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CMM quer investigar nova concessionária de água em Manaus

Empresa será anunciada hoje, pelo prefeito Amazonino Mendes e responderá pelo abastecimento de água na cidade 17/05/2012 às 07:27
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Isaac Tayah diz que concessionária tem que ser sabatinada pelos vereadores
KLEITON RENZO Manaus

Um dia antes de o prefeito Amazonino Mendes (PDT) anunciar a nova concessionária de abastecimento de água da cidade, o presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Isaac Tayah (PSD), afirmou ontem que a Casa irá investigar a empresa. Os vereadores querem saber agora como ela foi contratada e quem são os sócios da empresa. “Nós não podemos admitir que nenhuma outra concessionária venha brincar em Manaus”, disparou Tayah.

A declaração do vereador foi feita após reunião, a portas fechadas, por quase uma hora, com os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a privatização da Manaus Saneamento, subsidiária da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), realizada na gestão do então governador e hoje prefeito Amazonino Mendes. A “CPI da Água” investiga ainda a quebra das metas estabelecidas na repactuação do contrato entre a prefeitura e a empresa Águas do Amazonas, feita na gestão do ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB).

Sobre a instalação de uma nova empresa na cidade, Tayah declarou: “Nós não podemos deixar por menos. Qualquer concessionária que venha se instalar em Manaus tem que ser sabatinada pelos vereadores na Câmara. E isso vai ser motivo de investigação: qual a relação empresarial, como (a prefeitura) vai tirar uma concessão para outra. Por quanto vai ser vendida, quem são os sócios, qual a receita e qual o Imposto de Renda de cada sócio”.

De acordo com o presidente da Câmara, a investigação será feita por meio dessa mesma CPI. “É preciso saber qual o motivo de (a empresa) querer investir em Manaus, qual será a contrapartida da empresa, quais as metas de trabalho. Tudo para que a gente não caia no caos que caímos com a Águas do Amazonas”, disse. A reunião dos vereadores da “CPI da Águas” contou com a participação do procurador-geral da Câmara, Raimundo Barros de Carvalho. De acordo com Tayah, os vereadores queriam orientações se o objeto da CPI poderia ser perdido com a mudança de empresa.

Na última terça-feira (15), em evento na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), Amazonino disse que, hoje, anuncia o nome da empresa que irá substituir a Águas do Amazonas. “Temos que saber qual a relação empresarial. Ela (empresa) não pode entrar por entrar. Existe um meio jurídico e nós falamos com o procurador para tirar essas dúvidas”, afirmou Isaac Tayah.

Questionado se a Câmara já sabe qual é a nova empresa, Tayah informou: “Não. Nós não temos nada. Foi só comentário para a mídia. Ainda não temos nada oficial. O que nós sabemos é informes que existe visita de uma empresa dentro da Águas do Amazonas”.

Iniciativa é avanço, diz líder

O presidente da “CPI da Água”, e líder do prefeito Amazonino Mendes (PDT), vereador Leonel Feitosa (PSD), disse que a mudança da concessionária de abastecimento de água não inviabiliza os trabalhos da CPI. Ele afirmou que é um “avanço” a iniciativa do prefeito.

“Entendo que é um avanço para a cidade que vem para resolver o problema da água e não enfraquecer a CPI. O objeto não era para investigar a Águas do Amazonas, mas para investigar por que não tem água na cidade. Então ela continua”, declarou Feitosa.

De acordo com o presidente da CPI, se os vereadores “entenderem” que é necessário, irão pedir a cópia do contrato com a nova empresa para investigar. “A CPI pode fazer tudo o que quiser desde que seja legal. Se eles entenderem que seja assim (pedir informações sobre a nova concessionária) será feito”, disse.

Questionado sobre o nome e os sócios da nova empresa, o vereador afirmou desconhecer. “Não tenho informação nenhuma”, resumiu.

Negociação sob suspeita

O diretor de Comunicação da CMM, jornalista Hiel Levy, voltou a afirmar em seu blog (www.blogdohiellevy.com.br) que a troca da Águas do Amazonas não passa de manobra do prefeito Amazonino Mendes. Segundo ele, a empresa será substituída, mas seus atuais sócios continuarão à frente do negócio. “O blog denunciou a negociação com a Águas do Brasil, que assumiria o serviço, mas manteria parceria com Villa (Carlos Leal Villa que seria o dono da Águas do Amazonas). Por causa dele o Governo do Estado deixou de fechar um bom acordo com a gigante Odebretch, que propôs operar o sistema, incluindo o Proama, e garantia de investimentos de R$ 500 milhões para concluir as ligações necessárias”, disse Levy.

Hiel Levy, que atuou como chefe da Agência de Comunicação do Governo do Estado, na gestão do governador Eduardo Braga (PMDB), disse que a troca de concessionária é uma forma de injetar dinheiro na campanha eleitoral. “Manaus não pode aceitar que uma negociação fantasiosa, enganosa, sirva apenas para colocar dinheiro em uma campanha politica”.

O anúncio da nova empresa será feito hoje às 14h na sede da Prefeitura, segundo a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom). A mudança de empresa ocorre quatro meses após Amazonino prometer “expulsar a Águas do Amazonas”.

Na segunda, na ALE-AM, o prefeito disse que trabalhou em silêncio durante esse período para evitar sabotagem. “Foi um ano de trabalho silencioso pra gente chegar lá. Até porque, tudo o que eu fazia na Prefeitura era sabotado”, disse o prefeito na terça-feira. Ontem, a secretária de Comunicação, Celes Borges, informou que o prefeito só falará sobre o assunto hoje.

Elias Emanuel (PSB) Vereador

“A pergunta agora é onde o prefeito encontrou legalidade para o rompimento do contrato. E não havia um processo licitatório para contratar quem vai tomar conta de uma concessão? As questões são essas. Vamos substituir? Vamos. Mas qual é essa empresa que vem para Manaus, qual é o cabedal de experiência em gerenciar o problema de abastecimento de água? Depois desse anúncio vai ter água nas Zonas Norte e Leste? O que eu quero questionar são os critérios usados para a chegada de uma nova empresa na cidade. E até que modo a Águas do Amazonas vai reagir. Se ela não reagir e não for à Justiça para se manter e preservar o contrato, será que não houve um acordo de cavalheiros?

Vereador Waldemir José (PT)

“Os vereadores foram pegos de surpresa com a decisão” Ficou para a próxima segunda-feira a reunião da “CPI da Água” que irá votar os requerimentos que pedem a convocação do prefeito Amazonino Mendes (PDT), Samuel Hannan, Américo Gorayeb, Frank Lima, ex-prefeito Serafim Correa (PSB), os senadores Eduardo Braga (PMDB) e Alfredo Nascimento (PR), e mais quatro pessoas envolvidas no processo de venda da Cosama e o contrato com a Águas do Amazonas. Segundo o vereador Waldemir José (PT), a reunião de ontem serviu para “entender melhor esse momento e definir o próximo passo da comissão”. “Pela inquietação dos vereadores na reunião, o clima é de que os vereadores foram pegos de surpresa com a decisão do prefeito”, afirmou o petista.