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Cirurgia cardíacas em crianças sinaliza evolução das especialidades médicas em Manaus

Ter o tratamento à disposição revigora o animo de quem tem um filho com uma doença perigosa 14/07/2012 às 18:40
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Os cirurgiões Silas e Osmam visitam o pequeno Leonardo, que, com sete dias de vida, será operado na quarta-feira
Ana Celia Ossame Manaus

Aos três meses de vida Leonardo da Silva Santana já está esperando a hora para um momento complexo  de sua curta existência. Será submetido a uma cirurgia para correção da Comunicação Interventricular (CIV), problema que o deixa extremamente cansado quando mama ou chora. Já Felipe Brayan de Souza, 7, está em casa após 15 dias de ser operado do coração para correção do fluxo sanguíneo pulmonar. 

As crianças fazem parte de um universo pequeno, mas significativo, de pacientes atendidocrs por cirurgiões como Silas Fernandes, 45, e Antônio Osman da Silva, 34, da equipe do Hospital Adventista. De cerca de 20 cirurgias cardíacas realizadas a cada mês, pelo menos duas são em crianças.

Silas, chefe da equipe de cirurgiões, já contabiliza mais de 100 procedimentos em Manaus, fora os realizados em São Paulo, onde se especializou, comemora os resultados, cujo índice de óbitos está dentro dos padrões mundiais, em torno de 6%. “O serviço está em Manaus há quatro anos e  em fase de amadurecimento”, revela o médico, citando todos os equipamentos disponíveis para o atendimento, desde leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até setores como a Hemodinâmica.

SINTOMAS
Cuidar do coração dos pequenos  é uma tarefa que começa antes mesmo de elas nascerem e quanto mais cedo for detectada qualquer alteração, mais fácil e simples é corrigir, afirmam os especialista. Saber se uma criança precisa da atenção de um cardiologista é uma tarefa que os pais podem perceber com os sintomas mais característicos. “Elas têm falta de ar, cansaço até no ato de mamar, têm infecções repetitivas, cianose nos lábios e não se desenvolvem, apresentando baixo peso”, explicou Antônio Osman, apontado para o caso de Leonardo, que recebe todo o cuidado para não chorar, o que é um complicador para o  bebê.

De acordo com Silas, a cirurgia em crianças impõe algumas condições especiais. O ideal é que o bebê tenha a partir de dez quilos de peso, mas já foram feitas cirurgias em crianças com 4,5 quilos, com a implantação de um marcapasso, equipamento destinado a manter o ritmo e frequência do coração. Há muitas diferenças entre operar um adulto e uma criança. Uma delas é o que eles chama de maturidade do coração, por exigir mais cuidado dos cirurgiões, já que não está em condições plenas.  Os médicos explicam que crianças com Síndrome de Down têm cardiopatias comuns e é um segmento que exige atenção especial.

95% dos diagnósticos de doenças cardíacas em crianças são fechados com um exame de ecocardiograma, que é uma ultrassom do coração. Quando o problema é cirúrgico, esse procedimento dura em média três a quatro horas.

Alívio para pais e crianças
O cirurgião Antônio Osman observa que entre a terceira e a sexta semana de formação do coração da criança ocorrem as alterações causadoras das cardiopatias, causadas ou por hereditariedade ou má formação devido a fatores externos. Entre estes, estão a idade das mães, com agravante de diabetes, uso de drogas e efeito de  radiação, explicou. Apesar de significativas, as patologias cardíacas em crianças, congênitas ou adquiridas, podem ser tratadas na cidade, onde, segundo Silas, já se dispõe de tratamentos

Os pais de Felipe Brayan, a dona de casa Gracieth Mascarenhas, 28, e industriário Edvaldo Gomes, 31, entregaram, literalmente, a vida de filho nas mãos dos cirurgiões cardíacos, frase que Silas Fernandes e Antônio Osman estão acostumados a ouvir.  Segundo a mãe, o cansaço, suor frio constante e dores no peito foram diagnosticados como “normal” por um pediatra até que o menino desmaiou na escola. “Quando soubemos que teria que fazer a cirurgia para correção de fluxo, ficamos com medo, mas confiamos neles”, disse ela.

O garoto, que teve que antecipar as férias da escola, se recupera bem. Ele passou cinco dias internado na UTI e a expectativa é de que possa ter uma vida tranquila. “Isso foi dito pelos médicos e acreditamos”, afirma, sorrindo, Edvaldo.

Já o bebê Leonardo, segundo os médicos, está recebendo todos os cuidados necessários para, em breve, ter corrigida a Comunicação interventricular (CIV). Ao chamar a atenção para a problemática, os médicos observam a importância da detecção desses problemas ainda na infância.