Publicidade
Manaus
Cotidiano, Meio ambiente, cheia, Clima, enchente, CPRM

Cheia no rio Negro poderá chegar a 30,27m, em virtude das chuvas

Informação foi divulgada durante o último alerta para cheias, nesta quinta (29), pelo CPRM 01/06/2012 às 13:43
Show 1
Apesar do rio Negro se encontrar há três dias com a cota estabilizada em 29, 97 metros, o nível das águas poderá subir
Síntia Maciel Manaus

A cota máxima do rio Negro, na enchente deste ano, poderá alcançar 30,27 metros. A previsão consta do monitoramento hidrológico divulgado nesta quinta-feira (31), pelo superintendente regional do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, no terceiro e último alerta de cheia emitido pelo órgão.

Oliveira salientou que “a história da cheia não pode ser contada ainda”, referindo-se aos mais de 30 dias nos quais o Negro ainda poderá ter o nível de suas águas alterado.

Em maio de 2009, durante um período de 12 dias, observou Marco Antônio, a cota do rio Negro ficou estabilizada. Entretanto, com as chuvas intensas verificadas durante 15 dias, no dia 1º de julho, o rio atingiu aa cota de 29,77 metros e superou o recorde registrado em 1953.

 “Em 2009 o nível do rio ficou estabilizado, mas em virtude das chuvas ele acabou subindo, ocorrendo o chamado repiquete. Pode ser que haja ainda um aumento de 3 a 4 centímetros, vai depender do comportamento das chuvas”, destaca.

Apesar do aumento, ele estima que o nível do rio Negro não chegue a ultrapassar os 30, 27m. No boletim hidrológico anterior, divulgado no dia 2 de maio, a máxima estimada era de 30,13m.

O superintendente regional do CPRM fez um alerta em relação às populações que ainda se encontram nas áreas atingidas pela cheia e recomendou que as mesmas sejam retiradas destes locais.

No Amazonas, um total de 53 municípios estão inundados pela enchente. Deste total, quatro deles - Anamã, Careiro da Várzea, Anori e Barreirinha -, se encontram em estado de calamidade, enquanto os demais em Estado de Emergência.

Mapeamento
Ainda segundo Marco Antônio de Oliveira, até o final do mês de junho o CPRM deverá concluir os trabalhos de mapemaneto das áreas de risco de Manaus. As áreas a serem identificadas englobam tanto os pontos onde ocorrem alagações - que foram afetados pela cheia deste ano -, bem como aqueles passíveis de desmoronamento.

Calhas
As chuvas que influenciam diretamente o nível das águas do Negro, ocorrem sobretudo nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos, ambos localizados na calha do rio Negro, que conforme as explicações de Marco Antônio, continua a encher.

“Em Tabatinga, na calha do Solimões já está ocorrendo a vazante. No Sul do Estado, o pico da cheia também já passou”, observa.

De acordo com o meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ricardo Della Rosa, o comportamento das chuvas em Manaus está abaixo do esperado para este período do ano.

As alterações climáticas no Amazonas são verificadas no noroeste do Estado. Ele também salientou que o órgão vem monitorando o comportamento das bacias do rio Amazonas, a partir da influência das chuvas.

Desde a última terça-feira (29), a cota do rio Negro está estabilizada em 29, 97 metros.

Monitoramento hidrológico
Com um investimento de R$ 200 mil em equipamentos, além de um convênio de R$ 3 milhões da Agência Nacional do Amazonas (ANA), no período de 30 a 45 dias um Centro de Monitoramento Hidrológico, ligado à Secretaria de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos, deverá ser implantado no Amazonas. Ele vai gerenciar dados referentes aos recursos hídricos, mudanças climáticas e poços artesianos.

“A proposta é de que o Centro administre dados que possam ser usados em casos de eventos críticos, como a cheia deste ano, por exemplo, entre outros assuntos”, explica o secretário da pasta, Daniel Nava.

O Centro além de reunir órgãos ligados à pesquisa climática, hidrográfica, mineral, entre outros, das esferas estadual e federal, também contará com a participação de entidades que atuam na fronteira Brasil, Colômbia e Peru.

A primeira atividade do Centro de Monitoramento Hidrológico deverá ocorrer no final de junho, no município de Tabatinga – localizado a 1.105 quilômetros de Manaus.