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Cevada a R$ 20 para pecuaristas do AM

Ambev recua e vai vender a tonelada do bagaço de cevada por R$ 20 para os pecuaristas. Mais: sem intermediadores 27/01/2012 às 09:39
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No Amazonas, rebanho bovino leiteiro está concentrado em municípios como Autazes, Careiro, Manacapuru e Iranduba
CIMONE BARROS Manaus

Liderados pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), pecuaristas conseguiram reduzir em pouco mais de três vezes o custo do bagaço da cevada vendido pela unidade local da Ambev.

Em outra frente eles negociam com a Hermasa a diminuição do custo da casca da soja (outro suplemento alimentar) e a elevação da cota do item destinado aos produtores, de 30 toneladas por dia (30% da produção do terminal graneleiro) para 60t diariamente.

“O preço de venda não tem como alterar, porque é o mercado que faz isso. Mas estamos nos esforçando para reduzir o custo de produção da pecuária de leite e melhorar a renda do produtor, sem ter que desmatar novas áreas”, disse o presidente da Faea, Muni Lourenço.

Antes, o bagaço da cevada era vendido a R$ 15 a tonelada, após ir a pregão eletrônico nacional subiu para R$ 64, mas a negociação, com o posterior cancelamento do pregão, a Ambev reverteu o valor para R$ 20 e fechou um rateio de cota para que o resíduo da cevada chegue aos produtores sem intermediação.

O sindicato rural de Manacapuru estava pagando mais de R$ 1 mil a carrada do bagaço da cevada e agora paga R$ 570. O Estado possui 18.500 propriedades agropecuárias, envolvendo 60 mil pessoas. Por dia são produzidos 125 mil litros de leite, a maior parte em Autazes (50 mil).

Do rebanho de 1,4 milhão de cabeças, cerca de 40 mil animais estão na produção leiteira.

Soja

Em relação à casca da soja, já há um indicativo de redução do valor da tonelada de R$ 250 para R$ 230, faltando apenas acertar detalhes com a Hermasa. Antes, era R$ 200.

A outra briga é para aumentar o quantitativo de insumo destinada aos produtores, de 30t para 6O t/ dia, que é demanda do setor. O problema é que a empresa utiliza o subitem da soja com material de queima em sua caldeira para produção de energia para terminal graneleiro e para o município, o que não é desejável, e não consegue biomassa (resto de madeira certificada) disponível para substituir a casa da soja.

“Falei com a secretária Nádia (Ferreira, titular da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável -SDS) e ela se dispôs na próxima semana conversar com eles para tentar viabilizar essa situação, que na prática só será resolvida definitivamente com o Linhão de Tucuruí”.

O bagaço da cevada e a casca da soja são suplementos alimentar importante para as matrizes leiteiras. Uma matriz que recebe suplementação aumenta de 50% a 60% a produção de leite em relação a que se alimenta somente da pastagem.

Reforço para a produção de ovos

Uma outra demanda do setor é pelo farelo de soja, que também está em negociação com a Hermasa. O produto é usado para a avicultura poedeira. Nesse segmento, o Estado do Amazonas é autossuficiente, diferentemente do que se verifica na criação de frangos de corte.

A dificuldade enfrentada pelo setor é que entre o fim de janeiro e início de fevereiro, de todos os anos, as máquinas da Hermasa param para manutenção.

A saída seria recorrer a uma área alfandegada para exportação, entretanto a Receita Federal não permite que se tire o produto para vender para o mercado local.

 “Estamos conversando com o inspetor da Receita Federal, em Itacoatiara, para que órgão autorize vender para o mercado local durante o período de recesso e não comprometa a produção de ovos, com possibilidade de atingir inclusive a geração de ocupação e renda nesse setor” disse Lourenço.

Oriundos de outros estados

Indústria de iogurte é pequena no AM A superação dos gargalos do custo de produção para a pecuária leiteira no Estado vem ao encontro de um Pacto assinado no dia 21 de setembro - Dia do Fazendeiro - do ano passado, no qual a Faea se compromete a não gerar novos desmatamentos, e à demanda do mercado local.

“Para não abrirmos novas áreas de criação de gado é necessário intensificar a produção e aumentar a tecnologia para produzir mais usando a mesma área e os suplementos são muitos importantes nesse contexto”, disse Muni Lourenço.

O Amazonas é abastecido prioritariamente por outros estados. Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que são os maiores produtores, estão com problemas de produção em função de fatores climáticos, chuva e estiagem respectivamente, o que refletirá nos preços do leite e seus derivados, com previsão de aumento de até 10%.

Minas e Rio Grande do Sul juntos representam 60% da produção nacional, que no ano passado chegou a 61 bilhões de litros. Outro nicho de mercado é o Programa de Regionalização da Merenda Escolar (Preme) do governo do Estado, que este ano pretende adquirir 56 mil quilos de queijo (coalho, minas frescal e mussarela).

“Esperamos um ano no positivo, principalmente com o aumento do salário mínimo, que puxa o consumo de leite e derivados. E com a melhoria das condições econômicas para as classes mais baixas, um dos primeiros atos é consumir fortemente o laticínio”, destacou Lourenço.