses, os prédios foram inaugurados num período em que a Amazônia estava em plena decadência do pós-ciclo da borracha.

O castelinho dos Miranda Corrêa teve a pedra fundamental assentada em 20 de fevereiro de 1910 e foi inaugurado em 10 de outubro de 1912 pelos irmãos Miranda Corrêa: os engenheiros Luís Maximino e Antonino Carlos; o almirante Altino Flávio, e o médico Deocleto Clarivaldo. 

No local foi criada a primeira fábrica de gelo e de cerveja da Região Norte, além de dotar Manaus de um edifício notável com seis andares e uma torre artística, projetada segundo as linhas adotadas nas cervejarias alemãs.

Lá, teve início a produção de cerveja e chope em barris, que fariam fama entre os manauenses. A cerveja XPTO, uma das mais conhecidas da época, sobreviveu aos seus criadores, continuando a ser fabricada por mais de 50 anos. Ganharam o mundo, pois eram servidas nos navios que saiam de Manaus rumo à Europa.

Nesse período a riqueza de Manaus devido à borracha, flexível e à prova d'água, causou furor em um mundo em plena expansão industrial, mas acostumado a lidar apenas com madeira e ferro a cidade recebeu várias construções imponentes, o castelinho foi um fruto dessa época.

A alta sociedade manauense queria usar a beleza para transformar a cidade e, naquele momento, aspirar melhores condições de vida implicava em reproduzir o modelo europeu. 

Com estilo de um castelo bávaro a fábrica também inovava nas tampas das garrafas de cerveja desenhando o mapa do Amazonas e seus rios, circundado pela inscrição Cervejaria Miranda Corrêa. 

Em 1973, a Cervejaria Miran da Corrêa começou a fabricar a marca Brahma com equipamentos mais avançados e a partir daí assumiram as empresas Molson Coors (2000), Cervejarias Kaiser (2002) Femsa Cerveja Brasil (2006) e desde 2010 a cervejaria Heineken, uma das maiores cervejarias do mundo e que possui mais de dez marcas de cervejas. Duas são fabricadas e produzidas na Fábrica Miranda Corrêa, a Bavaria e a Kaiser.

Atualmente, o castelinho encontra-se fechado para visitação e ainda este ano vai receber uma reforma na pintura. Várias rachaduras e vidros quebrados podem ser vistos no prédio que há cem anos era freqüentado pela mais alta sociedade amazonense, inclusive com visitas do presidente Getulio Vargas em 1940, quando o governador era Álvaro Botelho Maia. No prédio também foi construído o primeiro elevador elétrico do Brasil.

Portugueses buscavam a interação
O Luso Sporting Club era um clube da colônia portuguesa em Manaus, e ainda hoje é um dos mais conhecidos. Foi fundado por comerciantes interessados na prática do futebol e na interação com a cidade.

Os pioneiros eram 11, todos sem grandes recursos. A fundação aconteceu no dia 1º de maio de 1912 na casa de Francisco Rodrigues. No auge da popularidade, o Luso reunia 10 mil espectadores durante os jogos no estádio Parque Amazonense (demolido em 1976). A saída do futebol deu-se em 1934. Atualmente, está definitivamente licenciado das competições de âmbito profissional da Federação Amazonense de Futebol, atuando apenas como um clube amador.

Devido o clube não conseguir mais arcar com os reparos no prédios - hoje há ainda uma sede campestre no km 2 da BR 174, uma sede social, na rua Monsenhor Coutinho, Centro, há 10 anos o clube está alugado para a Universidade do Norte (Uninorte). Manteve, contudo, e o Centro Cultural Luso, na rua Ferreira Pena, Centro, onde é possível conhecer equipamentos, móveis e roupas da época da fundação.

O presidente do clube, Jair Correa, conta que com a construção de prédios modernos na cidade, os clubes antigos foram esquecidos pela população. “Outro fator são os lançamentos de empresas da construção civil, que oferecem lazer e entretenimento às pessoas e com isso a procura por clubes sociais praticamente acabou”, enfatizou.

Festa na terrinha
Jair explica que para arrecadar fundos, o clube realiza eventos e conta com a contribuição de cerca de 500 sócios. Uma realidade bem diferente de cem anos atrás quando o Luso oferecia atividades esportivas como o futebol, remo, basquete, artes cênicas e possuía inclusive uma escola chamada João de Deus.

Para comemorar o aniversário e manter viva a história do Luso, o presidente revela que será realizada uma grande festa no Studio 5 Festival Mall, no dia 30 de abril a partir das 20h, onde será oferecido um jantar típico de Portugal, com a participação da cantora Fafá de Belém.

No dia 1de hoje será realizado um Porto de Honra e a entrega da medalha do Centenário para associados e convidados, tudo no salão nobre da sede social.

Personagem
Alvino Ribeiro

“A história dessa cervejaria é única e precisa ser  festejada, inclusive traremos um caminhão  com tanques de cervejas, chamado micro cervejaria, para servir ao publico”, revela o diretor da Heineken em Manaus, Alvino Ribeiro, adiantando que uma grande festa vai comemorar os 100 anos do prédio.

Alvino adianta que a festa será grande e num lugar ainda não divulgado. O diretor destaca  a grande visão do empresário Miranda Corrêa há 100 anos, num tempo em que para se construir era preciso mão de obra enorme.

- “Sem dúvida era um homem com muita visão, ousou construir essa fabrica em uma época em que não se imaginava o crescimento desse setor no Brasil”, disse.