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Comerciantes do Centro de Manaus sofrem com a falta de segurança e amargam prejuízos

Polícia usa redes sociais e câmeras para contornar falta de efetivo e reduzir assaltos, que estão ‘afugentando’ empresários 23/04/2015 às 08:55
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Lojistas começam a pensar em fechar seus estabelecimentos por causa da onda de assaltos no Centro. Os assaltantes são conhecidos pelos nomes e ameaçam quem trabalha no local e até clientes
kelly melo ---

Trabalhar no Centro virou uma missão árdua. De acordo com empresários que atuam nas proximidades na feira da Manaus Moderna e do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, a falta de segurança e a impunidade estão fazendo com que, mesmo os lojistas mais antigos, decidam fechar suas portas e se instalar em outros bairros. O motivo: a onda de assaltos, furtos e arrombamentos que têm feito os comerciantes amargarem prejuízos. Para tentar facilitar a comunicação entre os lojistas e a polícia, a 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), está orgazinando até um grupo no WhatsApp para atender as ocorrências mais rápido. Hoje, mais de 16 mil lojistas atuam no Centro da cidade.

O empresário Rodolfo Chamma é um exemplo disso. Uma das lojas de fogos de artifício e armarinho que a família dele sustenta há mais de 70 anos, na rua dos Barés, está prestes a fechar por conta dos assaltos. Só no mês passado, o comerciante foi roubado três vezes. Um prejuízo que chega a R$ 7 mil em mercadorias, além do desaparecimento da clientela.

Ele contou que, em um dos roubos, o bandido chegou a ser preso, mas no dia seguinte retornou às ruas. “A gente se sente coagido porque o bandido foi preso, mas no dia seguinte ele estava aqui ao lado da loja, nos intimidando. Depois disso, eu venho aqui poucas vezes e já estou vendendo meu prédio, que é herança de família”, contou o empresário. De acordo com ele, nesse mesmo período, outras três lojas encerram suas atividades por conta da sensação de impunidade e medo da violência.

Os funcionários da loja de artifício disseram que os furtos estão ficando tão comuns que eles já conhecem os criminosos e deram, inclusive, os nomes dos suspeitos: “Hudson”, “Neguinha”, Antônio Carlos” e “Bruno”. “Eles estão por aqui todos os dias. Ficam só observando para depois atacarem”, disse a gerente Karina Mota.

Em uma loja de tecidos, também na rua dos Barés, os funcionários confirmaram o problema. Eles estão tão preocupados com a série de furtos e arrombamentos que o dono da empresa mandou reforçar as portas com chapas de metal para evitar que os assaltantes entrem nos estabelecimentos. “Todo mundo está fazendo isso por aqui. Só não entraram aqui na semana passada por causa dessas chapas, mas os bandidos tentaram arrombar com um pé de cabra. Essa situação está difícil”, disse a gerente Deuzarina Campos.

Policiamento

Atualmente, todo o Centro conta apenas como quatro viaturas para realizar o policiamento ostensivo, de dia e de noite, menos da metade do necessário para atender a área. Segundo o comandante da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), Anderson Saif, o ideal seriam 12 viaturas, além de motocicletas e um efetivo maior de militares na companhia.

“Trabalhar no Centro é difícil. Mas tudo o que a gente pode fazer, temos feito para melhorar a segurança no local. No entanto, é importante frisar que precisamos de um efetivo maior do que o que temos hoje, porque a área comercial é muito grande e as ocorrências acontecem a todo momento”, explicou o capitão, ao afirmar que a 24ª Cicom possui apenas 178 policiais, enquanto deveria ter, pelo menos, 260 militares.

Por mês, segundo Saif, a PM prende, em média, 15 pessoas envolvidas em furtos a estabelecimentos comerciais no Centro. “Vale ressaltar que é importante os responsáveis pelas lojas irem até a delegacia para formalizar a denúncia e fazer o reconhecimento dos presos. Às vezes as pessoas não fazem isso, e o criminoso acaba sendo liberado por falta de provas”, destacou o comandante.

Câmeras monitoram principais ruas

A instalação de 15 novas câmeras de segurança na ruas do Centro, que enviam imagens 24h diretamente para o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), é uma das medidas adotadas para minimizar os prejuízos de lojistas e a insegurança no Centro. Outras 32 já estão em operação.

A informação é do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM), Ralph Assayag, que afirmou que tem tratado do problema diretamente com o governador, José Melo, com Secretaria de Segurança Pública e Polícia Militar. “Nós temos uma preocupação não só com os lojistas, depois que as lojas fecham. Mas também com os funcionários , quando saem do seu local de trabalho. Estamos buscando outras plataformas que possam facilitar a comunicação e dar mais velocidade ao atendimento das ocorrências”, afirmou o presidente.

Ainda de acordo com a CDLM, dois monitores de 50 polegadas foram doados à 24ª Cicom para que eles também possam fazer o monitoramento das ruas centrais, além do Ciops, dar uma resposta mais rápida e evitar crimes como o do dia 10 de abril, quando dois homens entraram em uma loja de variedades na rua Saldanha Marinho, que registrou o oitavo assalto só este ano, com prejuízos que passam de R$ 60 mil.

Comentário: Anderson Saif, Comandante da 24ª Cicom

Policiamento à paisana

“Mais de 80 mil pessoas circulam na área central da cidade. É muita gente. Para melhorar a segurança de todas essas pessoas, uma das medidas vamos adotar é o policiamento descaracterizado para tentar prevenir e impedir os crimes”, revelou o comandante da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), Anderson Saif. Ele também afirmou que foi criado um grupo no WhatsApp para facilitar a comunicação entre lojistas e Polícia Militar. A ideia é que as respostas às ocorrências sejam mais rápidas. “Quanto ao problema da falta de viaturas, a solução deve surgir até o fim deste mês, quando as novas viaturas começarem a chegar”, disse ele, referindo-se a uma “promessa” do secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes. De acordo com o secretário, 700 novas viaturas devem ser entregues até o final do primeiro semestre, reforçando o policiamento em Manaus e no interior.