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Cheia diminui tempo de viagem entre municípios do AM

Enchente reduz o tempo de viagem entre diversos municípios 01/05/2012 às 08:43
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Viagens de barco no Amazonas estão mais rápidas devido aos furos, atalhos naturais, que surgem durante enchente
FLORÊNCIO MESQUITA Manaus

Enquanto a enchente dos rios da Amazônia castiga mais de 24 municípios do Estado e desabrigou aproximadamente 30 mil pessoas gerando prejuízos para a população ribeirinha, para a navegação a subida das águas é sinônimo de facilidade. Comandantes de embarcações contam que durante a cheia o tempo de viagem de Manaus para a maioria dos municípios do interior do Estado é reduzido em até cinco horas.

A rapidez na viagem se reflete também na economia de combustível e de dinheiro o que, segundo os donos de embarcações, faz com que o passageiro prefira viajar no período da cheia. A redução do tempo de viagem corresponde a uma economia de 400 litros de combustível que totaliza um gasto de menos
R$ 800 aos proprietários de embarcação.

Outro ponto considerado positivo pela navegação é o surgimento dos furos (atalhos) que só podem ser usados na época da cheia. Os canais que ficam secos na metade do ano, durante a cheia são inundados e possibilitam a entrada de embarcações reduzindo a distância da viagem entre os municípios. Um dos mais conhecidos é o Furo do Paracuúba que interliga o rio Negro ao Solimões na cheia. Na seca, as embarcações precisam contornar o Encontro das Águas ou encarar um furo mais longo, o do Xiborena. Segundo o conferente de embarcação, Junior Guimarães, 17, o Paracuúba reduz em 40 minutos o trajeto entre os rios.

Já entre os Municípios de Itapiranga e São Sebastião o canal conhecido como Furo do Unicórnio reduz em duas horas a duração da viagem para a Manaus. “Hoje até navio entra no Paracuuba e no Furo do Unicórnio”, disse Junior Guimarães.

O barco onde Junior trabalhar faz uma viagem por semana para os Municípios de Benjamin Constant, Urucará, São Sebastião, Itapiranga, Humaitá e Itacoatiara transportando 50 passageiros e 130 toneladas de carga. Na seca o peso transportado é menor para reduzir risco de acidentes. “A diferença de transportar na cheia é grande porque tem os atalhos e é menos perigo. Quando o rio está seco aparecem muitos obstáculos, pedras, praias e bancos de areia. Já na cheia qualquer pessoas leva o barco porque é quase garantia que não haverá nenhum obstáculo.

Para o comandante da embarcação PP 2001, Clodoaldo Monteiro, a época é a melhor para navegar. Há 13 anos ele faz transporte para o Município de Autazes (a 113 quilômetros de Manaus) e afirma que a cheia gera uma economia de 30% para a navegação. “Sem dúvida fica mais fácil para todos. Diminui a despesa e viagem fica mais rápida. Quando o rio está seco a viagem para Autazes saindo da Manaus Moderna dura 12 horas. Quando o rio está cheio o tempo cai para sete horas", disse.

Aposentado destaca o contraste da situação

Para o aposentado João Figueira Batista, 74, a cheia corresponde a um contraste entre os transtornos que ela causa a população, principalmente ribeirinha, e a rapidez que ela proporciona à navegação. Ele tem casas nos Municípios de Urucará, onde passa mais tempo e em Parintins e vem à capital para visitar familiares e tratar de assuntos particulares.

O aposentado conta que vive viajando apenas por meio de transporte fluvial e que a época da cheia é a que ele mais gosta de viajar. “Claro que a cheia é ruim para o ribeirinho que fica debaixo da água, mas é a melhor época para viajar. Mesmo quem está acostumado a viajar de barco acho desconfortável viajar na seca porque demora mais e é diferente. Agora na cheia tudo é facilitado e o percurso fica até mais tranquilo”, disse.

O único problema para navegação é que aumenta o número de troncos que descem o rio.

Água invadiu comércio no Centro

Alternativa dos lojistas é levantar marombas para acondicionar mercadorias e fazer pontes para o uso dos clientes Comerciantes do Mercado Municipal Adolpho Lisboa e Feira da Banana instalavam, ontem, suportes de madeiras e marombas no interior das lojas. A água do rio Negro já invadiu depósitos dos estabelecimentos e parte da rua dos Barés e da Barão de São Domingos, Centro. De domingo para ontem, o rio subiu quatro centímetros, alcançando a cota de 29,20. No mesmo dia, em 2009, era de 28,68.

Em muitas lojas de material de pesca e de varejo, funcionários penduram mercadorias e usam botas de borracha. “A água entrou na loja, o movimento caiu, mas nós precisamos continuar trabalhando porque não temos outro ponto comercial e com ou sem água temos de pagar o aluguel”, disse a gerente Dôra Gomes, 37.

Ainda segundo a comerciante, os banheiros foram interditados . “Falaram que a Defesa Civil ia instalar banheiros químicos na rua. Estamos esperando porque os das lojas você não pode usar mais”.

Na rua dos Barés, entre as ruas Joaquim Nabuco e Pedro Botelho, perto da Feira da Banana, o nível da água nas calçadas alcançou os 30 centímetros e sete comércios foram afetados. “Alguns estabelecimentos fecharam e outros mudaram de local devido à cheia que se aproxima. O meu depósito já está alagado e semana que vem, vou me mudar”, contou o microempresário Jônatas Silva, 52.

Conforme os comerciantes, a rua começou a ficar alagada desde a semana passada. Colaborou: Milton de Oliveira