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Cheia dos Rios prejudica a produção de juta no AM

Produtores de juta e malva dizem que a subida dos rios já colocou em risco de 10% até 30% do plantio dessas culturas 24/02/2012 às 10:03
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Produtores de juta e malva dizem que a subida dos rios já colocou em risco de 10% até 30% do plantio dessas culturas
CIMONE BARROS Manaus

A subida dos rios começa a preocupar os produtores de várzea no Amazonas. Em Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus), os produtores já sentem os primeiros impactos do ritmo acelerado da enchente no médio Solimões e seus afluentes nas culturas de juta e malva, que podem ter perda de 10% a 30% da safra (1 mil toneladas a 3 mil t), segundo estimativa do presidente do Sindicato Rural do município, Mário Jorge Bastos.

Para este ano, a previsão inicial da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) é ter uma safra de 12 mil toneladas de juta e malva, cerca de 8 mil t a 10 mil t referem-se à produção de Manacapuru. O governo federal estabeleceu o preço mínimo do quilo da juta e malva a R$ 1,77 (embonecada).

Dez mil toneladas representariam R$ 17,7 milhões e 30% delas, R$ 5,3 milhões. O quilo da prensada é R$ 1,98, além disso o governo do Estado entra com um subsídio de mais R$ 0,20 por quilo. Se a indústria pagar menos que isso, o produtor pode vender para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), bastando procurar o escritório do Idam.

Outra preocupação dos agricultores é não ter condições de pagar os financiamentos contraídos juntos às instituições financeiras como Banco da Amazônia, Banco do Brasil e Agência de Fomento do Amazonas (Afeam). Em 2011, só a Afeam realizou 2.255 operações de crédito com empréstimo de R$ 20,7 milhões ao setor rural do estado. O valor representa 20,3% do volume total dos recursos financiados pela agência (R$ 101,7 milhões).

Segundo Bastos, quando o rio sobe rápido, como agora, o juticultor não tem como colher, porque não está na época (março a junho). “Essa enchente prejudica a produção, e muita gente tem financiamento do Pronaf B (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) que com as perdas fica impossibilitada até de pagar”.

Cerca de 3 mil produtores plantam juta e malva em Manacapuru. A produção é beneficiada por cooperativas e empresas como a tecelagem Cooperfibras, a Cooperativa Mista de Manacapuru e a Castanhal. Em Manaus é industrializada na Brasjuta.

Vale lembrar que a indústria de juta e malva do Estado já sofre com a entrada de sacaria da Índia, que minou a competitividade de fios e sacos daqui. Outras culturas de várzea também são afetadas com a enchente do Solimões, ainda no início, como mandioca, maracujá, mamão, banana e hortaliças.

Emergência Sete municípios (11 mil famílias) das calhas do Juruá e do Purus estão em situação de emergência no estado, de acordo com o Subcomando de Ações de Defesa Civil do Estado: Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Envira, Itamarati, Carauari, Juruá e Boca do Acre. Os municípios do Alto Solimões estão em situação de alerta e os da calha do rio Negro em monitoramento.

Eron Bezerra Secretário de Produção Rural

“Estamos levantando o impacto da enchente na produção, a partir dos escritórios do Idam. Espero, até terça-feira, ter um relatório de aproximação da situação para estimar a dimensão do problema. Mas temos informações de pressão sobre a juta e a malva, plantada na várzea e que está sendo prejudica. Estamos tomando providências junto ao Ministério da Agricultura para adotar medidas de proteção ao trabalhador, desde o seguro agrícola (juticultura), prática do preço mínimo para assegurar que o produtor não tenha prejuízo - e renegociação de dívidas e empréstimo junto aos bancos. Fizemos isso em outros momentos, como a grande cheia 2009. aquele ano também tiramos 20 mil cabeças de gado de dentro d’água e distribuímos mais de 500 toneladas de ração para suplementar a alimentação do gado".

Anistia, não; renegociação, sim

Ainda é cedo para estimar os impactos das enchentes à produção rural e aos agricultores que contraíam financiamento das agências de crédito, segundo produtores e órgãos do estado. Eles estão acompanhando a situação, embora ainda sem levantamentos técnicos.

O diretor-presidente da Afeam, Pedro Falabella, já descartou a possibilidade de anistia e informou que poderá haver renegociação, com prorrogação de prazo, inclusive o de carência. “A situação tem de ser examinada caso a caso para não frustrar o produtor. Mas anistia não está prevista”.

De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, até a primeira quinzena de março, a entidade chegará a uma conclusão “se haverá necessidade de pleitear dilatação de vencimento das parcelas dos produtores atingidos”.

A Faea representa os produtores que possuem acima de 200 hectares. A maioria desses produtores utiliza linhas de crédito do Banco do Brasil e do Basa com o Pronaf (D e E) destinado a agricultores com empregados. Pelo Pronaf, nos financiamentos de custeio, o seguro rural é obrigatório; enquanto na parte de investimento ele é opcional, dependendo de cada contrato. “Têm produtores que plantaram sem financiar pelo Pronaf e esses não estão cobertos pelo segurado rural”, disse Muni.

Nos casos dos pequenos produtores, os de agricultura familiar, a situação é crítica, embora ainda seja um número pequenos os que tem acesso a financiamento. Segundo a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Amazonas (Fetagri), como reflexo ainda da grande enchente (2009) seguida da seca (2010), 30 municípios estão inadimplentes e sem acesso ao Pronaf B, destinado a agricultores com renda bruta anual de até R$ 6 mil.

 “Foram liberados R$ 2 mil para o produtor, mesmo assim o pessoal não deu conta de pagar”.