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Chafarizes são esquecidos em Manaus

Monumentos manauenses resistem ao esquecimento, ação de vândalos e a implacável ação do tempo 26/02/2012 às 13:05
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Chafariz da Praça da Matriz: desativado, ele é exemplo do esquecimento
JÚLIO PEDROSA Manaus

A relação da água com a geografia e o dia a dia da cidade, na opinião de arquitetos e urbanistas, já seria motivo suficiente para justificar a opção de governos em construir fontes e chafarizes para compor cenários de praças e logradouros públicos.

Entretanto, muitos desses equipamentos acabam vítimas do esquecimento e da ação de vândalos. É o caso, por exemplo, das fontes outrora iluminadas e hoje desativadas das Praças da Matriz, Dom Pedro II e São Sebastião, no Centro, da Bola do Eldorado, no Parque Dez, e da Bola da Pedro Teixeira, nas proximidades do Sambódromo.

Em todas elas, a ação do tempo foi implacável e fez até com que algumas estruturas sumissem. “A água tem uma relação bastante grande com a nossa história, traz à memória a nossa relação com o rio, que é um componente importante na paisagem, mas é preciso que haja o comprometimento de políticas públicas voltadas à manutenção e implantação desses equipamentos”, opina o arquiteto e urbanista Jaime Kuck, coordenador do curso de Arquitetura da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra Manaus).

Ele se diz favorável à implantação de chafarizes, fontes, espelhos d’água como elementos de qualificação paisagística. O arquiteto cita dois exemplos de fontes - das praças Heliodoro Balbi e da Bola da Ponta Negra - que cumprem esse papel por estarem em funcionamento e com a manutenção em dia. Além de embelezar, os projetos urbanísticos que valorizam a água acabam também tendo uma função térmica.

“O ideal será recuperarmos nossos igarapés, mas as fontes, espelhos e cortinas d’água são uma opção muito valorizada em climas mais secos. No caso de Manaus, onde a taxa de umidade é sempre muito alta, a água influencia a melhoria do microclima apenas em deteminadas épocas - muito curtas - do ano”, afirma Kuck. O arquiteto estabelece diferenciações entre chafarizes, fontes, espelhos e cortinas d’água.

“O chafariz é semelhante às fontes, pois a água fica em movimento. Os espelhos d’água são pequenos lagos, piscinas ou lençóis, já as cortinas são pequenas quedas d’água”, explica. O urbanista ressalta a importância das rotatórias no contexto urbano. “As bolas são referenciais para Manaus, são marcos importantes e quanto mais bonitas estiverem melhor”, avalia Jaime Kuck.

Reservatórios de água parada e suja

A reportagem de A CRÍTICA esteve em alguns pontos da cidade onde existem equipamentos de fontes desativados. Um deles, a Praça São Sebastião, um dos mais conhecidos cartões postais da cidade.

“Faz tempo que não vejo essa fonte funcionando, mas me lembro que, quando ela ficava ligada, era muito bonita”, relembrou o taxista Paulo Tavares, 64, há 11 anos trabalhando no entorno da praça, no Centro. Hoje, o imponente Monumento à Abertura dos Portos serve de reservatório para água parada e suja.

Um aspecto a se considerar é o do vandalismo: tanto a fonte da Praça São Sebastião quanto da Praça da Matriz e Dom Pedro II foram alvo de depredações num passado recente.

A assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) informa que, quando assumiu a atual administração, a gestão municipal já não encontrou mais os equipamentos responsáveis pelo funcionamento das fontes das Bolas da Pedro Teixeira e do Eldorado.

Essa última que teve as esculturas transferidas do logradouro para um outro, à revelia do poder público municipal. Elas tiveram também as bombas d’água, fiação e o circuito de drenagem roubados.

Cortinas d’água com programação

O uso de uma cortina d’água foi a opção escolhida pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) para adornar o monumento da nova Bola do Mindu.

Assim como a Bola da Ponta Negra, que integra o complexo de obras de reforma daquele balneário, o funcionamento da fonte na nova rotatória será controlado com uma programação de horários específica nos quais o funcionamento do sistema é ativado.

Na Ponta Negra, a fonte é acionada das 8h às 9h, das 12h às 14h, das 16h às 18h, das 19h à 0h e das 2h às 4h. A assessoria de comunicação do Implurb informa que o mesmo esquema de funcionamento em horários escalonados será adotado na Rotatória do Mindu, quando estiver pronta.

Na Praça da Polícia, as fontes dos chafarizes funcionam das 12h às 14h30 e das 17h30 às 20h. “Não é preciso passar o dia inteiro ligada até para reduzir o consumo de energia”, informou a responsável pela manutenção da praça, que preferiu não se identificar.

A estudante Tayna Monteiro, 20, que costuma frequentar a Praça da Polícia, afirma que a cidade tinha que ter mais lugares com lagos e fontes jorrando. “Elas são lindas e aliviam o calor”, observa ela.