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Manaus
Comportamento, Ciclovias, bikes, Ciclistas, Qualidade de vida

Ciclistas fogem do intenso trânsito de Manaus para trafegarem tranquilamente

Um grupo de ciclistas, que conta com mais de 200 pessoas, usa o complexo viário da ponte Rio Negro em passeios noturnos  09/09/2012 às 08:56
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Em pequenos grupos, ciclistas usam o complexo viário da ponte Rio Negro, em Iranduba, para passear em segurança
Náferson Cruz Manaus

A falta de convivência pacífica no trânsito e a tímida presença de ciclovias, ciclofaixas ou ciclorotas em Manaus estão levando os ciclistas e simpatizantes da modalidade a optar por outras áreas de passeio fora da zona urbana da cidade.

Toda quarta-feira, por exemplo, grupos de ciclistas se reúnem em dois pontos na entrada do Cacau Pirêra, distrito do Município de Iranduba (a 34 quilômetros de Manaus) para promover a cultura das bicicletas. O movimento é coordenado pelo cicloativista e empresário, Herildo Pinheiro, 46, que ao longo de uma década, incentiva o uso das “bikes”, como esporte ou alternativa como meio de transporte. O objetivo é a criação de políticas públicas que criem condições favoráveis ao uso deste veiculo.

Diante da pluralidade de participantes, em torno de 200 pessoas, o percurso é feito em pequenos grupos, que percorrem até a cabeceira da ponte Rio Negro e retornam para o ponto de concentração, um total de 12 quilômetros de pedaladas. “As pessoas falam que o maior desejo do ciclista é ter um bom espaço para andar de bicicleta, no entanto, um dos maiores anseios é que exista educação no trânsito”, comentou o cicloativista, ressaltando que pistas com ciclovia também seria um importante suporte para o cidadão utilizar esse meio de transporte no dia-a-dia e ter melhor qualidade de vida.

O movimento denominado “Amigos do pedal”, existe há dez anos, mas, de acordo com Herildo, 2012 tem sido um ano de crescimento dos participantes.

“No inicio da formação do grupo, não passávamos de 20 pessoas, hoje, dificilmente saímos com menos de cem pessoas”, conta.

Antes de começarem a pedalar, os presentes dialogam sobre como será o passeio e até discorrem sobre a falta de opção para a prática da modalidade em Manaus.

“Para fomentar ainda mais o uso da bicicleta como meio de transporte há de se pedir políticas públicas voltadas para a mobilidade urbana e com campanhas educativas, pois os carros andam com muita velocidade e não respeitam as sinalizações, chegam a tirar fino dos ciclistas, por isso estamos cada vez mais procurando outros locais para praticarmos o ciclismo”, disse o administrador Alyson Guimarães de Souza, 35, que participa dos passeios há mais de cinco anos.

O ciclista ainda dá seu recado: “Qualquer pessoa pode aparecer, o único pré-requisito é estar disposto a pedalar”.

Em Manaus, em torno de 5 mil pessoas usam a bicicleta como meio de transporte, entre eles profissionais do  setor da construção civil, militares e entregadores. Outras 1,5 mil pessoas utilizam as “magrelas” para o passeio nos fins de semana ou como instrumento de preparação física, sobretudo em vias próximas a beira do rio Negro.

Atenção
O Instituto Municipal de Fiscalização e Engenharia no Trânsito (Manaustrans) informou que manteve contatos com o grupo “Pedala Manaus”, no sentido de que os integrantes da organização forneçam informações sobre as áreas que consideram adequadas para a implantação de ciclovias.

De acordo com o órgão, os dados podem colaborar nos estudos e avaliações sobre a viabilidade de implantação das áreas reservadas para ciclistas. No entanto, o Manaustrans aguarda o envio dessas informações.

Distância ignorada
O cicloativista Herildo Pinheiro, conta que o grupo ao qual pertence ainda realiza passeios ciclísticos nas avenidas do Turismo, Torquato Tapajós, Max Teixeira, entre outras. No entanto, nestas vias as bicicletas competem com carros imensos, pesados e que não respeitam os ciclistas. “A distância de 1,5m é ignorada e nós, em grupo, nos ajudamos andando em fileira, cuidando dos cruzamentos e sinalizando com as mãos o percurso a ser feito”, conclui.

No entanto, alguns motoristas insistem que ciclistas não deveriam circular nas principais avenidas. Alguns motoristas, sem medo de serem politicamente incorretos, acreditam que bicicletas atrapalham os carros. Outros alegam fatores de segurança viária, afirmando que a avenida não seria segura para ciclistas.

Comerciante abandonou o carro
O comerciante  Manoel Oliveira Viana, 55, tomou uma atitude radical e  deixou o carro de lado depois de ter o primeiro contato com os passeios de bicicleta nos municípios de Manacapuru, Rio Preto da Eva e Iranduba, todos na Região Metropolitana de Manaus.

Desde então, Viana começou a se locomover só de bicicleta. Ele mora no bairro Campos Sales,  Zona Oeste, e se desloca para a loja dele, uma relojoaria localizada no bairro da Compensa, também na Zona Oeste.

“Era muito desperdício e não tinha necessidade do uso do automóvel todos os dias, então não pensei duas vezes em aderir à bicicleta como meio de transporte”, disse o comerciante. Apesar do intenso tráfego durante o dia, o comerciante acha perigoso pedalar à noite.

“Os carros andam com muita velocidade e não respeitam ninguém, muitas vezes passam bem próximo da bicicleta para intimidar, mas o que vale é conceito que passamos voltado para a preservação do meio ambiente e da boa saúde”, completou. Ele ainda recomenda o uso da bicicleta, porque a atividade ajuda a combater o sedentarismo.