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Centro Histórico: Mentira é usada para manipular camelôs

Grupo de camelôs interditou avenida em protesto contra a prefeitura sobre retirada das ruas do Centro e inventa que o auxílio de R$ 1 mil terá de ser devolvido 19/02/2014 às 08:49
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Manifestantes só aceitam sair das ruas quando estiverem prontos os Centros de Comércio Popular
Florencio Mesquita ---

Um grupo de aproximadamente cem camelôs, de um universo de 637, promete resistir à ação da Prefeitura de Manaus de transferir a categoria para camelódromos provisórios, no Centro. Eles fecharam parcialmente a avenida Eduardo Ribeiro, na manhã desta terça-feira (18), em protesto contra o projeto de galerias populares provisórias e afirmaram que não deixarão os locais onde estão instalados.

O grupo é formado por camelôs que atuam na praça da Matriz e avenidas Eduardo Ribeiro e 7 de Setembro. As bancas permaneceram fechadas até o fim do protesto. “Vou me acorrentar na banca e quero ver quem é que me tira”, disse Maria Miranda, 45, que há 23 anos é camelô na avenida Eduardo Ribeiro.

Enquanto o grupo se posicionou contra a saída, mais de 500 outros camelôs aceitaram a transferência. “É o melhor para cidade. Podia ser na Copa ou em outro evento, mas isso ia acontecer um dia. O projeto que prefeitura tem vai organizar não só o Centro, mas os camelôs e transformar a gente em microempresários”, disse o camelô Raimundo Maciel, 45.

O grupo promete fazer dois novos protestos, sendo o primeiro amanhã e o outro no sábado. Eles querem permanecer no Centro até que os Centros de Comércio Popular (CCP) definitivos sejam concluídos. Eles montaram uma comissão com 20 representantes e que irá a sede da prefeitura, na Compensa, Zona Oeste, logo após o protesto de quinta-feira.

O grupo não aceita a transferência para galerias provisórias nas avenidas Epaminondas, Floriano Peixoto e rua Miranda Leão, porque alega que os locais não têm estrutura adequada e que eles terão prejuízos. O município pretende realocar os camelôs no próximo domingo.

Opinião pública

Durante o protesto, a população que passou pelo local defendeu que é preciso organizar o Centro e isso só será alcançado começando pela transferência dos vendedores. “Manaus é uma metrópole e não pode mais ser tratada como uma província. A situação dos camelôs tinha que ser tratada como está sendo agora. São trabalhadores, mas precisam entender que obstruem calçadas do centro histórico, ocupam um lugar público como se fossem donos e prejudicam o deslocamento da população. Eles são cidadãos como eu e precisam ajudar a cidade a melhorar. Hoje não dá para andar no centro com tanta banca de camelô”, desabafou a professora Isis Coelho, 33.

Lugar definitivo

Segundo o porta voz dos que são contrários a transferência Osmar Abreu Lima, os camelôs que serão retirados da praça da Matriz e avenidas Eduardo Ribeiro e 7 de Setembro querem ser distribuídos em outras ruas onde os demais camelôs só sairão quando os CCPs forem finalizados. No entanto, a proposta foi recusada pelo município.

“A maioria dos camelôs é a favor da transferência para galerias porque ainda não caiu a ficha deles. Eles vão ter muito prejuízo indo para as galerias porque o maior movimento está na rua”, disse.

‘Lideranças’ mentem sobre bolsa da prefeitura

Os camelôs que estavam a frente do protesto desta terça-feira divulgaram para os demais que o auxílio no valor de R$ 1 mil mensal a quem participar de cursos de capacitação é um empréstimo que terá juros na cobrança.

A informação revoltou ainda mais quem estava no protesto. Porém, a prefeitura esclareceu ontem, que “o valor em nenhuma hipótese terá que ser devolvido”, uma vez que se trata de uma a bolsa gratuita concedida aos camelôs que aderirem ao projeto de realocação para galerias populares.

Os camelôs que aderirem ao projeto ainda têm opção do financiamento no valor de R$ 10 mil, com carência de sete anos e meio pra começar a pagar, para quem quer iniciar um negócio próprio longe do logradouro público.

De acordo com a prefeitura, a única condição para recebimento da bolsa é a participação em cursos de capacitação em empreendedorismo e em relações humanas e comerciais, que estarão disponíveis até a alocação definitiva dessas pessoas nos Centros de Comércio Popular.

Sobre os questionamentos que as galerias provisórias não têm estrutura para comportar os camelôs, a prefeitura respondeu que os locais equipados com banheiros, segurança e toda infraestrutura necessária para recebê-los com comodidade.