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Com aumento da frota, trânsito em Manaus pode piorar

Por mês, Manaus registra entre 3 e 4 mil novos licenciamentos, ritmo de crescimento da frota que, se mantido, fará com que a cidade tenha mais de 600 mil veículos circulando em vias já saturadas 19/08/2012 às 11:00
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A frota de Manaus cresce em ritmo acelerado: a cada mês são feitos de 3 a 4 mil novos licenciamentos, segundo o Detran
Ana Célia Ossame Manaus (AM)

Se mantiver o ritmo de licenciamento de veículos dos últimos anos, até o final de 2012, a cidade de Manaus deverá ter, pelo menos, 600 mil carros circulando pelas ruas e avenidas. Atualmente, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Manaus tinha 562.729 veículos licenciados até o último mês de junho e a cada mês uma média de 3 a 4 mil novos entram no sistema. Se continuar assim, serão cerca de 40 mil automóveis a mais no sistema.

Como a ampliação da malha viária não ocorre na mesma velocidade, o cenário futuro é de engarrafamentos cada vez mais longos e demorados, afirma o professor doutor em geografia urbana Geraldo Alves, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ao defender investimentos na mobilidade urbana da cidade. Para ele, o incentivo do Governo Federal para a aquisição de veículos e o precário sistema de transporte coletivo de Manaus são as principais causas do caos no sistema de transporte.

“É uma conta simples que não fecha por ser impossível contabilizar como um número cada vez maior de veículos vai caber na mesma quantidade de vias”, explica Geraldo. Os maiores impactos serão causados aos usuários de ônibus, cuja mobilidade é menor, mas tanto eles quanto os proprietários de automóveis sofrerão.

Restarão alternativas como sair mais cedo ou mais tarde de casa, para evitar os picos de engarrafamentos, mas isso não resolverá o problema, alerta. “O tempo das viagens vai aumentar tanto para quem tem automóvel quanto para quem usa transporte coletivo”, explica Geraldo, apontando para o cenário de engarrafamentos, cada vez mais inevitável.

Novos veículos

No primeiro semestre desde ano, entraram no sistema 35.053 novos veículos, contra 38.915 no ano passado, segundo dados do Detran e Manaustrans. A frota do interior do Estado é equivalente a 10% da que está na capital.

Pontos críticos

Estudos do Manaustrans indicam que os pontos mais críticos de congestionamentos são na avenida General Rodrigo Otávio, avenida São Jorge, no trecho entre a Artur Bernardes e Constantino Nery,  Aleixo, e da rua Gabriel Gonçalves até a avenida André Araújo.

Legislação

A lei nº 12.587/2012, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, conhecida como Lei da Mobilidade Urbana, foi sancionada em janeiro deste ano e dá prioridade a meios de transporte não motorizados e ao serviço público coletivo.

Mobilidade

Sem enxergar mudanças significativas num futuro próximo, dada a política nacional de incentivo à comercialização de veículos e o fraco desempenho dos órgãos públicos em tratar essa questão, Geraldo é pessimista e crítico diante dos projetos propostos para a capital amazonense no que diz respeito à mobilidade urbana, visando situações como a Copa do Mundo de 2014. Ele diz torcer para que o Estado e a prefeitura percam a oportunidade de mudar o trânsito com as duas propostas apresentadas até hoje.

“O monotrilho tem um valor exorbitante para uma tecnologia pouco usada nos países. Se fosse eficiente, estaria espalhada pelo mundo, mas isso não acontece porque a relação custo X beneficio não compensa”, explicou.

Quanto ao BRT, muito propagado porque teria sido solução em Curitiba, ele diz funcionar na capital paranaense por ser uma cidade planejada desde a década de 60, ao contrário de Manaus, onde quase não houve planejamento.

VLT

Geraldo Alves sugere a visita às cidade do Ceará, onde existe o sistema Veículo Leve sobre o Trilho (VLT), versão semelhante aos bondes elétricos implantados em cidades europeias e já experimentado em Manaus no início do século passado.

“Os governantes têm que entender o problema sob o ponto de vista de mobilidade urbana, tirando o foco do trânsito e transporte e pensando na mobilidade”, disse ele, acrescentando que, assim, pode-se beneficiar o cadeirante, pedestre, ciclista, e, principalmente, o transporte público. “Não sei se priorizar os carros vai resolver os problemas do trânsito”, ponderou.

Sem recursos

O diretor presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), coronel Walter Cruz, reconhece o estrangulamento do sistema de trânsito, em parte causado pela política  de incentivo à aquisição de carros particulares sem oferecer recursos para os investimentos nas obras viárias.

Ele, no entanto, rebate os críticos que não conseguem ver nada do que foi feito nessa área. “Ninguém lembra a forma como a atual administração encontrou o sistema viário, com problemas de todas as ordens”, afirmou.

Walter Cruz disse conhecer a lei n 12.587, que trata da política de mobilidade urbana. Mas, segundo ele, as obras para os projetos relacionados a ele são caras e os municípios ainda não contam com o apoio do Governo Federal. Manaus tem projetos para construção de viadutos na rotatória do Jorge Teixeira, próximo à Feira do Produtor, na Zona Leste, e no Distrito Industrial, por exemplo, mas segundo afirma, os custos são muito elevados, argumentou. As duas obras concluídas na atual gestão foram os complexos viário Gilberto Mestrinho, no Coroado, que custou R$ 58 milhões, e o Engenheiro Luiz Augusto Veiga Soares, no São José .

Transporte

A priorização e melhoria do transporte público, segundo o diretor do Manaustrans, foi feita diante da necessidade da administração de trocar toda a malha viária. Não foi possível, por exemplo, criar corredores exclusivos porque isso exigia alto volume de recursos, já que teria que mexer na malha urbana e desapropriação de imóveis.

Mas programas como o da Central Inteligente de Semáforo, que, por meio do Centro de Controle Operacional do Manaustrans (CCO), controla os semáforos de cruzamentos com o objetivo de dar prioridade ao maior fluxo são alguns dos avanços.

O diretor espera que a implantação dos sistemas BRT e monotrilho, prevista para ocorrer até a realização dos jogos da Copa do Mundo de 2014 em Manaus, traga os benefícios esperados. Ele aposta ainda na ampliação da avenida Governador José Lindoso, mais conhecida como avenida das Torres, e na construção de uma via ligando as Zonas Leste e Oeste para minimizar os engarrafamentos.