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Cotidiano, IBGE, Censo 2010, Comportamento, Casamento

Censo 2010 revela que o casamento no Amazonas está em baixa

Casamento em baixa no Estado Número de casados no Amazonas caiu de 25% da população para 23,5%. Em dez anos dobrou o número de divórcios oficiais 28/04/2012 às 08:25
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O casamento tradicional, com os compromissos religioso e civil, ainda permanece forte, mas a união consensual é a opção da maioria dos casais amazonenses segundo apurou o Censo 2010
Maria Derzi Manaus

Dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) mostram que o amazonense está casando menos em relação à análise anterior. Enquanto em 2000 o número de casados chegava a 25% da população, em 2010 esse número caiu para 23, 5%. Em compensação, o número de divorciados aumentou: subiu de 0,76% em 2000 para 1,52% em 2010.

Mesmo assim, parece que o amazonense está preferindo ficar mesmo solteiro pois o percentual referente a esse estado civil subiu de 70,6% para 71,4%. A união consensual, na qual o casal vive junto sem contrair matrimônio civil e religioso está em alta no Amazonas, com relação à natureza das uniões. Esse tipo está 9,2% maior do que os outros tipos de união, colocando o Amazonas no 4º lugar no ranking nacional de união consensual.

O Censo revelou que há 12 anos esse tipo de união correspondia a 48,1%, aumentando, em 2010 para 54,6% e o Município de Atalaia do Norte lidera as uniões consensuais com 88,5%, Japurá 81,3% e Tonantins 75,3%. Manaus possui 52% de casais que optaram pela união consensual, mas entre as capitais brasileiras a cidade ocupa 48ª posição.

Casar ou não casar
Mesmo preferindo o casamento civil ao religioso, os amazonenses apresentaram uma queda na opção de contrair matrimônio de 17,2% para 14,6% em 2010. No religioso foi de 12,1% em 2000 para para 7,8% em 2010. No Amazonas a maioria dos casados se concentra em Careiro da Várzea com 38%. Já os solteiros estão em maior proporção em Tonantins com 91,1%.

Manaus está na 6ª posição com 66,5% de solteiros. Na capital, os solteiros são 27% da população,dado que coloca a cidade em 21º no ranking das capitais brasileiras em solteiros. E parece que o amazonense não quer, realmente, se comprometer maritalmente, porque o número de divórcios no Estado dobrou de 0,76% em 2000 para 1,52% da população amazonense em 2010.

Filhos
Mesmo com as divergências, entre a natureza das relações matrimoniais o número de filhos continua a crescer no Estado. A média de nascimento por ano é de 71 mil. Um total de 59,1% das mulheres amazonenses a partir de 10 anos já tiveram filhos: 803 mil mães geraram 2.868 mi decendentes.Destes, 102 mil nasceram mortos. A maioria das mães acima de 10 anos, 67,9%, mora em Silves.Em Manaus, esse índice é de 59,4%.

 “Eu entendo que o fato dos amazonenses não buscarem mais o casamento é uma conseqüência de uma sociedade descristianizada. O casamento está muito ligado a fé católica, quando quase todo mundo era católico. Hoje a sociedade está pluralizada, o número de religiões cresceu, avalia o padre Alcimar Araújo.

Outro fator apontado por ele é a perda de capacidade das instituições de formarem critérios, balizar a sociedade.

“O casamento faz parte disso. Há muita degradação dos valores morais, do respeito pelo outro. Isso gera uma sociedade de pessoas que não se comprometem. Elas pensam que não casar, apenas viver junto, é como se fosse uma experiência. Aqui no Amazonas, historicamente, a tradição da família não é forte, as famílias são muito desreguladas. É provado por pesquisas que os filhos de pais separados tendem, no futuro, se separarem. A igreja percebe isso tudo e tenta reverter”, observa.

Outros dados do IBGE
Dos 3.483.985 habitantes do Amazonas, um total de 362.241  (10,4%) não nasceram aqui. Outros 15,3% da população migrou de outros Estados totalizando 276.497 pessoas.

Apenas 35 municípios amazonenses possuem mais de 70% de sua população de dez anos ou mais de idade sem instrução ou com o ensino fundamental incompleto.

Doze municípios possuem menos de 50% de domicílios abastecidos com agua canalizada. 80% dos domicílios possuíam água canalizada. Manaus tem 92% e Careiro da Várzea apenas 27%.

O Amazonas está em segundo lugar maior do Brasil em frequências escolar do país, mas um alto índice de habitantes que nunca frequentou a escola.

Um total de 37,8% dos amazonenses frequentam a escola, porcentual maior até mesmo que a média do País. Isso faz com que o Amazonas seja o segundo Estado com maior porcentual de sua população frequentando escola, ficando atrás do Amapá com 38,3%.

Quanto os índices de abandono escolar, o Amazonas aparece com a 25ª posição com 46,9%, mas está em terceiro lugar nas cidades que possuem habitantes que nunca frequentaram a escola, totalizando 15,2 dos amazonenses.

Japurá é o município com maior frequência escolar 46,9%. Em contrapartida a Santa Isabel do Rio Negro com 24,9% da população nas escolas e 52,2% de habitantes que nunca frequentaram a escola, seguido por Atalaia do Norte (40,6%) e Ipixuna (38,4%).

Um total de 36,9% da população de Manaus está na sala de aula. A capital possui o menor índice de pessoas que declararam nunca terem frequentado escola, um porcentual de 9,8%.

Mesmo com a constante chegada de imigrantes para Manaus, o Censo 2010, indicou que o estado possui apenas 7.092 estrangeiros residentes,0,20% da população.

Um total de 2.726 conseguiram a naturalização, principalmente no município de Tabatinga, onde 3,44% estrangeiros residem e, Benjamin Constant, em segundo lugar com 1,37%, refletindo a realidade das cidades que fazem fronteira com outros países.